Missão, razão de ser da Igreja, compromisso de todo batizado
No início de sua vida pública, na Sinagoga de Nazaré, Jesus abriu o livro da profecia de Isaías e leu a passagem na qual está escrito: “O Espírito do Senhor está sobre mim, porque me ungiu e enviou-me para anunciar a boa-nova aos humildes... proclamar o tempo da graça do Senhor”.
Já em plena atividade, depois de ter curado a sogra de Pedro e muitos doentes, em Cafarnaum, ele se retirou para um lugar deserto. As multidões o procuraram e queriam segurá-lo para que não fosse embora. Mas ele, com determinação, lhes disse que devia anunciar a boa nova do Reino a outras cidades, pois para isso é que viera (Lc 4,42-44).
Depois de sua Ressurreição, na aparição aos discípulos na Galileia, lhes deu o mandato missionário: “Ide, fazei discípulos meus todos os povos, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, e ensinando-lhes a observar tudo quanto vos ordenei. Eis que estou convosco até o fim dos tempos” (Mt 28, 19-20). Ou, segundo São Marcos (16, 15-16), “Ide pelo mundo todo, pregai o Evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizado será salvo”.
Com este mandato, com a força do Espírito Santo em Pentecostes, os discípulos começaram a proclamar a boa nova da salvação. Mesmo presos e proibidos de fazê-los, eles continuaram a missão.
São Paulo, convertido de perseguidor da obra de Cristo em seu apóstolo destemido, exclamou: “Ai de mim se não evangelizar” (1Cor 9,16).
Continuamente, o sopro do Espírito faz a Igreja retomar a razão de sua existência: estar sempre em saída, em missão. Há cem anos, Bento XV publicou Carta Apostólica sobre a grande e sublime missão confiada por Cristo aos seus discípulos. Ressaltou a importância, a natureza, a extensão da ação missionária, da necessidade da multiplicação e preparação dos missionários e dos recursos para sua realização.
Papa Francisco, para assinalar o centenário desse documento, instituiu o Mês Missionário Extraordinário, com o tema: batizados e enviados, a Igreja de Cristo em missão no mundo. Visava dar novo impulso à ação missionária, respondendo aos desafios atuais, conclamando cada batizado a viver seu compromisso com o anúncio e o testemunho do Evangelho.
No Dia Mundial das Missões e da Obra Pontifícia da Infância Missionária, neste domingo, cada batizado é convidado a louvar a Deus pela graça da fé, pela experiência do encontro vital e transformador com Cristo, que dá o rumo verdadeiro à sua vida. Mas é também desafiado a viver seu compromisso batismal de discípulo missionário do próprio Cristo e de colaborar ativamente com a ação missionária da Igreja, por seu testemunho, por sua oração, pela colocação dos dons e bens recebidos a serviço da mesma ação evangelizadora. Para isto, lembrar sempre o que o Papa Francisco diz na mensagem para este dia, “cada batizado/a é uma missão, que deve sentir-se impelido para fora de si mesmo”. Lembrar também que a missão se faz com os pés dos que vão, os joelhos dos que ficam e as mãos dos que contribuem.
Com renovado espírito missionário, desejo a todos um ótimo domingo e uma nova semana promissora.
Pe. Antonio Valentini Neto, Administrador Diocesano de Erexim.