A fruticultura é uma alternativa rentável no Alto Uruguai em função das áreas pequenas e acidentadas. Mas algumas frutas com potencial de consumo regional não são incentivadas pelo fato de necessitarem, em média, acima de 600 horas de temperaturas abaixo de 7,2ºC – condição favorável para ocorrer à floração e o desenvolvimento dos frutos. Entre elas estão a ameixa, pêra e a maçã.
Para driblar essa condição, já que a região tem um clima que registra menos horas de frio, o surgimento de algumas variedades começou a dar essa alternativa aos agricultores, que passaram a ter mais uma opção de produção.
Após pesquisas, começam a surgir cultivares destas frutas que poderão se adaptar futuramente no Alto Uruguai, pelo fato de necessitarem de menos horas de frio - algo em torno de 200 a 550 horas abaixo de 7,2ºC. A expectativa é de que desta forma, os agricultores que já cultivavam a maçã, por exemplo, passem a ter uma tradição no fruto, que agora começa a ter maior produtividade e qualidade.
Na cultura da maçã tem sido feito um trabalho de manter as áreas existentes e torná-las produtivas. Em nível de região, o assistente técnico regional da Emater, Luiz Angelo Poletto tem coordenado este trabalho juntamente com o técnico agrícola Jair Antônio Griebler, de Três Arroios.
Segundo Poletto, no Rio Grande do Sul são cultivados 19.927 hectares com a fruta. As maiores cidades produtoras são Vacaria com 6.884 hectares e Caxias do Sul com 2.825 ha.
No Alto Uruguai, a área total comercial é de 7,5 hectares, divididos em oito produtores distribuídos nos municípios de maior produção: Gaurama com 1,8 ha e Barão de Cotegipe com 2,2 ha. Entre eles, Dilceu Stolaski cultiva 1,4 hectares em Gaurama e o produtor Igor Concato, de Barão de Cotegipe, destina 0,6 hectares para maçã e espera uma produção entre 12 toneladas a 15 toneladas.
O produtor Evando Cantelle produz 0,8 hectares em Barão de Cotegipe e a expectativa é de obter mais de 23 toneladas nesta safra. Ele destina 12 hectares ao cultivo de diferentes frutas, entre elas, laranja, pêssego, ameixa, caqui, bergamota e, há 10 anos, inseriu também a maçã. “Foi uma aposta de um agrônomo de que a fruta poderia ser produzida aqui na região e resolvemos cultivar para termos mais uma alternativa de renda e, no fim, deu certo. Estamos muito contentes com a produção de maçã Eva”, diz. A venda vai acontecer de forma direta ao produtor, na feira, a partir da próxima semana, já que a colheita iniciou nesta sexta-feira. A princípio ele não pretende ampliar a área cultivada.
Segundo Poletto, a cultivar que foi plantada em pomares com cerca de sete anos é a Eva, que necessita em média de 200 horas de frio abaixo da temperatura ideal. “Há necessidade também que cultivares polinizadoras sejam plantadas em tono da proporção: uma para cinco (polinizadores-cultivares Princesa, Julieta, Anabela mais utilizadas).
“A cultivar Eva é produtiva, precoce, produz nos meses de novembro e dezembro. Tem uma boa produtividade e a qualidade dos frutos também é significativa. Nessa safra a produtividade está sendo em torno de 30 toneladas por hectare, considerada boa. Poletto diz que isso se deve ao manejo adotado pelos produtores.
“Com o trabalho realizado pela Emater, com melhorias de poda, tratamento e adubação, nota-se que a maçã pode ser uma fruta que proporciona uma ótima renda para os agricultores abastecerem o mercado regional, já que a região importa a fruta para o consumo”, destaca.
Segundo Poletto, os resultados apresentados este ano mostram pela qualidade das frutas e pelo aumento de produtividade da área existente e ainda, pelos preços praticados que variam de R$ 2 a R$ 4 o quilo, que a maçã cultivar Eva no Alto Uruguai pode ser incentivada para abastecer principalmente o mercado regional. Este ano, pela boa produção, espera-se produzir mais de 200 mil quilos.
O agrônomo da Emater salienta que a intenção é manter a área semelhante para a próxima safra. Segundo ele, os produtores que já estão na atividade tendem a ampliar a área. Os novos pomares implantados levam cerca de três a quatro anos para se tornarem produtivos. A recomendação ao iniciar na cultura da maçã, é que os produtores busquem mudas de qualidade, vindas de viveiros certificados.