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Rural

Cadeia leiteira: excesso de chuva impacta a alimentação animal

Emater informa que região registrou de 10 a 20% de queda na produtividade e por isso a reserva de alimentos é fundamental

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Por Izabel Seehaber jornalismo@jornalbomdia.com.br
Foto Izabel Seehaber

Outono é considerado naturalmente um período um tanto difícil nas atividades relacionadas à produção de leite. Contudo, com o excesso de chuva as dificuldades são potencializadas. Entre os motivos está a diminuição do tempo de pastagens, os desafios no manejo, além do excesso de barro que se forma no entorno das propriedades.

Diante disso, o Assistente Técnico Regional da Emater de Erechim, Vilmar Fruscalso, explica que muitos produtores da região registraram prejuízos e redução na produtividade. "O outono do ano passado foi mais tranquilo. Neste ano ocorreu em torno de 10% a 20% de queda na produção. Além do fator relacionado ao alto índice pluviométrico que aliado ao frio, faz com que os animais acabem comendo menos e por consequência se desenvolvem menos", explica.
Segundo Fruscalso, uma alternativa que pode amenizar os problemas e auxiliar os produtores nesses períodos é a técnica do confinamento dos animais. "É algo novo na região, sendo que o pastejo predomina nas propriedades. No entanto, como muitas pastagens foram atingidas por excesso de água, aumentou o consumo de silagem, o que também gera mais investimentos, pois o custo é mais alto", pontua.
No Alto Uruguai são produzidos em média, 300 milhões de litros de leite por ano. A atividade abrange principalmente os pequenos agricultores.
O ATR explica que no período do inverno a principal preocupação é com o excesso de chuva. Por isso, a orientação é o planejamento nas propriedades com o foco em uma alimentação equilibrada: 50% com volumosa (pastagem) e 50% de silagem, por exemplo. A falta de alimento ou a alimentação fraca podem causar sérios problemas nos animais. "Entre eles está o Lina (Leite Instável Não Ácido), o qual mesmo que esteja apto para o consumo, apresenta uma preciptação que gera a reprovação no teste do álcool feito pelo transportador do leite", comenta.
Vale destacar é que é preciso haver um equilíbrio na alimentação, a qual envolve pastagem de qualidade e silagem. Sendo assim, o planejamento forrageiro é fundamental e deve ser pensado de um ano para o outro. O ideal ainda é ter alimento guardado nas propriedades, preferencialmente o feno.


Reserva de alimentos faz a diferença
Produtor de leite há mais de 17 anos, Rodrigo Angonese reside em uma propriedade localizada na Linha Dourado, em Erechim. A família também atua nas atividades de lavoura, reflorestamento e apicultura.
Mesmo diante dos desafios do cotidiano, ele afirma que é possível ter bons resultados na área de bovinocultura de leite. Com 15 vacas holandesas, são produzidos em média 450 litros de leite ao dia.  
Porém, há poucos dias, durante o período de excesso de chuva, o produtor registrou muitas perdas. O principal motivo é que a pastagem já estava implantada na lavoura. Uma parte estava pronta e outra em fase de crescimento. "Por isso, a área em que as vacas não puderam se alimentar, acabou apodrecendo. O espaço recém plantado não se desenvolveu por ausência do sol", comentou.
Mas Rodrigo é precavido e como sempre faz uma reserva de alimentação para os animais. O que faltou foram as pastagens. "Naqueles 15 dias acumulamos uma perda de cerca de 50 litros ao dia. Depois conseguimos recuperar a produção. Agora com a previsão de mais frio, as pastagens voltam a encontrar dificuldades para se desenvolver", explica.
Nesse contexto, a alimentação deve estar sempre organizada. "Sempre exageramos no plantio de aveia e azevém, o que sobra fica para cobertura do solo. Há também milho e silagem armazenados na propriedade, o que fornece mais segurança", destaca, citando que esses cuidados com os alimentos são fundamentais. Já o frio, segundo Rodrigo, não provoca muita interferência no bem-estar e na produtividade.

 

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