Apreensão. Assim estão os produtores de uva da região nos últimos dias devido ao excesso de umidade. Esta situação ocorre porque a fruta está na fase de maturação e pode ocorrer o apodrecimento da fruta madura. Por enquanto, de acordo com a Emater, não há ocorrência de danos.
Segundo o agrônomo da Emater Regional, Nilton Cipriano de Souza, a qualidade da fruta nesta safra e a produtividade estão atribuídos ao clima que foi favorável desde o início do desenvolvimento da cultura, com horas necessárias de temperaturas baixas para entrar em brotação, os produtores conseguiram fazer a poda na época recomendada. Depois as temperaturas elevadas durante o dia e amenas à noite na fase de floração e enchimento de grãos. E essas condições vão permitir uma safra doce e farta.
Aos poucos as frutas começam a entrar no mercado de São Valentim e de Erechim. Ao contrário do ano passado, em que as geadas prejudicaram a produção e a média colhida foi de 5 toneladas por hectare, a expectativa é de que sejam colhidas nesta safra de 20 a 25 toneladas por hectare, acima da média de anos normais que é de 15 t/ha. Em alguns pomares individuais a colheita pode chegar a 40 toneladas por hectare. Além disso, as temperaturas elevadas durante o dia e amenas à noite tem elevado o teor de doçura da fruta.
A uva é a segunda fruta mais produzida no Alto Uruguai, com 1.200 hectares, ficando atrás somente dos citros. Os municípios que mais cultivam são Erechim, São Valentim, Charrua, Floriano Peixoto, Aratiba e Barão de Cotegipe. O Rio Grande do Sul é o maior produtor da fruta do país, com 62% da produção. De acordo com Cipriano, a área na região tem se mantido a mesma há algumas safras, apenas com a substituição de alguns parreirais antigos.
A produção regional é mais direcionada para indústria, com 80% da produção, com as variedades Isabel e Niágara. Já para produção in natura as variedades cultivadas são sem semente, como Rubi e Rainha Itália. A tendência, de acordo com Cipriano, é crescer o cultivo destinado para mesa, com parreiral coberto e irrigado por gotejamento, com mais tecnologia envolvida.
O produtor Giovani Batistella cultiva 0,5 hectares de uva Bordô e Rainha Itália na linha Batistella. A Bordô deve ter início de colheita em 15 dias e segundo ele, o momento é de apreensão devido às condições climáticas. “Precisamos de tempo seco porque se a chuva continuar vai estragar o fruto”, diz.
Quilo comercializado a R$ 4,00 na feira
A produtora Marlene Slongo cultiva uvas no interior de Erechim. São 10 hectares destinados as variedades Isabel e Bordô. A colheita iniciou em 10 de dezembro e segue até o início de março. A produtividade média está sendo de 18 toneladas por hectare. Ela diz que o momento é de apreensão devido ao excesso de chuva que pode provocar perda de qualidade da fruta e não concentra açúcar para a produção de vinho. A comercialização da uva está sendo feita na feira do produtor a R$ 4,00 o quilo, valor inferior ao ano passado que era de R$ 5,00 quando a oferta do produto era menor.
Excesso de chuva já provoca danos
O produtor Cristiano Dariva, da linha Coan, também interior de Erechim, possui 15 hectares cultivados com diversas frutas, entre elas, ameixa, pêssego, melão, maça e 1,5 hectares com uva Niágara rosa e branca, Bordô e Izabel. Ele está obtendo 25 toneladas por hectare e está temeroso por causa das condições climáticas. Os cachos de uva têm uma boa apresentação, mas os gomos estão se soltando por causa do excesso de chuva e segundo ele, a tendência é começar a ter perdas na produção.
São Valentim apresenta alta produtividade
Na região, a produção também está sendo positiva. Em São Valentim, o produtor Antônio Zanandréa iniciou a colheita nessa semana. Ele destina seis hectares para as uvas Bordô, Niágara branca e rosa, Izabel e para mesa Rainha Itália. A expectativa é de colher 150 mil quilos. “Mas o preocupante são as últimas chuvas, que ainda não tem causado danos, mas assusta”, diz.
A comercialização da fruta acontece para Chapecó e Erechim em mercados e na propriedade para o atacadista a R$ 2,50 o quilo.
Uva transformada em vinho em Itatiba do Sul
Já o produtor Rogério Soliman, de Itatiba do Sul cultiva uva para a produção de vinhos espumantes. No momento ele não está apreensivo porque a colheita inicia mais tarde, no fim de janeiro a variedade Chardonnay, depois a Merlot e no fim de fevereiro Cabernet Sauvignon e mais as 30 variedades italianas. “A produtividade varia conforme o clima e cada região tem sua especificidade. As condições não são ruins ainda porque a sanidade dos frutos é boa”, diz.
Além da produção de uva e de vinhos, o local também recebe visitantes pelas belezas naturais fazendo parte da rota do turismo rural. “São 30 variedades de uvas italianas cada uma com um formato de cacho de fruto diferenciado, também temos almoço ou jantar colonial. Tudo pode ser agendado no Vinhedo Soliman através do telefone 30156268”, comenta.
Festa di Bacco inicia nesta quarta
Na quarta-feira (11) terá início a Festa di Bacco, em Erechim, às 16h, na propriedade de Avelino Bianchi, na Linha América. O ato de colheita inicia as atividades que terá como sequencia o pronunciamento de autoridades e apresentações culturais, com a sequência de degustação de produtos coloniais.
Já a partir do dia 15 de janeiro até o dia 19 de fevereiro, sempre aos domingos, acontece a comercialização da uva e produtos derivados da fruta – sempre a partir das 14h, no Seminário. De acordo com Douglas Cenci, coordenador regional do Sutraf AU, nos dias 15 e 22 haverá a comercialização de uva, vinhos, sucos e também produtos coloniais da região, com 25 bancas e também apresentações e jogos da cultura italiana. Nos demais domingos serão produtos de Erechim.
O objetivo da Festa é divulgar e potencializar a comercialização da uva e vinho e manter a tradição da cultura. A promoção é do Sutraf, prefeitura, Emater, grupos italianos e Comissão da Uva.