Operação rescaldo: Ainda livrando-nos dos cacos
Depois da tempestade vêm os prejuízos e a reconstrução. Assim como são nas guerras estúpidas. Primeiro a destruição depois a recuperação, do que foi arrasado. Os rescaldos da tragédia misturados com a ganância e a solidariedade: O bem e o mal, um duelo sem fim.
Escrevo este texto, no domingo, sete dias após a tempestade de granizo, nunca antes vista em nossa região. Assim, como me referi anteriormente, quando vemos pela televisão imagens de catástrofes dessa natureza, nós nos comovemos; sentimos um misto de horror e de compaixão, mas fica nisso. A sensação de estar entre as vítimas é bem diferente do que nos colocarmos na posição de meros expectadores, à distância, como que observando um jogo nas arquibancadas.
Ainda vemos trabalhando sobre os telhados ardorosamente os operários sobre com seus martelos, e furadeiras, e serras, e similares, emitindo os ruídos que entram profundamente em nossas mentes, os quais, jamais, nós jamais imaginaríamos precisar ouvir. As lonas colocadas, como medida paliativa, farfalham com o vento trazendo preocupação; os olhares aflitos fixam o céu torcendo para que não chova nos próximos dias e que o astro rei continue a brilhar. Bem como, o prazo fornecido pelas empresas para entregar o material e as novas coberturas, seja antecipado.
Fica muito difícil manter a calma, a tranquilidade e engrenar no sono, apesar da exaustão a qual somos acometidos. Como me disse uma funcionária amiga em um posto de combustível. “Estamos pertos de mandar todo mundo tomar lá naquele lugar”. É pra rir ou chorar? As pessoas mais precavidas dispõem do handicap do seguro para ressarcir, ao menos, uma parcela dos prejuízos. Pior, para os que não possuem esta vantagem. Sem essa cobertura e tampouco a cobertura das suas residências, elas ficaram literalmente sem teto. Terão que contar com estas despesas não previsíveis. Aliás, nesses eventos catastróficos é que vemos o quanto há pessoas solidárias, bem como uma parcela das que são ávidas para explorar a fragilidade do momento: aumentando o preço da mão-de-obra e/ou do material tendo como escusas os falsos argumentos. “Vou lhe fazer um preço bom”! Que preço bom é este? Para quem recebe em torno de dez mil reais por mês, dois mil e quinhentos pode significar pouco. Porém, aos que percebem aproximados dois salários mínimos, é muito. Tudo é relativo!
Relativos, somos todos nós sempre que fazemos comparações com isso ou aquilo. O importante é sabermos que o ideal, com exceção de DEUS, não existe. Nesses momentos é que muitas pessoas se lembrar de pedir- Lhe auxílio, assim como fazem outras céticas e sem religião as quais se lembram do Criador nos momentos de doença e de infortúnios. Em, assim pensando faz muito sentido o canto: “Segura na mão de Deus e vai, pois ela te sustentará, não tema segue adiante e não olhe para trás. Segure na mão de Deus e vai”. A tempestade de granizo aos poucos vai se esvaindo das nossas mentes e os cacos dos telhados, também.
Aliás, o que importa, depois dos rescaldos dos prejuízos do granizo intenso é sabermos que os bens materiais podem ser recuperados e que a vida, o maior milagre deve ser lembrado a cada dia. Cuidada e preservada com todas as nossas forças. Forças essas que somadas ao pensamento positivo, às orações e a fé no Criador nos permite continuar esta peregrinação neste Vale de Lágrimas, permeado por momentos de felicidade. Felicidade também possível de ser encontrada quando praticamos o bem e exercitamos a solidariedade nos momentos de necessidade. A amizade e a solidariedade não se medem pelos momentos de festa e de prosperidade, mas nos momentos difíceis pelos quais estamos passando como é a operação reconstrução e escaldo livrando-nos dos cascos e entulhos, os quais atravancam a nossa vida.
P.S.: Jamais esquecerei o evento granizo e nem o dia 02 de dezembro, meu aniversário comemorado entre idas e vindas para encomendar, buscar e trocar material (madeira, parafusos fios cabos elétricos, alguns que me enviados fora das medidas). Enfim um corre-corre sem precedentes. Obrigado aos que se lembraram dos meus 75 anos dentre os quais o Renato o Armindo, este jornal, dentre outras pessoas.