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Blog do Neivo Zago

Neivo Zago

As Bolsas Famílias e os pássaros tratados (cevados)

Por Neivo Zago

Existem algumas pessoas aficionadas pelos pássaros, tanto que costumam espalhar quirera (quirela), por aí, para atraí-los e alimentá-los. Belo gesto, não fosse o fato de esses bichinhos não mais precisarem, por si só, buscarem alimento, em outras fontes. E, observando essa cena, em um determinado momento, na calçada posterior do terreno onde era a estação rodoviária, e em outros, me ocorreu fazer um paralelo com as pessoas do auxílio bolsa família, vale gás, vale isso, vale aquilo e, pasmem! O pé de meia para os estudantes do Ensino Médio.

Partindo do pressuposto de que “não se deve dar o peixe, mas ensinar a pescar”, mais do que nunca é preciso rever essas práticas de distribuir benesses, muitas vezes sem critérios e a contrapartida dos beneficiados. Ora, ora, voltando aos meus tempos de Escola não existia gratuidade para nada. Se não, vejamos: os uniformes nossos pais tinham que adquirir o tecido e mandar confeccioná-los. Já, a merenda, se nós quiséssemos comer no intervalo, tínhamos que levá-la de casa. E o transporte era feito ao lombo do cavalo, de bicicleta, ou a pé; nada de carona até a porta da casa. Pé de meia, então? Usávamos sim, era meia pra lá de usada e furada, quando as tínhamos!   

Aliás, quantas vezes vimos as nossas mães (verdadeiras parcimoniosas recicladoras), consertando-as com o apoio de um bulbo de lâmpada incandescente, (geralmente queimada). Além disso, “bullying” e apelidos, quem não os teve? Não eram problemas; tudo virava em brincadeira. Sério mesmo era o estudo, disciplina e dedicação e a decoreba como pilares, mas imperceptíveis no ensino-educação atual.

Muitos dias após a intenção de eu escrever sobre o assunto veio em meu socorro a mensagem em vídeo do eminente Alexandre Garcia, o qual inicia dizendo “Eu fico apavorado com o estrago que o auxílio bolsa família está fazendo entre as atividades que exigem mão-de-obra”. Ele relata o desespero de um plantador de cítricos, sem falar de milhares de outros apelos similares, (aqui tem muitas vagas de trabalho), que não encontra mão-de-obra para colher as frutas porque os beneficiados alegam que a soma do valor recebido “de bandeja” é mais alto do que o do salário mínimo. É por isso que se vê tanta gente vadiando; indo de loja em loja a qualquer hora o dia e a qualquer dia da semana.

Esse eminente jornalista Alexandre cita o exemplo do prefeito de Bento Gonçalves bem como o de Chapecó. Aquele tomou uma medida extrema, (ou seria apenas justa?), a de cortar os benefícios dessas pessoas que poderiam e deveriam muito bem estar trabalhando, porque não haveria nada que as impeça, para tanto. Em Florianópolis outro exemplo que deveria ser a regra: os presos produzindo em uma fábrica vários produtos, em parte para abreviar a pena e, outra para pagar as despesas de moradia e alimentação. Para reforçar, o referido jornalista cita ainda um excerto de uma música de Luiz Gonzaga: “A esmola vicia o cidadão” e o humilha. Aqui bem perto, quem não conhece o sujeito obeso que vai de semáforo em semáforo pisoteando a grama já sofrida dos canteiros centrais, pedindo esmola, quer seja sob o sol escaldante ou sob a chuva ou outra intempérie? É o típico sujeito que dispõe de saúde para trabalhar e não para mendigar.

Sou contra o auxílio para as pessoas menos favorecidas? Não. Mas os defensores desses benefícios indiscriminadamente distribuídos precisam rever caso a caso, mas em se tratando de autoridades e de políticos que praticam a politicagem, esses auxílios ajudam a manter o “status quo”; são garantia de voto, quando não um artifício a mais como brecha para os espertos roubarem, como tem ocorrido com os aposentados do INSS e incluindo outras naturezas de auxílio, como o Pé de Meia, também na mira da corrupção. Isso me reporta ao que certa vez um advogado asseverou, defendendo o seu cliente: “Aqui no Brasil não se constrói sequer um metro quadro de paralelepípedo sem que haja um atravessador ganhando vantagem”.

Portanto, nada contra os eventuais tratadores que espalham a referida ração aos pássaros. E, se porventura cessarem esses atos, os pássaros não perecerão, pois seus instintos de sobrevivência os levarão em busca de outros alimentos alternativos. Simples assim! Ademais, o trabalho nunca matou alguém e quantos de nós temos experiências gratificantes para relatar como adolescente, quando precisávamos trabalhar concomitante ao estudo, seja na família ou nas empresas (menos mal hoje há o programa Menor Aprendiz), pois o trabalho além de fornecer o sustento, enobrece o trabalhador.

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