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Rural

Soja começa a ser colhida no Alto Uruguai

Safra de 2017 deve injetar mais de R$ 1 bilhão na economia regional

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Soja colhida apresenta boa qualidade de grãos.jpg
Por Karine Heller e Antonio Grzybowski - jornalismo@jornalbomdia.com.br
Foto Antonio Grzybowski

A colheita da soja já iniciou em Erechim e região do Alto Uruguai e os produtores estão otimistas com o resultado da safra 2017. De acordo com informações repassadas pelo Escritório Regional da Emater, mais de 232 mil hectares foram cultivados na região e a estimativa é que serão colhidas mais de 14 milhões de sacas nos 32 municípios na área de abrangência da Associação de Municípios do Alto Uruguai. Nesta fase inicial da colheita a cotação da saca de 60 quilos oscila entre R$ 62 e R$ 65. Diante dos números do setor primário já é possível calcular que no total a soja deve injetar mais de R$ 1 bilhão na economia regional. A média inicial é de 60 sacas por hectare.

De acordo com o escritório Regional da Emater-RS/Ascar e Sindicato Rural de Erechim, apesar de ser considerada uma das melhores safras dos últimos anos, os especialistas são unânimes ao afirmar que o valor que será repassado ao produtor está bem abaixo do preço praticado em 2016, quando a saca chegou a ser comercializada a R$ 80 saco. A lucratividade deve ser entre 40% e 50%.

Segundo o presidente do Sindicato Rural de Erechim, João Picolli, a colheita é considerada excelente não somente no Brasil, como em países como Estados Unidos, Paraguai e Argentina. "Quem plantou a soja mais cedo já está colhendo e o mercado internacional é um dos moderadores para que o preço que está sendo pago ao produtor esteja mais baixo que no ano passado", explicou.

A Emater projeta que até ontem (20) havia sido acolhido aproximadamente 10% de toda a área cultivada. As cultivares foram plantadas no fim de outubro e o ciclo precoce encerrou entre 125 e 130 dias. O gerente adjunto da Emater, Marcos Gobbo, acredita que na próxima semana os produtores deverão intensificar a colheita e estima que toda a safra estará colhida até o dia 15 de abril.

Para o produtor rural, Solani Cezar Rigo, que iniciou a colheita no fim de semana, a safra deste ano está sendo considerada muito boa. Com uma média de 70 sacos por hectare, Rigo destaca a boa produtividade, mas alerta para a baixa lucratividade. O produtor cultivou 660 hectares de soja e está colhendo 70 sacos, em média, por hectare. Rigo alerta que haverá baixa lucratividade com a média de preço praticado em 2017.

Na manhã de ontem (20) o produtor Aldecir Froza estava colhendo a soja cultivada numa área de 160 hectares no KM 10, Povoado Argenta, interior de Erechim. Operando a própria máquina e contando com caminhão de sua propriedade, Froza tem a vantagem de reduzir custos de produção e transporte, mas mesmo assim lamenta a colheita de grãos abaixo da expectativa. Até o momento a média estava em 65 sacos por hectare e o produtor atribuí a quebra de safra aos problemas climáticos enfrentados no período de floração. Segundo o produtor a lavoura enfrentou 20 dias de estiagem, fator que implicou na rentabilidade dos grãos na fase da colheita.

Contratos futuros

Os produtores que optaram em comercializar a soja de forma antecipada, ganharam dinheiro. O valores pagos em 2016 em contratos futuros giraram entre R$ 80 e R$ 90 a saca de 60 quilos. Segundo Marcos Gobbo, poucos agricultores apostaram nesta modalidade de negócio, pois havia a expectativa do fenômeno La Nina e muitos temiam pela quebra da safra. A seca não se confirmou e quem decidiu arriscar está ganhando mais pela atual produção.

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