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Rural

Clima impacta positivamente na safra de grãos

Milho e soja apresentam bom desenvolvimento com expectativa de produtividades elevadas

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Colheita do milho inicia em fevereiro na região
Por Rosa Liberman - rosa@jornalbomdia.com.br
Foto Divulgação/Emater

Ao contrário de frutas e hortaliças em que o excesso de chuva está causando prejuízos, a produção de milho e soja na região do Alto Uruguai vem apresentando um bom desenvolvimento, com altas expectativas de produtividades. Por enquanto, a sanidade das plantas é boa e não há problemas de pragas ou doenças. Somado a isso, a estimativa de produção de grãos para 2016/17 no país é de 215,3 milhões de toneladas, com um aumento de 15,3% ou 28,6 milhões de toneladas frente à safra anterior (186,7 milhões t), segundo dados do quarto levantamento da safra divulgado nesta terça-feira (10) pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

Conforme o agrônomo da Emater Regional, Nilton Cipriano de Souza, a lavoura de milho está com 70% na fase de enchimento grãos, entrando na fase de maturação e 10% na fase de milho verde. A colheita na região começa em fevereiro.

“Acreditamos que com as chuvas, a safra esteja garantida, porque 98% do cereal cultivado é do cedo”, diz. A expectativa é de colher entre 6.700 a sete mil quilos por hectare – uma produtividade, segundo Cipriano, considerada excelente. “Alguma lavoura, situação isolada, pode ter problema de erosão em função do excesso de chuva, mas são casos isolados, porque de modo geral, o cenário é considerado benéfico para a safra do milho”, ressalta.

A tendência para esse ano é do preço do milho se estabilizar, ao contrário do ano passado em que o valor da saca deu um salto em virtude da falta do produto no mercado. O Rio Grande do Sul cultivou 805 mil hectares com o cereal e a região 50.700 hectares, ou seja, vai haver oferta de produto e com isso, de acordo com Cipriano, é dos preços se estabilizarem. Hoje a saca de 60 quilos está cotada em R$ 32 e o preço mínimo é de R$ 19, mas no ano passado chegou a ser cotada em R$ 44. No ano passado houve problema de falta de produto por causa da redução de área plantada e a demanda é maior do que a oferta do produto”, acrescenta.

 

Dias nublados favorecem aparecimento de doenças fúngicas na soja

A soja ocupa 232 mil hectares na região e está com 65% da área em desenvolvimento vegetativo. Em floração e produzindo grãos em torno de 35%. Por enquanto, o que preocupa, segundo o agrônomo, é a falta de dias com sol. A sequência de muitos dias nublados com umidade e calor favorece o aparecimento de doenças fúngicas, principalmente o oídio e a ferrugem asiática, que é a mais perigosa. A previsão é de colher 3.330 quilos por hectare.

O que começa a preocupar os agricultores não é o clima, mas o mercado. O agrônomo salienta que o preço da soja caiu R$ 0,50 a saca de 60 quilos em uma semana, passando a R$ 66,50. “Os produtores estão temerosos, porque a saca já chegou aos R$ 100 e agora está neste valor, mesmo assim cobre os custos de produção, e está bem acima do preço mínimo que é de R$ 38”, diz. A queda no preço se deve a entrada do produto no mercado.

 

Comportamento do clima

O meteorologista do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), Renato Lazinski, comenta que no momento o fenômeno La Niña está atuando, sendo de fraca intensidade e está gradativamente perdendo intensidade. “Assim, ainda vamos observar, ao longo do verão chuvas muito irregulares, ou seja, períodos em que chove muito intercalado por períodos com pouca ou nenhuma precipitação. Também pode correr algum veranico”, diz.

Este La Niña deve ainda influenciar o clima até o final do verão e, passando para uma fase neutra, já no outono.

Com relação as temperaturas, para o Sul do Brasil, o verão deve apresentar temperaturas extremas, muito altas intercaladas com quedas acentuadas de temperaturas. Não deve ocorrer meio termo.

 

 

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