É Natal! Que Natal?
É outra vez natal, acontecimento e festa, sem igual! Quase tudo se repete, mormente, quando se refere à área comercial. Muita comida, presentes. Tudo tão artificial. Apenas, a exceção está na singeleza do presépio, o verdadeiro sentido do NATAL.
A cada ano parece que o Natal é comemorado mais cedo. Em outros tempos as luzes e os presépios eram instalados desde o primeiro dia de dezembro. Atualmente, ainda em outubro, ouvimos e vemos as propagandas e os adereços anunciando a grande festa, a festa da cristandade, a do Nascimento de Jesus – o Salvador dos Homens, que, com suas atitudes pecaminosas quebraram a relação de pai e filho com o Deus criador.
O Natal associado ao final do ano e início do Ano Novo e, quiçá, para a indústria e comércio o principal período para a produção e vendas de mercadorias. É um corre-corre pela busca de presentes e de preparação das ceias, isso para as pessoas mais aquinhoadas que têm condições para tal. Por sua vez, há poucos motivos para a comemoração destas datas, especialmente para as mais de dez mil famílias erexinenses e da região atingidas pelo fenômeno granizo, o qual causou grandes avarias nos telhados. A cidade ainda respira os ares e os olhares atônitos tendo como prova os escombros colocados nos passeios e calçadas.
Nesse sentido, ver ao menos parte dos prejuízos recuperados e as casas, muitas delas com telhados reluzentes e ofuscantes devido às telhas compostas por alumínio e zinco provocam é certamente a melhor festa e o melhor Natal, bem como o melhor começo de um Ano Novo.
É outra vez Natal, festa sem igual ou acontecimento trivial? É mais um Natal de nossas vidas de todas as pessoas, desde as mais abastadas às sofridas. É outra vez Natal, porém sempre diferente. Mesmo assim é Natal, seja com mais ou menos magia, este dia deveria se repetir nas nossas ações do dia a dia.
O último mês do ano caminha para o seu ocaso como o pôr do sol acena para o fim do dia. Assim também nós envelhecemos um ano a mais e, aos poucos fenecemos, porque a cada Natal é um ano que se esvai, um a menos e não um a mais. Em cada aniversário, até porque a contagem é regressiva no calendário e na viagem particular de cada qual até chegar à estação final. Mesmo assim, o dia dois de dezembro é para mim especial, por causa do meu aniversário e dos setenta e cinco Natais vividos. Não há como eu esquecer nem de um tampouco doutro. Já mencionei esta efeméride em prosa e em verso em alguns dos meus textos pretéritos; todos diferentes até porque o Natal embora se repita, nunca foi e nunca será igual. Há sempre algo de novo a dizer, a falar e a escrever.
Das retrospectivas dos Natais da minha infância, não guardo muito na lembrança. Sei, no entanto, que não havia exageros, nem fartura, nem glamour até porque o Natal remetia à singeleza do presépio quando nas tradicionais e inesquecíveis missas da meia-noite comemorávamos o nascimento de Jesus, o grande homenageado.
Ao rememorar os Natais mais recentes vejo em mim um arrefecimento gradativo a começar pela decoração da casa, que foi definhando nos últimos anos até neste cessar definitivamente. Será que acabou o meu encanto? Quais lições este Natal vai nos deixar? O que aprendemos neste ano extraordinário quando fomos surpreendidos por um invasor indesejado que mudou nos afetou deveras? Não somos mais os mesmos, nem neste Natal e nem de ora em diante.
PS.: A todos os meus leitores, direção e staff deste jornal, meus familiares, amigos, colegas, enfim a todos quantos fazem parte da minha caminhada eu desejo um Natal de Verdade, aquele que tem no centro o Menino Jesus que veio transformar a humanidade.