Como quero viver os anos que ainda tenho?
Não adianta chegar aos 90, 95 ou 100 anos se a vida se transformar apenas em uma contagem de dias, cercada de limitações, solidão, dependência e sofrimento. O verdadeiro desafio da idade avançada não deveria ser simplesmente acrescentar anos à vida, mas acrescentar vida aos anos.
Vivemos em uma época em que parece que o maior objetivo é viver cada vez mais. A medicina avançou, os tratamentos se multiplicaram e a expectativa de vida aumentou. E isso é uma grande conquista. Mas existe uma pergunta que precisamos fazer, antes que o tempo passe depressa demais: queremos apenas durar ou queremos viver?
Envelhecer é inevitável. Envelhecer sem propósito não precisa ser. Precisamos nos preparar para a velhice enquanto ainda temos disposição, saúde e autonomia. Cuidar do corpo, alimentar-se melhor, movimentar-se, cultivar amizades, preservar a mente, manter a curiosidade, aprender coisas novas e, principalmente, ter motivos para levantar da cama todos os dias.
Porque chega um momento em que não precisamos provar mais nada para ninguém. Precisamos apenas descobrir o que realmente importa. Talvez o segredo não esteja em perguntar: “Quantos anos ainda vou viver?”, mas sim: “Como quero viver os anos que ainda tenho?”
Quero envelhecer podendo conversar, rir, caminhar, viajar, abraçar meus filhos e netos e até bisnetos, encontrar amigos, trabalhar quando quiser, ajudar alguém, contemplar um pôr do sol e agradecer por mais um dia. Não devemos ter medo de envelhecer. Devemos ter medo de chegar à velhice sem ter aprendido a viver.
Que possamos desejar não apenas uma vida longa, mas uma longa vida que valha a pena ser vivida. Porque o objetivo não é simplesmente durar. É durar vivendo.
Até a próxima.