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Região

BR-153: asfalto da Transbrasiliana a passos lentos

Uma das maiores rodovias que corta o País de Norte à Sul contabiliza 68,4 quilômetros sem pavimentação

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Por Karine Heller - jornalismo@jornalbomdia.com.br
Foto Arquivo BD

Uma espera que já ultrapassa quatro décadas. O trecho de pouco mais de 68 quilômetros da BR-153 - Transbrasilianaentre Passo Fundo e Erechim, dos quilômetros 54 ao 122, é o único dessa rodovia sem asfalto. A pavimentação, anunciada inúmeras vezes, poderia criardar mais condições de trafegabilidade em um importante corredor para escoamento da safra,ligando municípioscom outras regiões do Rio Grande do Sul.

O asfaltamento também poderia acarretar na diminuição do fluxo de veículos na ERS-135, entre Erechim e Passo Fundo, rodovia estadual paralela ao trecho federal de chão batido. Além disso, a via trariamais desenvolvimento para a região Norte do Estado e reforçaria o eixo Passo Fundo-Erechim como polo rodoviário gaúcho trazendo benefícios para todas comunidades no seu entorno.

ATransbrasiliana é quarta maior rodovia do Brasil, ligando a cidade de Marabá (PA) ao município de Aceguá (RS), totalizando mais de 4,3 mil quilômetros de extensão. Ao longo de todo o seu percurso, a BR-153 passa pelos estados do Pará, Tocantins, Goiás, Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

Comitê BR-153

O Comitê BR-153 tem atuando incansavelmente na busca por uma solução para o trecho da rodovia que ainda não está asfaltado. Ainda, os representantes também lutam pela duplicação da BR-285. Integram o comitêa Universidade Regional Integrada - URI Erechim, Universidade de Passo Fundo (UPF), Conselhos Regionais de Desenvolvimento (Coredes) Norte e Planalto, Associação dos Municípios do Alto Uruguai (Amau) e Associação dos Municípios do Planalto (Ampla). Integram o grupo também, lideranças empresariais e políticas que buscam uma solução para a pavimentação dos 68,4 quilômetros da BR-153.

Audiências em Brasília

Para o prefeito de Ipiranga do Sul e membro da comissão executiva do Comitê Pró-BR-153 e representante dos prefeitos da Amau e Ampla, Mário Luiz Ceron(PTB), é de suma importância destacar as quatro audiências realizadas em 21 e 22 de agosto de 2017 com oDepartamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), Casa Civil, Exército Brasileiro e bancada gaúcha em Brasília.

“Essas quatro audiências foram fundamentais e os resultados obtidos precisam ser compartilhados com a comunidade para que possamos cobrar os compromissos assumidos. Nestes quatro encontros tivemos a garantia do Dnit e da Casa Civil na liberação de recursos de até R$ 5 milhões até o final de 2017 para a execução do projeto orçamentário para a pavimentação da Transbrasiliana”, disse Mário Ceron.

“Do Exército Brasileiro também tivemos a garantia da execução da obra. Inclusive o Exército já esteve no local, após as audiências de agosto, para verificar as condições da rodovia. Porém, vale destacar que a garantia para 2017 é da liberação de até R$ 5 milhões pelo Dnit. Após esse passo, ainda há a licitação para a contratação da empresa que irá elaborar o projeto orçamentário, para sabermos o quê e quanto de recursos são necessários para a pavimentação para, após, termos a liberação dos recursos via União para efetivamente podermos ver a Transbrasiliana saindo do papel”, esclareceu o prefeito de Ipiranga do Sul.

Ceron também afirmou que, em reunião com a bancada gaúcha, deputados federais e senadores do Rio Grande do Sul se comprometeram na liberação de emendas parlamentares para auxiliar no levantamento dos recursos que serão necessários para pavimentar o trecho de 68,4 quilômetros da rodovia.

Viabilidade técnica e ambiental

Mário Luiz Ceron também destaca uma conquista alcançada pelas regiões da Amau e da Ampla em 2015 em relação a rodovia. “Já temos em mãos o Estudo de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental (EVTEA) do Dnit, que atesta as viabilidades para que ela seja concluída e pavimentada. Ou seja, esse documento comprova a capacidade da rodovia e seu nível de serviço, além de estudos de engenharia, socioeconômicos e ambientais necessários.Podemos dizer que é um grande passo, pois sem isso ela jamais seria concretizada. Porém os passos têm sido lentos. Acreditamos que a Transbrasiliana é prioridade para o desenvolvimento socioeconômico dos municípios e do Rio Grande do Sul e vemos como vergonhoso o fato desse trecho ainda não ter sido asfaltado. Esperamos que após essas audiências e as cobranças das lideranças, a Transbrasiliana também seja vista como prioridade na esfera federal”, desabafou o prefeito.

