A despedida mais dolorida
Já escrevi recentemente que ninguém quer passar pela experiência de internar-se em um hospital, tampouco sair de lá e não voltar mais para casa e, sim ser levado para a “cidade dos pés juntos” como se costuma dizer no trivial, “final da Av. 15 de Novembro, ou em outro endereço indesejado.
Depois de uma longa luta contra a doença ainda não totalmente curável e que mais mata, para filhas genro, esposo, parentes de amigos se despedem de uma pessoa querida. Do subsolo parte o esquife levado pelas filhas, genro e o esposo, após terem derramado todas as lágrimas e os apertos do coração; logo quem durante décadas os amparou.
Assim é a vida com seus encantos e desencantos, alegrias e prantos, vindas e idas, e destas a definitiva. Dilce Maria foi uma mãe responsável, dedicada a sua família e certamente à Comunidade São Caetano, da qual era vizinha e pela qual tanto se dedicou. Ela, agora está entre os filhos bem-aventurados do Pai que “combateram o bom combate, completaram a corrida e guardaram a fé”, ou melhor, transformou a sua fé em obras.
Paradoxalmente, e até um tanto incompreensível e o que me ocorreu poderia ter passado pela cabeça da tia Lúcia, com seus longevos 98 anos de idade, (sogra da falecida): “Por que ela e não eu?”. Porém, dentro da nossa ínfima compreensão, jamais sabemos quais são os planos de Deus para cada um de nós. Seguidamente propomos, mas nem sempre Ele nos dispõe.
Certamente nenhuma das muitas pessoas presentes nas despedidas e exéquias desejaria estar presente e, sim, ocupada em seus afazeres do cotidiano. Infelizmente o velório não é o melhor local para os amigos conhecidos e familiares se encontrarem. Menos mal, que nesses momentos, não contam as diferenças, de raça, cor e credo; as ascendência e descendências; as posses ou faltas destas. Tudo isso o tempo se encarrega de fazer-nos esquecer das pessoas mais simples ou mais famosas. Obviamente, a exceção diz respeito aos familiares mais íntimos, os próximos ou os amigos ao recordar os fatos, ao rever as fotos ou ao rebuscar outras lembranças no baú das recordações farão memórias de quem partiu.
A presença de um sacerdote padre Lopes e a celebração da missa, hoje um tanto raras, devido à falta de clérigos, foi uma prova do quanto a Dilce Maria era importante na comunidade, como também o cunhado Clédio foi; reiterada pela mensagem do Evangelho: “Vou prepara-vos um lugar porque na casa do meu Pai há muitas moradas”.
Por fim, a última despedida e não menos dolorosa foi testemunhar o esposo Adelar, as filhas Francieli e Francine, as quais passaram pelos bancos escolares e por nossas mãos após a missa até o carro fúnebre. O motorista e os ajudantes alheios às dores dos familiares e acostumados com esses momentos também personagens imprescindíveis no contexto. Isto é: pagamos para nascer, para crescer, viver, para nos mantermos saudáveis e, no desenlace, também. Não há como pular esse circuito.
Por derradeiro e o fim último, aqui nesta peregrinação terrena, o féretro se dirige ao cemitério ou à capela de cremação escolhas e opções às vezes feitas pelas próprias pessoas ou familiares que optam por uma ou outra.
Ainda, nesses momentos de despedidas, como é bom ver a presença de tantas pessoas solidárias querendo, de uma forma ou de outra, prestar o seu auxílio. Eu o faço por meio deste texto até porque se é dada atenção a tantos assuntos, às vezes corriqueiros, outras menos importantes, e que nos tomam o nosso tempo precioso por que não reservar um espaço e tempo e dedicar um tributo a uma pessoa e a uma família tão especial como são os familiares da Dilce Maria, hoje certamente uma bem-aventurada habitando as amplidões celestiais.
P.S.: Não esteve presente o meu amigo e colega Danilo Comerlato, por problemas de mobilidade, dos bons tempos do Colégio Barão, quando os alunos diziam que nós dávamos aulas “dentro e fora das quadras de futsal”.