Uma decisão tomada pelos agricultores para a safra de verão deverá impactar no bolso dos consumidores mais adiante. Trata-se da redução da área cultivada com o milho em torno de 30% nesta safra por causa do baixo preço que o grão está cotado e a vantagem que a soja tem sobre o cereal. Com isso, haverá menos oferta de produto, logo a tendência é de encarecimento do milho que será importado de outros estados, o que irá impactar no custo final de produtos como o leite e derivados de suíno.
No Alto Uruguai, a área vai passar de 56 mil hectares para 35 mil ha em 2017/18. A semeadura iniciou em setembro e atinge 20% da área que irá ocupar na região. De acordo com o agrônomo da Emater Regional, Nilton Cipriano de Souza, além do preço de mercado que está mais baixo, a soja tem maior liquidez, por isso a diminuição na área cultivada com milho. “A consequência imediata será para quem depende do milho para ração na transformação de carnes ou leite e que não produz na propriedade, terá de comprar o grão pagando mais caro, pois em todo o Estado haverá uma diminuição no cultivo”, diz.
Segundo Cipriano, a importação do milho será da região central do país, onde o custo de produção é menor. Entretanto, o milho é produzido, conforme o agrônomo, a R$ 18 a saca de 60 quilos e deverá chegar ao Rio Grande do Sul a R$ 32, principalmente por causa do frete.
Como consequência, o preço final de produtos derivados da carne suína e do leite deverão ficar mais elevados, a exemplo do que ocorreu em há dois anos, quando o Brasil ficou sem estoques de milho.
De acordo com o diretor da Abramilho (Associação Brasileira dos Produtores de Milho) no Estado, Paulo Pires, pelo levantamento realizado junto às cooperativas, a área cultivada no Rio Grande do Sul com o cereal deverá se configurar com a diminuição na ordem de 30% comparado com a área cultivada na safra passada, passando de 827.651 hectares para 731.216 ha. “Infelizmente, devido à conjuntura de preços, vamos ter mais uma redução de área. Está relacionado com o preço do produto, com essa grande oferta de milho do Brasil central, principalmente do Centro Oeste e preços baixos. Nessa balança de preços baixos, o produtor prefere plantar a soja do que o milho. E lamentamos, porque o milho é um produto estratégico para a indústria para a produção de carnes, leite, ovos, e ele é estratégico também na questão do plantio direto, como fornecedor de palha para o solo. Quem tem pivô e irrigação, incentivamos de forma direta e achamos que os produtores deveriam manter a área de milho. Se essa redução de área se concretizar, será lamentável, pois teremos menos de 10% da área de verão com milho no Rio Grande do Sul, um percentual muito baixo, enquanto o recomendado seria de 20% a 25%”, diz.
Pires enfatiza que a curto prazo não deverá haver um desabastecimento de milho, por causa de outras regiões do país que cultivam o cereal, mas não concorda com essa gangorra de área ofertada com milho. “O sistema deveria sinalizar preços futuros equilibrados. Temos trabalhado isso nas cooperativas, para que elas sinalizem ao produtor, compras escalonadas e que façam um escalonamento e privilegiando o milho gaúcho”, conclui.