Transbrasiliana saindo do papel?

Quando questionado pela reportagem, se o prefeito de Ipiranga do Sul acreditava que o asfaltamento do trecho da Transbrasiliana sairia do papel em 2018, Mário disse que não pode se comprometer com aquilo que não depende exclusivamente dele enquanto prefeito. “Não temos como confirmar se as obras irão iniciar ou não em 2018. Essa confirmação depende da União. Porém, não vamos desistir nunca e, embora as garantias que tenhamos recebido em Brasília tenham ficado na esfera verbal, vamos cobrar tudo aquilo que nos foi prometido”, afirmou Ceron.

O prefeito de Ipiranga do Sul também aponta que são inúmeros os benefícios com a conclusão do asfaltamento da rodovia. “Sem dúvida em todas as esferas teremos resultados positivos quando esse trecho da Transbrasiliana for asfaltado. Agricultura, saúde, educação, infraestrutura, logística, economia, desenvolvimento, além de auxiliar na redução do tráfego de veículos na ERS-135 entre Erechim e Passo Fundo. O asfaltamento é viável, e o próprio Dnit reconhece isso, faltando agora o projeto e a obra em si”, concluiu o prefeito de Ipiranga do Sul.
 

Bancada gaúcha

Conforme o coordenador da bancada gaúcha no Congresso Nacional, deputado federal Giovani Cherini (PR), o projeto da Transbrasiliana é uma das prioridades dos parlamentares na área de infraestrutura. “Na terça-feira, 17 de outubro, coordenei a reunião da bancada gaúcha onde, após 46 pedidos de emendas parlamentares, foram aprovadas 17 emendas de bancada, entre elas a pavimentação do trecho sem asfalto da Transbrasiliana. Essa reivindicação é tratada como prioridade pela bancada, onde destinamos R$ 270 milhões para que a pavimentação desse trecho da rodovia possa se concretizar. A partir de agora vamos negociar com a União para que ela possa estar no orçamento de 2018. Conheço muito bem a região do Alto Uruguai e do Planalto e sei a importância desta obra sair do papel. Aliás, é uma reivindicação regional de vários anos”, disse o deputado federal. 

Sem previsão para início da obra

De acordo com a assessoria de comunicação do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), “a rodovia BR-153, neste segmento, conhecida comoTransbrasiliana, é denominada implantada na relação do Sistema Nacional de Viação (SNV). Ou seja, existe o traçado da rodovia, mas em trecho não pavimentado”.

Em relação a possibilidade de asfaltamento desse trecho, o Dnit informou que há somente o Estudo de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental (EVTA), desenvolvido pelo órgão em anos anteriores. “Existe pedido da superintendência para licitação do projeto, para qual o processo está no Dnit em Brasília, ainda sem retorno”.

Quando questionado sobre porque a rodovia ainda não está pavimentada, o Dnit declarou, por meio da assessoria de comunicação que, esse segmento não está pavimentado pois existe uma rodovia estadual paralela, que atende à ligação entre Erechim e Passo Fundo. “No caso a ERS-135, passando por Getúlio Vargas e Coxilha. Ou seja, a ERS-135 atendeu a demanda desta ligação ao longo dos anos. Agora, recentemente, após o estudo de viabilidade desenvolvido, que mostrou viável a pavimentação da Transbrasiliana, mesmo com a existência da ERS-135, é que se pediu autorização para licitação do projeto”.

O órgão público também destacou que a pavimentação da Transbrasiliana é mais uma das tantas demandas por rodovias tratadas pelo Dnit no Rio Grande do Sul. Já em relação ao projeto para execução da obra, o Dnit disse que não existe projeto. “Não há previsão para início da obra. Sequer há processo de licitação de projeto em andamento”, informou o Dnit por meio da assessoria de comunicação.

Espera longa

Para a comunidade da região Norte do Rio Grande do Sul resta permanecer nessa espera longa, que já perdura há anos. São décadas esperando que a pavimentação saia do papel e se concretize em pavimentação asfáltica.A Transbrasiliana foi criada com a promessa de crescimento para diversas regiões do Estado. Infelizmente o crescimento não foi obtido, já que o trecho no Rio Grande do Sul é o único, em todo o País, que ficou sem asfalto.

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