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Rural

Quebra na produção das hortaliças chega a 50%

Umidade nas folhas provoca aparecimento de fungos e estraga alimentos

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Folhosas são as hortaliças mais prejudicadas
Por Rosa Liberman - rosa@jornalbomdia.com.br
Foto Rosa Liberman

A chuva já causa prejuízos no campo. Enquanto que para algumas atividades a umidade é favorável, para outras é prejudicial, como é o caso das hortaliças. Em Erechim, em torno de 30% da produção é cultivado em sistemas protegidos e com irrigação por gotejamento, o que beneficia a produção em condições de escassez de chuva e também ameniza em épocas de excesso de chuva. Mas 70% é plantado a céu aberto, à mercê das intempéries. Levantamento realizado pela Emater Municipal indica que pelo menos 20% das folhosas já apresentam perdas. Mas de acordo com produtores que comercializam os produtos na feira do produtor do centro esse índice é ainda superior, passando dos 50%. Mas para o consumidor estes prejuízos ainda não são visíveis, porque o produto ainda é encontrado e o preço não sofreu reajuste.

O agrônomo da Emater Cláudio Kochhnn, explica que o repolho e alface estão com problemas. Quando a umidade permanece na folha por mais de um dia aparecem doenças e fungos e apodrecem a planta. O tomate também já apresenta danos. Além disso, a produção em estufa ainda não tem perdas, pois tem um controle melhor de temperatura e umidade, mas não está recebendo a devida insolação, devido aos consecutivos dias nublados.

Em virtude da quebra da produção, os produtores dizem que deveriam reajustar os preços, mas não fazem porque os consumidores iriam reclamar. Então, por enquanto, os preços continuam sendo os mesmos praticados na feira do produtor no centro de Erechim.

A agricultora Emilia Guarnieri, cultiva hortaliças na Linha Batistella, interior de Erechim. São cerca de quatro hectares destinados ao plantio de alface americana, tomate, pepino, beterraba, tempero verde, milho verde e melão. Parte do cultivo é em sistema protegido e parte a céu aberto e Emília diz que a produção apresenta perdas, principalmente a alface, com 70% de quebra. O problema inicia no talo e vai apodrecendo. Entretanto, ela diz que apesar da menor oferta de produto na feira do produtor o reajuste de preço não foi repassado ao consumidor e, por enquanto, isto não vai acontecer. O pé de alface é vendido a R$ 2,00, mas devido as condições climáticas, com excesso de chuva e altas temperaturas muitos pés estão ficando pequenos e estes estão sendo vendidos a R$ 1,00.

O produtor Hermes Solenta, de Linha América tem um hectare com alface, brócolis, couve flor e também diz que o clima tem prejudicado as hortaliças em pelo menos 50% da produção. “Os últimos 15 dias tem sido prejudiciais”, diz. Ele afirma que o preço do produto não pode ser aumentado porque se não as vendas não acontecem.

A agricultura Eliane Racoski, que cultiva quase três hectares de hortaliças em Secção Dourado, tem produção em estufas e a céu aberto e também teve perdas na produção. “Pelo menos 50% estragou por causa da chuva e do calor e se o clima continuar assim as perdas vão continuar acontecendo”, diz. Por enquanto, o preço praticado continua sendo o mesmo com o pé de radicci, rúcula e maço de tempero a R$ 2,00.

Desabastecimento

Em um supermercado da cidade, as hortaliças comercializadas são fornecidas por produtores de Erechim, Três Arroios e Gaurama. De acordo com o coordenador de hortifrúti do supermercado, Alcione Martim, nesta semana está havendo falta de produtos como alface, couve flor e brócolis. Em função disso, será preciso repor os alimentos na Ceasa de Curitiba. Por conta desta situação, será necessário reajustar os valores, em função do frete, pelo menos em 10%.

 

Fruticultura

Na fruticultura também há interferência do clima. Na produção de caqui, que ocupa seis hectares no município, de acordo com o agrônomo da Emater, a umidade ocasionou o aparecimento de doença, como a antracnose, de difícil tratamento, provocando a queda dos frutos. Praticamente toda produção foi perdida. No ano passado a safra também foi perdida, mas por causa da geada e da chuva em excesso. “Os produtores estão querendo arrancar tudo por causa da frustração das safras seguidas”, diz o agrônomo.

No caso da uva, o momento é de apreensão, mas a princípio a safra será farta. Já o pêssego está no final de safra, com bom resultado produtivo e econômico.

Em Barão de Cotegipe 20 produtores se dedicam ao cultivado de figo em 15 hectares. A fruta está na fase de frutificação. De acordo com o técnico em agropecuária da Emater de Barão de Cotegipe, Anderson Ogliari, a expectativa de produtividade é de cinco tonelada por hectare, uma tonelada a mais do que na safra passada, que teve problemas por chuva em excesso.

Neste momento, de acordo com Ogliari, os produtores estão enfrentando dificuldades para entrar nos pomares e fazer os tratamentos necessários devido as condições climáticas. “As chuvas estão atrasando este processo, mas como a previsão indica tempo seco no fim de semana, acredito que os agricultores terão condições de fazer as aplicações no sábado e no domingo”, diz.

A colheita do figo em Barão de Cotegipe deve iniciar no fim de janeiro. Conforme o técnico em agropecuária, ela vai atrasar um pouco porque a poda foi feita mais tarde neste ano devido ao frio intenso que ocorreu e também atrasou os trabalhos.

Além de adiar os tratamentos químicos, a umidade dos últimos dias, por enquanto, não tem prejudicado a produção do figo. Mas os dias nublados podem interferir no teor de doçura da fruta, já que a insolação é que interfere na doçura do figo.

Em São Valentim, o técnico em agropecuária da Emater, Ivonir Biesek, diz que tem 10 produtores envolvidos no cultivo de figo em dois hectares. Segundo ele, a expectativa é de produtividade de 10 toneladas por hectare e se o clima continuar como está poderá afetar no teor de doçura da fruta.

 

 

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