Salmo 35: o servo perseguido
Nesta segunda de três reflexões sobre o Salmo 35, vamos considerar a posição dos perseguidos, representados especialmente pelo próprio compositor do Salmo, o rei Davi. Ele se apresenta neste hino como o servo do Senhor perseguido sem motivo.
Esse Salmo apresenta os apelos do servo a Deus, pedindo proteção e livramento das perseguições que incluía, necessariamente, o justo castigo dos caluniadores que o atacavam. Davi demonstrou sua confiança na salvação que vem do Senhor: “Então a minha alma se alegrará no Senhor e se regozijará na sua salvação. Todos os meus ossos dirão: ‘Senhor, quem é semelhante a ti? Pois livras o aflito daquele que é mais forte do que ele; livras o pobre e o necessitado daqueles que os exploram’” (versos 9 e 10). As angústias e injustiças deste mundo não foram motivo de abandonar a sua confiança no Senhor. Pelo contrário, em linguagem que lembra as declarações divinas em Isaías 40, Davi aproveitou o momento para honrar o Senhor.
Em contraste com a malícia dos perseguidores, destacada na reflexão anterior, Davi fala da sua própria integridade e bondade. É comum pensar que pessoas que fazem calúnias e falsas acusações ajam por algum motivo que pode ser identificado, mas nem sempre é o caso. Davi disse: “Falsas testemunhas se levantam e me interrogam sobre coisas que eu não sei” (verso 11). Ele disse que essas pessoas se tornaram inimigos sem razão e o odiavam sem motivo (verso 19). Davi não desrespeitou o rei Saul, mas este tentou matá-lo. Ele foi até tolerante demais dos erros do seu filho Absalão, o mesmo que liderou um golpe contra seu pai. Foram inimigos sem motivo.
O salmista diz que seus perseguidores lhe pagavam o mal pelo bem. Ele mostrou compaixão e procurava o bem deles, mas retribuíram sua bondade com a crueldade (versos 12-14). Davi sabia que a solução ao problema estava fora do seu alcance. Por esse motivo, ele confiou na justiça do Senhor. Pediu que Deus impedisse e castigasse a maldade dos perseguidores e que reconhecesse a integridade dele. Ele e outros que apoiavam sua conduta íntegra louvariam ao Senhor: “Cantem de júbilo e se alegrem os que têm prazer na minha retidão! Que eles digam sempre: ‘Glorificado seja o Senhor, que se compraz na prosperidade do seu servo!’ E a minha língua celebrará a tua justiça e o teu louvor todo o dia” (versos 27 e 28).
Na próxima reflexão sobre esse Salmo, vamos focar o papel do Senhor, o reto juiz de todos!