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Blog do Dennis Allan

Ventos e fogo

Por Dennis Allan

Tenho dedicado algumas das reflexões recentes ao estudo de citações dos Salmos no livro de Hebreus. Vamos considerar Hebreus 1:7, que diz: “Ainda, quanto aos anjos, diz: ‘Aquele que a seus anjos faz ventos, e a seus ministros, labareda de fogo’.” O autor cita o texto do Salmo 104:4 – “Fazes a teus anjos ventos e a teus ministros, labaredas de fogo.”

Para compreender essa citação, é preciso observar o contexto dos dois textos.

Hebreus 1 enfatiza a superioridade de Jesus sobre os anjos. Já no versículo 6, o Pai manda que os anjos adorem o Filho. O comentário sobre os anjos no versículo 7 fica em contraste com a posição exaltada do Filho, que se baseia em outro Salmo que vamos considerar em outra reflexão: “Mas, a respeito do Filho, diz: ‘O teu trono, ó Deus, é para todo o sempre; cetro de justiça é o cetro do teu reino...’” (Hebreus 1:8). O Filho reina enquanto os anjos são ministros feitos para cumprir a vontade de Deus.

O contexto do Salmo 104 completa esse aspecto da tese de Hebreus. O Salmo retrata Deus como Criador soberano de suas criaturas, inclusive os anjos. No contexto que fala sobre os céus, as nuvens, as montanhas e as águas do mar, ele faz a afirmação supracitada sobre os anjos. Eles são apresentados como ministros completamente subordinados à vontade divina, associados às imagens dos ventos e das chamas de fogo.

No Salmo 104, encontramos figuras fascinantes nas quais os anjos são associados aos ventos e às chamas de fogo, enquanto as forças da natureza recebem características pessoais (por exemplos: as águas reagem à repreensão divina – verso 7).

O argumento de Hebreus 1 reflete uma distinção fundamental enfatizada por Paulo: a diferença entre Criador e criatura. Ele escreveu: “Eles trocaram a verdade de Deus pela mentira, adorando e servindo a criatura em lugar do Criador, o qual é bendito para sempre. Amém!” (Romanos 1:25). O autor de Hebreus usa Salmo 104 para mostrar que os anjos pertencem ao mundo criado – estão na mesma categoria de nuvens, animais, árvores e homens – e existem para cumprir a vontade daquele que fez todas as coisas. Jesus, porém, não está entre as criaturas; ele é o Senhor que reina sobre todas elas.

Nós, como os anjos e todas as outras criaturas, devemos ser submissos ao Criador. Os anjos pertencem ao mundo criado e existem para cumprir sua vontade. Jesus, porém, é o Senhor entronizado sobre toda a criação. Os anjos o adoram, e nós devemos fazer o mesmo.

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