Salmo 35: os perseguidores
O Salmo 35, escrito por Davi, é uma oração de um servo perseguido que procura a proteção e a justiça divina. Nesta primeira de três reflexões sobre o Salmo, vamos observar a maneira que o salmista descreve os perseguidores.
Não sabemos o momento exato na vida de Davi que este Salmo foi composto. Ele passou por vários momentos de perseguição. Dois dos seus perseguidores se encaixariam especialmente bem na sua linguagem: Saul e Absalão. Em ambos os casos, ele tratou bem pessoas que viraram contra e fizeram de tudo para acabar com ele, até procurando tirar sua vida. O perfil desses perseguidores é o mesmo de muitos ao longo da história, tanto na Bíblia como nas nossas experiências atualmente. Vamos observar como ele descreve os perseguidores.
Historicamente, a perseguição religiosa tem sido violenta. Hamã procurou exterminar os judeus na época de Mordecai e Ester. Saulo lançou uma campanha para prender e condenar à morte os judeus que se convertiam a Cristo. Depois da sua conversão, ele mesmo sofreu perseguições violentas, sendo apedrejado e açoitado. Conflitos entre Católicos e Protestantes no tempo da Reforma Protestante foram especialmente sangrentos. Até hoje, conflitos entre seguidores de religiões diferentes frequentemente envolvem violência desenfreada.
No caso de Davi, a arma principal dos perseguidores foi a língua. Ele fala daqueles que o acusavam e atacavam (verso 1) por serem falsas testemunhas (versos 11) que tramavam enganos (verso 20). Os ataques foram tão fortes que ele vê seus acusadores como leões violentos que procuravam matá-lo (verso 17). Davi os descreve como hipócritas zombadores (verso 15) que se alegravam com a angústia dele (verso 24). Expressaram seu júbilo ao ver o sofrimento do alvo dessas perseguições: “Escancaram contra mim a boca e dizem: ‘Pegamos! Pegamos! Vimos tudo com os nossos próprios olhos!’” (verso 21). Davi pediu para Deus calar a boca desses caluniadores para que não festejassem a derrota dele (versos 24 a 26).
Pessoas maliciosas podem achar algum prazer no sofrimento das suas vítimas, mas todos devem lembrar que Deus reina e julga retamente. Devemos imitar Davi e resistir à tentação de pagar o mal com o mal enquanto aguardamos a resposta do céu. “Meus amados, não façam justiça com as próprias mãos, mas deem lugar à ira de Deus, pois está escrito: ‘A mim pertence a vingança; eu é que retribuirei, diz o Senhor’” (Romanos 12:19).