Professores do Colégio Franciscano São José participaram de reunião pedagógica neste sábado (4). O tema do encontro foi "Neurociência e educação: interfaces possíveis”, assunto abordado pelo professor Arnaldo Nogaro, com o objetivo de apresentar os conhecimentos da área e como eles podem contribuir com o trabalho do professor.
A Neurociência é um campo de conhecimento em ascensão e apresenta descobertas significativas sobre a mente humana e o funcionamento do cérebro, que estão acessíveis aos professores. “Ao possuir estes saberes, o professor poderá organizar melhor sua proposta metodológica e também interagir com o estudante de uma forma mais segura e diferenciada para que ele aprenda com mais eficiência. Não se trata de metodologias ou técnicas, mas de conhecimentos que dão maior segurança ao professor na hora de tomar decisões no cotidiano da prática educativa", explica Nogaro.
Ele observa que a Neurociência defende que o ambiente é um elemento determinante para formação da mente e desenvolvimento do cérebro. “Na medida em que os professores tiverem esse conhecimento vão organizar, por exemplo, o início de uma aula melhor, buscar estratégias diversificadas, estimular os diferentes sentidos, já que o ser humano aprende pela sua percepção sensorial e temos estilos de crianças que são mais visuais, outras sinestésicas, que faz com que os professores passem a pensar, junto com suas didáticas, esse instrumento como um apoio para melhorar o processo de aprendizagem”, salienta.
Depois de contextualizar o assunto retomando alguns aspectos, Nogaro trabalhou a atenção e a aprendizagem. “A atenção é a porta de entrada para a memória, que sofre interferência das emoções. Por exemplo, uma criança estressada não aprende ou aprende menos, e do ponto de vista neurocientífico, que considera a bagagem genética, que carregamos desde o nosso nascimento, o ambiente é fundamental para o desenvolvimento e para a melhoria daquilo que trazemos conosco. Do ponto de vista da aprendizagem, o cérebro assume uma tarefa de cada vez. Sabemos que hoje as crianças nascem num outro contexto que as levam a ter vários focos com a própria tecnologia favorecendo isso, mas na aprendizagem é preciso construir um outro ambiente”, ressalta.
Memória, motivação, a importância das emoções na relação professor e aluno e aquisição de conhecimento também foram temas discorridos pelo professor. “Na medida em que a criança aprende a ler ou a escrever isso gera um prazer e, consequentemente, a produção de dopamina, que, do ponto neurocientífico, é uma recompensa por algo bom que aconteceu com o cérebro humano. Quanto mais ela aprende, mais prazer ela sente e isso cria um ciclo virtuoso, fazendo com que essa criança decole na aprendizagem. Se o professor pensar uma estratégia metodológica que vier a não funcionar terá de repensá-la para gerar a motivação necessária à criança”, pontua.