“Um desafio”. Assim o vereador Leandro Basso, define o cargo de secretário da Agricultura, Abastecimento e Segurança Alimentar, que assume a partir do dia 2 de janeiro. Para ele, o município de Erechim precisa descobrir qual é sua vocação agrícola. “Temos agroindústrias, pecuária, bacia leiteira, grãos e outras atividades. O objetivo é saber transformar em planilha essa produção. Mas sabemos que hoje, uma das maiores dificuldades é a sucessão familiar. As propriedades estão num processo de envelhecimento e há uma redução do público feminino”, diz.
Após conhecer a capacidade atual de produção, o futuro secretário diz que será estabelecido um objetivo de aumento da produção e integrar a produção municipal, regional com a industrialização no município. “Temos a produção diária de 4 mil suínos. Destes, somente 1.600 são abatidos no Alto Uruguai. Toda industrialização acaba ocorrendo distante da região e é justamente na industrialização que tem retorno de ICMS, onde aumentam os postos de trabalho na área urbana. E isso acontece com quase tudo que é produzido”, comenta. Basso projeta uma Secretaria que pense desde a produção até a industrialização. “Pensar a cadeia num todo, desde a produção até a comercialização. Só assim garante a permanência do homem no campo com qualidade e lucratividade”, acrescenta.
Outro norte da Secretaria será a regularização fundiária no município. “Temos bastante sítios, chácaras e pequenas propriedades que não tem escrituras, com metragem abaixo de 20 mil metros de área que é a exigência do Incra para conceder a escritura. São contratos de gaveta, e que há um espaço na lei - Regularização fundiária de interesse especifico. Queremos buscar na legalidade, com apoio do Registro de Imóveis e uma comissão que precisa ser constituída, que garanta essa regularização. Porque uma vez que a pessoa tiver posse, ela pode captar recursos para melhorar sua moradia, como financiamento da casa própria”, explica.
Basso comenta que o percentual do orçamento é pequeno. São R$ 6.600 milhões da receita estimada para a pasta para 2017, o que equivale 2,7% do total do orçamento municipal. “É uma pasta importante na cadeia econômica, principalmente agora que vimos os postos de trabalho no perímetro urbano sendo reduzidos pela crise no metal mecânica, pela redução do consumo. A agricultura pode, se bem gerenciada, suprir em parte esse fechamento de postos na cidade, através do aumentando na produção do campo trazendo o agricultor para consumir mais na cidade”, diz.
Entretanto, dos 2,7% do total do orçamento municipal, 1,2% está comprometido com folha de pagamento. E o parque de máquinas está sucateado. As dificuldades são várias, mas ao mesmo tempo, muitas linhas de frente que podem ser expandidas. “70% das frutas consumidas são adquiridas de outros estados e temos capacidade de ampliar a produção com políticas de apoio a pequenas, médias e grandes propriedades. Temos também os dois sindicatos e o diálogo com todos os envolvidos na produção agrícola vai fazer parte da Secretaria de Agricultura”, pontua.
A marca que pretende dar a Secretaria é da valorização do funcionário de carreira. “Quero aumentar a autoestima do funcionalismo público municipal. Se o funcionário não estiver motivado é prejuízo dobrado”, afirma.
Futuro secretário de Agricultura, Leandro Basso