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Blog do Neivo Zago

Neivo Zago

The Days After

Por Neivo Zago

“Após a tempestade, vem a bonança”, mas também os rastros que a primeira deixa pelo caminho. Menos mal, se forem apenas estes, pois cedo ou tarde serão recuperados, mas quando se trata de preciosas vidas humanas, nada pode ser pior.

Era o meio da tarde de domingo, quando me ocupava com a manutenção de um pequeno canteiro de hortaliças e um com flores e folhagens, de outro. Sempre de olho no céu, pois havia previsão de chuva e já se formavam algumas nuvens plúmbeas. Até aí nada de extraordinário, não fosse o som de algo caído contra a parede, semelhante a uma bolinha de gude. Ledo engano! Era apenas o começo de uma torrencial chuva de granizo que desciam aos borbotões, algo surreal, para os nossos padrões, apenas visto pela televisão. Essa saraivada durou aproximadamente 15 minutos, tempo suficiente para provocar o caos generalizado.  

O que deveria ser apenas uma bela tarde de domingo apanhou de surpresa até os mais cautelosos seres humanos. Os automóveis, fora das garagens ou em trânsito foram severamente afetados. Todas as pessoas, pasmas, boquiabertas esboçavam as mais diversas reações; perplexas sem entender e mensurar, à primeira vista o tamanho da tragédia. E mais uma vez fica a lição do quanto nós seres humanos somos insignificantes e impotentes diante dessas situações. E pensar que muitas vezes nos consideramos os suprassumos, os maiorais, as cerejas do bolo.

Outra vez, como ilustração e consolo eu recorro ao livro dos livros – a Bíblia, a qual nos recomenda a “abraçar as coisas que não passam e afastar as que passam”. Bem como, agir prudentemente e não como fez – também na parábola bíblica, (Lc.12:16-21) o homem rico que após uma farta colheita não tendo como guardá-la pensou: “Vou derrubar os silos velhos e construir novos e maiores para abrigá-la. Deus o chamou de louco dizendo-lhe que ainda naquela noite lhe tiraria a vida. A mensagem é que pouco importa juntar riquezas para nós mesmos e não tesouros para o céu. Do mesmo modo vale o alerta bíblico: “Por acaso não vai ficar para os outros (herdeiros) o fruto do teu trabalho”?

Nesse interim já noite escura, voltava eu de uma casa de amigos para consertar um cano de água avariado, quando toca o telefone e ouço uma voz conhecida: Era o vereador Clairton Balen oferecendo-me lonas para cobrir o telhado, (agradeci-lhe, mas recusei o belo gesto), uma vez que ele se dirigia para prestar atendimento a famílias certamente mais necessitadas, no Bairro Aeroporto. Já, na terça-feira outra, bela atitude foi a do Jonas que subiu nos telhados para medir a área necessária para a substituição das telhas, assim como fizeram inúmeras pessoas solidárias. Para seus vizinhos. Por sua vez, as diversas fábricas de telhas, mormente as de metal (aluzinco), formavam filas de pessoas afetadas para encomenda de novas coberturas em substituição das telhas de amianto e similares.

Posteriormente, em uma entrevista concedida pelo prefeito municipal dizia que o governador do estado sobrevoou a cidade e região para constatar a situação e prometia a “vultosa” quantia de R$1.500,000,00 e que o governo federal também acenava com cifras parecidas. Obviamente que, apesar das iniciativas emergenciais, não foram suficientes os atendimentos da Força Voluntária, do Corpo de Bombeiros, da Prefeitura e afins, e a abertura emergencial do comércio de materiais de construção que abriram as portas logo após o evento para venda de lonas e telhas que, obviamente devido à grande demanda.

Desnecessário descrever o estado de espírito de milhares de famílias atingidas e o trabalho que demandou delas, para tomar atitudes emergenciais e salvar o que era possível no momento da queda do granizo e subsequentemente. Em suma, o consenso geral é que ninguém, mesmo as pessoas mais vividas e de idade longeva, haviam presenciado tamanha tragédia que devido à ação deletéria do homem contra a natureza tem ocasionado fenômenos climáticos tão severos. O pior é que as lições acabam ficando no ostracismo, quer sejam quando se perdem bens materiais, (recuperáveis), com o tempo, mas irreversíveis são as vidas humanas. Que Deus, na sua infinita misericórdia possa-nos prover de ânimo, de força e de coragem para prosseguir.

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