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Rural

Milho e os desafios da armazenagem

Com 47 mil hectares cultivados no Alto Uruguai, safra recorde encontra dificuldades de espaço

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Josemar Testolin dispõe de um silo na propriedade desde 2007 e afirma que muitas são as vantagens
Por Leandro Zanotto - Izabel Seehaber
Foto Izabel Seehaber

Com colheitas recordes nas diferentes culturas, os produtores do Alto Uruguai começaram a ter problemas de armazenagem. De acordo com a Emater, com o trigo de inverno ainda estocado e a boa colheita da soja no verão, muitos agricultores estão sem espaço para guardar o milho colhido.

O gerente regional da Emater, Gilberto Tonello, cita que foram cultivados em torno de 47 mil hectares de milho na região, sendo que a produtividade chegou a nove mil quilos/ hectare.

Conforme o assistente técnico regional em produção da entidade, Nilton Cipriano Dutra de Souza, o problema da armazenagem é nacional, mas na nossa região os produtores têm optado por segurar mais tempo o grão que registrou uma queda média de 50% no valor. "No ano passado tivemos um valor muito bom, em torno de R$ 40/ saca, já neste ano ela tem ficado nos R$ 21, quando o necessário para venda seria no mínimo R$ 30", explica.
De acordo com o assistente técnico regional, sem ter como armazenar, muitos produtores correm o risco de vender o milho abaixo do custo para não perder a soja. "Este tem sido um problema crônico na nossa região e que vem se agravando nos últimos anos", ressalta.
CESA
Para o presidente da Companhia Estadual Silos e Armazéns (Cesa), Carlos Kerche, que atualmente tem o maior silo de armazenagem de grãos da região, com capacidade de 15 mil toneladas, a solução para o problema precisa ser analisada com calma. "Hoje estamos com a capacidade do silo de Erechim, praticamente em 99%, metade com trigo e a outra metade com milho. Não temos como receber a soja, por isso, nos próximos dias estaremos nos encontrando com representantes da Associação Brasileira de Armazenagens para criar ideias de estocagem desta super safra agropecuária", pontua.
Conforme Kerche, a situação de Erechim se repete nas outras unidades da empresa no Estado. "No caso do arroz a colheita está pela metade, no Sul do Estado, assim como, a produção do milho na região Norte. Infelizmente o Estado não tem como armazenar e as exportações caíram cerca de 30%, por isso o momento agora é de análise e busca de soluções", finaliza.
Alternativa no campo
Para o agricultor Edson Dariva, a solução para alguns produtores está em aproveitar o milho na propriedade rural. "Tudo que está sendo colhido, aproveitamos para alimentar as vacas, incentivando assim a produção do leite", destaca o agricultor.
O produtor Josemar Testolin dispõe de um silo de armazenagem desde 2007 e diante disso, não encontra dificuldades. Ao mesmo tempo, utiliza praticamente toda a produção de milho na propriedade. A soja é comercializada. "Acredito que é de grande valia o investimento em silos de armazenagem", reforça.
Segundo o engenheiro agrônomo da Emater, Murilo Correa Marcon, a estratégia é importante e possibilita a otimização do tempo, espaço, baixa de custos e assegura a qualidade do grão. "A lavoura é próxima de casa, o que também facilita o transporte até o armazém", completa. Ao todo três células armazenam em torno de duas mil sacas de grãos.
Valorização dos silos
Élio Moretto, atua há 28 anos com três células de armazenagem de grãos em Centenário. De acordo com o empresário, em termos de produtividade, este ano está sendo mais interessante. Já o preço está trazendo preocupação. Quando o assunto é armazenagem, ele comenta que foi preciso firmar parcerias com outras empresas para não deixar de receber o milho. "A estocagem preencheu rapidamente os espaços", destaca.
A expectativa para os próximos anos é que sejam oferecidas mais opções de financiamento que favoreçam a ampliação dos silos, considerando que os investimentos são altos.  

 

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