De acordo com o deputado Estadual Altemir Tortelli (PT), os municípios da região do Alto Uruguai correm risco de quebrar caso seja aprovada a reforma da Previdência. O alerta feito pelo deputado teve como base dados do Tribunal de Contas do Estado (TCE), da Federação das Associações dos Municípios do Rio Grande do Sul (Famurs) e do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), referentes a 2016, que apontam que a maioria das cidades recebe mais recursos dos benefícios previdenciários do que do Fundo de Participação dos Municípios (FPM). Em alguns casos, o volume de recursos da Previdência é superior em relação a toda a arrecadação municipal.
Recursos da Previdência superam Fundo dos Municípios
Conforme a análise do parlamentar, em 24 dos 32 municípios, os recursos da previdência superam o FPM. “Ou seja, os benefícios do INSS são maiores do que os repasses feitos pela União aos cofres municipais. Analisando toda a região, os repasses previdenciários nos 32 municípios totalizaram, no ano passado, quase R$ 915 milhões, valor muito acima da soma de todos os FPM’s, que está em torno de R$ 221 milhões. Os dados demonstram a importância da Previdência Social para o equilíbrio econômico e o desenvolvimento regional do Alto Uruguai”, declara o deputado.
“Os municípios da nossa região têm forte dependência dos recursos do INSS, destinados às pensões e às aposentadorias, que são fundamentais para manter aquecida a economia das cidades. Com o dinheiro das aposentadorias e pensões, os beneficiários pagam os setores de comércio e serviços, na compra de remédios em farmácias e alimentos em mercados, por exemplo”, explica o parlamentar. Tortelli argumenta que, com as dificuldades para se aposentar impostas pela reforma, esses recursos reduzirão drasticamente, gerando uma reação em cadeia de empobrecimento nos municípios.
Arrecadação é inferior aos repasses da Previdência
Outro aspecto destacado na análise de Tortelli é que a soma das arrecadações municipais também é inferior aos repasses da previdência social. Conforme dados do TCE, os 32 municípios tiveram juntos, em 2016, receita líquida de quase R$ 831 milhões, ou seja, R$ 84 milhões a menos do que o volume dos recursos previdenciários. “Sem esses recursos circulando no município, as prefeituras terão forte queda na arrecadação e ainda maiores dificuldades para gerir os serviços públicos”, argumenta o deputado, ressaltando que os prefeitos, vereadores, lideranças políticas, empresários e trabalhadores precisam participar e se posicionar no debate sobre a reforma da Previdência.
“Os números também demonstram o quanto a Previdência Social é importante para os municípios de médio e pequeno porte da região, que são essencialmente agrícolas e sofrerão ainda mais com o fim da aposentadoria rural, caso a PEC seja aprovada. Tirando os dois principais polos urbanos da região – Erechim e Getúlio Vargas –, os recursos previdenciários injetam na economia dos 30 municípios restantes cerca de R$ 411 milhões. É necessário compreender que a previdência consiste em uma ferramenta importante de distribuição e interiorização da renda”, lembra Tortelli.
Segundo o deputado, as grandes cidades, no entanto, também sofrerão fortes impactos sem esses recursos. Em Erechim, os benefícios previdenciários totalizaram no ano passado R$ 418,9 milhões, valor 13 vezes maior que o FPM do mesmo ano que foi de R$ 31,9 milhões. Os benefícios previdenciários também representam quase o dobro da receita líquida erechinese, que é de R$ 258.906.362,00.
