Pesquisas apontam para um processo de erosão do conhecimento em relação às plantas medicinais ou bioativas. A afirmação foi feita pela professora da URI e doutora em ciências, Sônia Balvedi Zakrzevski.
Levando em conta que no passado as plantas eram utilizadas para a cura de diversas doenças, com o passar do tempo e os avanços na área de medicina, elas teriam ficado um pouco de lado. Contudo, o que nem todos sabem, é que hoje em dia há uma política nacional (2006) e também estadual de plantas medicinais.
A região de Erechim tem potencial para explorar os conhecimentos na área. Inclusive, há produtores da agricultura familiar que produzem para a comercialização na feira, mercados e outros estabelecimentos. "O trabalho mobiliza os integrantes das famílias que agregam renda através de uma atividade diferenciada.A tradição pode passar de geração em geração", relata a extensionista da Emater, Nádia Farina Fiabane da Rosa.
O município de Quatro Irmãos possui hortos utilizados também para difundir o conhecimento na área das plantas.
O que são as plantas bioativas?
Plantas bioativas são aquelas que possuem alguma ação sobre outros seres vivos. O efeito pode se manifestar tanto pela presença da planta em um ambiente, como também pelo uso direto de algumas substâncias que foram delas extraídas. Podem ser utilizadas como alternativa de medicamento e no controle de pragas.
Os principais exemplos em nossa região são as plantas medicinais, aromáticas, condimentares, plantas com efeito inseticida, as repelentes, tóxicas, entre outras. "Elas sempre despertaram interesse por parte da sociedade. No passado eram as únicas alternativas utilizadas no tratamento de diversas doenças", pontua a professora acrescentando que uma planta medicinal tem a capacidade de amenizar ou curar enfermidades. "Para usar essa planta é preciso conhecer a planta e saber como colher e utilizar, considerando que há particularidades de uma para outra, como é o caso da babosa, confrêi utilizadas na área externa do corpo", explica.
Quando a planta é extraída para a produção de um medicamento, se torna fitoterápico. Essa categoria representa um tipo de tratamento mais acessível a cerca de 80% da população mundial.
Ao mesmo tempo o país é rico em diversidade genética. Conforme a doutora, a estimativa é que tenham em torno de 55 mil espécies catalogadas. Contudo, não estão ocorrendo muitos investimentos inclusive por parte das indústrias. "As plantas podem ser muito melhor aproveitadas, sendo que a maior parte é exótica. Como exemplo está a calêndula, o alecrim, a tansagem, camomila que são originárias de outras regiões do mundo", cita.
Curiosidades
Desde 1978 a Organização Mundial da Saúde reconheceu a importância do uso de fitoterápicos. Em 1991 o Ministério da Saúde lançou uma portaria que definiu os estudos sobre plantas medicinais como uma das prioridades de investigação clínica.
Em 1992 foi lançado o programa nacional de pesquisas em plantas medicinais.
No ano de 2009 a Anvisa regulamentou os fitoterápicos como medicamento convencional.
Promover o conhecimento
Com o objetivo de promover a discussão sobre a utilização das plantas bioativas, Erechim sedia entre os dias 26, 27 e 28 de setembro, na URI, a reunião técnica estadual sobre as plantas que acontece anualmente no Estado.
A programação vai contemplar principalmente as discussões sobre as plantas medicinais e a ocasião estará dividida em três momentos: "As plantas e a relação delas com o processo de conservação biológica e cultural"; "Plantas medicinais na atenção básica" e "Plantas medicinais e suas cadeias produtivas".
O evento é organizado pelaEmater, URI e Secretaria de Desenvolvimento Rural, Pesca e Cooperativismo, em parceria com outras entidades e instituições.
Durante o evento vai acontecer a primeira feira da agrobiodiversidade que irá tratar a questão da cultura alimentar local. A programação é aberta a toda comunidade.
Em paralelo a URI realiza desde março, um curso de educadores sobre plantas medicinais, com o propósito de fazer um diálogo entre os saberes da ciência e os conhecimentos populares.
Investimentos nas plantas
O produtor Rodrigo Strapazzon e sua esposa Eliane ficaram motivados a investir na área das plantas considerando que se deslocam diariamente a Erechim para comercializar produtos da linha de hortifrutigranjeiros, especialmente hidropônicos. "É uma atividade extra para completar a renda. Pesquisamos na internet sobre mudas, ervas, temperos everifiquei no mercado se havia aceitação. Um supermercado da cidade oportunizou que fossem vendidas. A partir disso começamos os contatos com uma empresa da região de Porto Alegre a qual é fornecedora das mudas", explicou Rodrigo.
Há um ano os trabalhos iniciaram com o alecrim, hortelã, manjericão, e hoje são 14 tipos de plantas que são comercializadas em média a R$ 2,50/ muda.O investimento inicial para a implantação do sistema foi de cerca de R$ 3 mil.
O casal afirma que ainda há muitos investimentos a serem feitos. Do mesmo modo, o trabalho exige muitos cuidados, desde a colocação de substrato, adubação, controle de pragas. "Pensamos em organizar uma bancada para facilitar o manuseio e já está projetada a ampliação de espaço", adiantam.
Além da entrega em mudas, os produtores também oferecem a opção de temperos embalados in natura, de 20 gramas, pronto para uso. "Tem um retorno interessante mas um fator que desafia é a dificuldade de mão de obra", cita.
Atualmente o negócio é totalmente familiar. É um exemplo de sucessão familiar ande o pai se tornou uma espécie de colaborador na propriedade."Há segurança nas práticas e trabalhamos de forma unida", salienta.