A safra de laranjas e bergamotas já está em andamento na região do Alto Uruguai. Contudo, neste ano os produtores precisam lidar com uma realidade desafiadora. O motivo são os prejuízos registrados após o excesso de chuva o qual fez com que houvesse a queda de frutos, principalmente nas variedades precoces. Além disso, a casca pode rachar em função do excesso. Um exemplo é o produtor de Marcelino Ramos, Cleovane Mazutti, que está preocupado pois terá a safra reduzida em razão das alterações climáticas. (Foto)
Conforme o engenheiro agrônomo e Assistente Técnico Regional da Emater, Nilton Cipriano Dutra de Souza, nesse contexto a qualidade do fruto (tanto a laranja como a bergamota) que ficou na árvore, é atingida, inclusive o sabor sofre alteração. “As laranjas de umbigo são mais sensíveis e as do tipo Valência iniciam a produção mais tarde.
Nilton reforça que diante desta situação de prejuízos e outros riscos, a orientação é que a colheita seja feita logo e a comercialização seja imediata para evitar mais problemas. “O excesso de umidade pode causar também doenças fúngicas, por isso é fundamental realizar o tratamento. Temos um calendário e precisamos atacar principalmente a podridão floral, a pinta preta e o cancro cítrico (pode atacar no momento da frutificação) para proteger a planta”, explica.
Na região a área de laranja abrange 2.950 hectares – 80% de Valência e o restante em outras variedades, tais como de umbigo e do céu. Entre os municípios em que a citricultura ganha destaque estão: Itatiba do Sul, Aratiba, Mariano Moro, Barra do Rio Azul, Severiano de Almeida, Três Arroios e Erval Grande. A produção média é de 30 toneladas por hectare. Já no que se refere à bergamota, são 480 hectares na região - 15 tonelas/hectare.
Preocupação
O engenheiro agrônomo comenta que outra questão que está deixando os produtores de laranja da região aflitos, são as regras a partir de uma nova normativa de comercialização da laranja para outros Estados. “A lei vai exigir um acompanhamento técnico mais intenso, além de mais investimento nas estruturas das propriedades para a higienização após a colheita. É uma medida sanitária interessante, porém, vai exigir mais recursos. O prazo para as adequações encerra em setembro”, explica.
Nilton pontua ainda, que a maioria das pessoas que investem na citricultura na região, são pequenos produtores. Destes, em torno de 30% tem a atividade como principal fonte de renda.