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Blog do Neivo Zago

Neivo Zago

Hospedado no HC

Por Neivo Zago

Certamente o hospital é um dos últimos lugares onde uma pessoa deseja estar, excetuando-se, lógico, os profissionais da saúde que lá trabalham e prestam os seus serviços imprescindíveis para o bom restabelecimento dos internados. E, se o doente não subsistir, a última estação, neste percurso terreno e a mais indesejada é a que popularmente alcunhamos de: a cidade dos pés juntos: o cemitério.

Como em qualquer empreitada o processo de uma internação necessariamente precisa seguir trâmites. O primeiro passo é uma consulta médica especializada, para em primeiro lugar resolver o impasse via tratamento medicamentoso ou, se preciso for cortar o mal pela raiz via um procedimento cirúrgico. E se for este, o ato seguinte é passar pela Clínica de Anestesiologia, na qual o paciente é instado a responder uma série de perguntas e, no final assinar que ele está assumindo por conta e risco algum eventual insucesso. “Tem razão, mas vai preso igual!” Afinal, viver é correr risco constante!

Uma vez completados as etapas anteriores à próxima é dirigir-se à portaria do hospital para realizar a baixa, ou seja, já com a “sentença” declarada. No meu caso, era o procedimento cirúrgico. Repete-se a série de perguntas, dentre as quais se “você é alérgico a algum tipo de medicamento”. Após, realizada a baixa e uma pequena espera eis que vem um anjo da guarda do Centro Cirúrgico para lhe convidar “compulsoriamente” munido de uma cadeira de rodas, “a limosine”, mesmo que você tivesse condições de caminhar até o “picadeiro”.

Talvez, para simular o receio, nestes momentos tento manter-me tranquilo e não preocupar-me demasiadamente. Afinal, quem morre na véspera é o peru! Uma vez postado na cama do sacrifício, as enfermeiras vão realizando o preparo para em seguida o anestesista lhe aplicar o antidoto contra a dor, momento em que costumo dizer: “quero dormir, apagar”. Por fim, chega o cirurgião com a sua perícia e instrumentalização para operar.

Uma vez terminado o processo, o paciente é segredado até acordar, voltar a si, sonolento, mas “sound and safe”, (são e salvo), ao menos, essa é a regra. Dependendo da seriedade da intervenção há casos em que o protagonista é liberado, no mesmo dia, ou então poucos dias após, como ocorreu comigo. Desnecessário lembrar que, se o momento da baixa era preocupante, o da alta, se transforma em festa. Mais ou menos assim, como diz o Salmo 29: “Se à tarde vem o pranto visitar-nos, de manhã vem saudar-nos a alegria”.

É de conhecimento compartilhado e cientificamente provado que o atendimento humanitário, especialmente nas Casas de Saúde é de fundamental importância para acelerar a recuperação do paciente bem diferente da situação “on line”. E, se neste caso há um acréscimo de fé, crença, e otimismo, tudo fica mais fácil. Obviamente sempre há, em qualquer espaço, em qualquer profissão diferentes níveis de atendimento, porém em se tratando de lidar com as pessoas vulneráveis, não há como não ser diferente do que a dedicação total, ampla e irrestrita dos profissionais envolvidos, mormente quando são pessoas já um tanto senis. Em tão jocoso eu brincava com a minha saudosa mãe quase perto dos 90 anos dizendo se ela já havia visto uma Kombi, ano 23 rodando por aí. No meu caso, sou um Jeep 50, um tanto restrito, para viagens longas e sim, rodagem de curtos percursos, quando não apenas para figurar em exposição de carros antigos.

Outro costume pertencente ao processo todo, antes referido é saber reconhecer agradecer a todos quantos fizeram parte do seu procedimento, aliás, muitas pessoas envolvidas, desde o pessoal da limpeza; da cozinha, às atendentes e aos demais antes denominados e não apenas quando a pessoa não resistiu ao processo e partiu desta para a outra, por meio de avisos fúnebres. Menos mal que, nesses momentos de internação hospitalar compulsória costumo passar parte do meu tempo lendo e escrevendo, como foi o caso deste texto. Agora, ainda convalescendo espero que esteja muito distante a minha próxima internação no HC, ou em outro estabelecimento afim. Que o meu prognóstico se confirme. Este é o meu maior anelo!

Finalmente, feitas as devidas comparações entre pessoas e carros, estes vencem a corrida com folga, até porque quando são liberados da oficina os seus proprietários podem usá-los imediatamente enquanto nós humanos, a deixarmos o hospital somos aconselhados a seguir uma série de recomendações, dentre elas podendo estar a proibição de dirigir. De qualquer sorte motorista sem carro e carro sem motorista ainda são interdependentes.

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