Confira na tabela os dados dos municípios da região
|
MUNICÍPIOS |
VALOR DOS BENEFÍCIOS EMITIDOS EM 2016 (FONTE: INSS) |
FPM 2016 (FONTE: FAMURS) |
RECEITA LÍQUIDA 2016(FONTE: TCE) |
|
Aratiba |
R$ 33.887.131,26 |
R$ 5.987.976,72 |
R$ 45.624.431,85 |
|
Áurea |
R$ 17.385.011,27 |
R$ 5.987.976,72 |
R$ 13.702.202,92 |
|
Barão de Cotegipe |
R$ 24.576.879,35 |
R$ 5.987.976,72 |
R$ 20.238.044,54 |
|
Barra do Rio Azul |
R$ 6.252.665,57 |
R$ 5.987.976,72 |
R$ 13.693.193,50 |
|
Benjamin Constant do Sul |
R$ 5.403.631,58 |
R$ 5.987.976,72 |
R$ 13.247.290,27 |
|
Campinas do Sul |
R$ 35.286.447,86 |
R$ 5.987.976,72 |
R$ 20.865.570,99 |
|
Carlos Gomes |
R$ 784.085,00 |
R$ 5.987.976,72 |
R$ 11.890.650,25 |
|
Centenário |
R$ 11.381.696,98 |
R$ 5.987.976,72 |
R$ 14.157.257,55 |
|
Charrua |
R$ 5.793.712,65 |
R$ 5.987.976,72 |
R$ 13.404.407,72 |
|
Cruzaltense |
R$ 672.658,30 |
R$ 5.987.976,72 |
R$ 14.307.519,63 |
|
Entre Rios do Sul |
R$ 12.384.050,24 |
R$ 5.987.976,72 |
R$ 19.498.800,81 |
|
Erebango |
R$ 7.241.020,48 |
R$ 5.987.976,72 |
R$ 16.134.592,25 |
|
Erechim |
R$ 418.916.964,84 |
R$ 31.935.828,16 |
R$ 258.906.362,72 |
|
Erval Grande |
R$ 18.260.152,39 |
R$ 5.987.976,72 |
R$ 20.060.348,49 |
|
Estação |
R$ 12.802.040,98 |
R$ 5.987.976,72 |
R$ 24.528.336,37 |
|
Faxinalzinho |
R$ 6.472.030,37 |
R$ 5.987.976,72 |
R$ 13.731.112,71 |
|
Floriano Peixoto |
R$ 4.787.508,06 |
R$ 5.987.976,72 |
R$ 14.945.647,04 |
|
Gaurama |
R$ 26.582.272,64 |
R$ 5.987.976,72 |
R$ 20.223.091,91 |
|
Getúlio Vargas |
R$ 84.814.340,70 |
R$ 9.979.961,12 |
R$ 45.481.011,13 |
|
Ipiranga do Sul |
R$ 7.270.099,13 |
R$ 5.987.976,72 |
R$ 14.045.104,71 |
|
Itatiba do Sul |
R$ 15.453.566,35 |
R$ 5.987.976,72 |
R$ 19.126.824,13 |
|
Jacutinga |
R$ 18.974.322,03 |
R$ 5.987.976,72 |
R$ 17.191.881,76 |
|
Marcelino Ramos |
R$ 22.138.558,73 |
R$ 5.987.976,72 |
R$ 21.413.837,29 |
|
Mariano Moro |
R$ 8.707.965,07 |
R$ 5.987.976,72 |
R$ 13.742.329,45 |
|
Paulo Bento |
R$ 5.509.789,55 |
R$ 5.987.976,72 |
R$ 11.999.402,98 |
|
Ponte Preta |
R$ 3.107.351,68 |
R$ 5.987.976,72 |
R$ 12.022.936,83 |
|
Quatro Irmãos |
R$ 3.305.755,83 |
R$ 5.987.976,72 |
R$ 13.049.384,38 |
|
São Valentim |
R$ 19.186.408,39 |
R$ 5.987.976,72 |
R$ 14.294.848,86 |
|
Sertão |
R$ 22.525.220,87 |
R$ 5.987.976,72 |
R$ 21.504.914,47 |
|
Severiano de Almeida |
R$ 16.243.591,35 |
R$ 5.987.976,72 |
R$ 16.164.859,01 |
|
Três Arroios |
R$ 10.997.506,38 |
R$ 5.987.976,72 |
R$ 20.446.087,91 |
|
Viadutos |
R$ 27.765.917,27 |
R$ 5.987.976,72 |
R$ 21.008.904,19 |