Nos últimos dias o tempo firme e com trégua na chuva, possibilitou que muitos produtores da região retomassem as atividades e iniciassem oficialmente o plantio do trigo.
Conforme a Emater, em torno de 60% das áreas já foram plantadas e mesmo com algumas desistências, os números não impactaram até o momento as expectativas e a previsão de plantio. A extensão de trigo na região do Alto Uruguai é de 31.765 hectares. Já de cevada são 6.270 hectares e aveia 9.650 hectares.
Conforme o engenheiro agrônomo e Assistente Técnico Regional da Emater, Nilton Cipriano Dutra de Souza, algumas práticas são fundamentais tanto antes, quanto durante e depois do plantio do trigo. Entre os cuidados está a conservação e recuperação do solo e fertilização para que a produção resulte em um bom êxito. “Depois que a cultura se estabelece, é fundamental a adubação hidrogenada e o monitoramento das pragas e doenças, entre elas, as mais agressivas que são o fungo do trigo e a giberela”, explica.
Segundo Nilton, em torno de 80% dos produtores seguem as orientações e intensificam os cuidados com a planta, considerando os investimentos feitos no solo.
Para o engenheiro agrônomo, o principal desafio é ter uma qualidade do plantio, levando em conta que é uma importante alternativa de rotação de cultura. “Nesse contexto, sabemos também que o retorno financeiro aos produtores não é muito significativo, porém, é válido se desafiar, pois é uma cultura nobre na questão social - a partir do trigo é produzida a farinha e posteriormente o pão - diante da relevância, considero a melhor opção de plantio de inverno”, destaca, citando ainda, que uma dificuldade é que nesta cadeia, o produtor acaba ficando com o menor percentual.
O produtor Roberto Basegio, afirma que sempre costumava plantar em torno de 300 hectares em Erechim e neste ano reduziu em torno de 30% da área e irá cultivar em torno de 200 hectares. O motivo é basicamente o preço e a falta de incentivo, considerando que a safra do ano passado ainda está armazenado. “O custo é alto, pois há colaboradores, tratamentos, óleo diesel, e diante disso aguardamos o melhor momento para comercializar, pois o preço atual ainda está muito baixo”, comenta.
O investimento inicial para o plantio do trigo é de R$ 300 mil. Mesmo com tantos desafios, Basegio salienta que é uma rotação interessante que já se tornou uma tradição na propriedade. “Trabalho com agricultura há 30 anos e neste período não teve um ano sequer que fiquei sem plantar trigo. Cheguei a reduzir, a aumentar, mas mantenho o cultivo. A cultura também auxilia na correção do solo e na formação de matéria orgânica”, declara.