O setor de agroindústrias vem conquistando cada vez mais espaço nas propriedades do campo. Vista como uma forma de agregar renda e valorizar a cultura, os produtores estão cada vez mais motivados a mobilizar os familiares nesta área.
De acordo com o engenheiro agrônomo e Assistente Técnico Regional da Emater, Carlos Angonese, é fundamental que o pequeno produtor produza matéria-prima, agregue valor e após industrialize os produtos. "Ao passo que muitos filhos de produtores estão deixando a propriedade, entram alternativas para melhorar o trabalho na propriedade e com isso, vários jovenssentiram-se motivados e voltaram. Uma nova proposta de desenvolvimento", explicou.
Angonese cita que na região é tradicional a produção de embutidos, leite, farinha de trigo e a transformação da cana de açúcar. Este último compreende 10% do trabalho das agroindústrias.
A venda acontece na maioria das vezes nas propriedades. Nesse sentido, há processos específicos de fiscalização, normas e critérios que levam em conta questões de saúde pública.
A Emater é responsável por operacionalizar o programa estadual da agroindústria familiar. "Consideramos uma ferramenta de desenvolvimento e por isso, há cursos de boas práticas, gestão, suporte", pontua.
As agroindústrias exigem mão de obra e todas têm limitantes, com isso a rentabilidade costuma ser maior em algumas épocas do ano, principalmente quando envolvem produtos como o leite e queijo.
Nos municípios pequenos a comercialização costuma ser mais restrita, pois a população que reside na área urbana e é normalmente a principal consumidora, tem relação próxima também com o meio rural, o que diminui as vendas propriamente ditas.
Angonese explica ainda, que alguns sistemas de inspeção não estão sendo implementados na região e por isso a comercialização pode ficar mais restrita e impossibilita vender além das divisas de municípios.
Agroindústria revoluciona propriedade
No município de Aratiba, a família Delavecchia atua a mais de 16 anos no setor de embutidos.
O produtor Olir, relata que ele e a família trabalhavam de empregados até que resolveram por em prática uma receita de embutidos. Diante da qualidade dos produtos e da boa aceitação entre os vizinhos da propriedade, aos poucos surgiu o interesse em comprar animais e produzir mais embutidos. O negócio foi crescendo e em 2001 iniciavam os trabalhos da agroindústria.
Durante seis meses foi tudo improvisado com interesse familiar e início das encomendas de outros moradores da cidade. "Os filhos se interessaram em investir, mas os primeiros anos foram difíceis, construímos o prédio, buscamos recursos, empréstimos e continuávamos de empregados. A família se mobilizou para construir", comentou.
Depois de o prédio pronto, era preciso conquistar a liberação do Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agroindustrial (Susaf) para expandir as vendas.
No município a conquista chegou em quatro de outubro de 2015. Já na propriedade, em razão da necessidade de readequação de documentos, o marco referente ao Susaf foi o dia 5 de janeiro de 2016. A partir daquele momento a renda na propriedade aumentou em 140%. A família participou de capacitações para aprimorar o trabalho.
Atualmente são sete colaboradores atuando na agroindústria além de quatro membros da família.
Em média são abatidos de 25 a 28 suínos por semana, gerando em torno de 1 mil quilos de produtos que incluem banha, torresmo, salsichão, salame, copa, entre outros.
O produtor afirma que a procura é cada vez maior. Por isso, já sentem a necessidade de ampliar os investimentos, entre eles, a contratação de um vendedor. "Pretendemos efetivá-lo em um ano e também comprar mais equipamentos visando ampliar as vendas"
Hoje os produtos são comercializados na região do Alto Uruguai, abrangendo em torno de 26 municípios e foi criado uma espécie de guia para padronizar as receitas e o modo de trabalho. "A agroindústria proporcionou um novo modo de vida. Investimos durante muitos anos e embora todas as dificuldades, faríamostudo de novo", salientaram.