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Região

“A burocracia é hoje o maior problema da administração pública”

Enquanto em Santa Catarina uma licença ambiental sai em 60 dias, no Rio Grande do Sul leva 900 dias em média, diz prefeito de Três Arroios Lirio Zarichta

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“Tem que ter uma reforma tributária e uma melhor distribuição dos recursos”.jpg
Por Ígor Dalla Rosa Müller
Foto Ígor Dalla Rosa Müller

As cidades do Alto Uruguai, a exemplo de outros municípios do país, enfrentam dificuldades de orçamento, infraestrutura, comunicação, energia, entre outros. Como se desenvolver social, cultural e economicamente nessas condições? Faltam recursos e sobram responsabilidades. Dentro disso, o Jornal Bom Dia abre esse espaço para olhar mais a fundo a realidade da região e o que pensam os gestores públicos neste ano de eleições. Nesta entrevista, conversamos com o prefeito de Três Arroios, Lírio Zarichta, que está no seu segundo mandato.  

 

Bom Dia: Faça um breve cenário da sua administração?

Lirio: Em relação ao nosso governo a gente vive um bom momento. O município vem num crescente em termos de índices de desenvolvimento e melhoria da arrecadação.   

 

Cite uma das principais dificuldades do gestor público?

A burocracia é hoje o maior problema da administração pública. A legislação tem sido exigente com os municípios, prefeitos e vereadores.

 

O município é onde mais se faz e onde tem menos recursos?   

Tem que ter uma reforma tributária e uma melhor distribuição dos recursos. As coisas acontecem no município, que fica com a menor fatia, e é onde tem a maior dificuldade para aplicação desses recursos.

 

Cite um exemplo?

Dia 19 saiu o decreto alterando o valor das licitações, que era uma das reivindicações dos municípios. Uma conquista muito grande. Acima de R$ 8 mil tinha que licitar, agora passou para R$ 17mil, mas ainda é baixo o valor. Há ainda a judicialização do serviço público, o Judiciário determina fazer alguma coisa e não quer saber se tem orçamento.

 

Como mudar isso?

Uma das coisas que tem que mudar é o repasse dos recursos via Fundo de Participação dos Municípios (FPM). Somos muito dependentes. Essa questão das emendas parlamentares engessa o gestor. Temos que ir lá de pires na mão buscar os recursos. Se o recurso viesse pelo FPM o prefeito aplicaria onde realmente precisa.

 

O que o Alto Uruguai tem que fazer para combater a crise e se desenvolver?  

É necessário usar melhor nossa força política. A região não tem um cargo relevante no governo do estado e nem no governo federal. Essa falta de representatividade faz com que nosso desenvolvimento não aconteça de forma semelhante a outras regiões do estado.

 

O Alto Uruguai não poderia se unir mais e resolver os problemas em conjunto?

Se a região está se desenvolvendo, Erechim se desenvolve. No entanto, o estado não tem capacidade de investimento. Por exemplo, o Rio Grande do Sul não tem como competir com Santa Catarina porque em 60 dias sai uma licença ambiental. No Paraná são 90 dias e no Rio Grande do Sul são 900 dias em média.  

 

Por que outras regiões conseguem ter agilidade nessas questões?

No Rio Grande do Sul a situação é a mesma. Santa Catarina o ICMS é diferenciado, nossa carga tributária é alta, os empresários que investem aqui são corajosos, porque temos um custo mais alto que reduz a competitividade e ainda com problemas de logística. 

  

Amau deveria ser mais atuante na questão da política regional?

O que dificulta isso é a pluralidade partidária que tem na região, cada município tem dois partidos ou mais. O que engessa de fato essa questão política são as tais das emendas parlamentares. Tem que mudar a forma de distribuição de recursos.

 

Vamos ficar mais quatro anos sem representante em Brasília?

Provavelmente sim.  

 

Não estaria na hora de deixar a questão ideológica de lado e trabalhar pela região?

Talvez sim. Acho que a região teria número de eleitores para eleger um deputado federal. Mas isso não vai acontecer. Hoje, um prefeito sem deputado certo não é nada, administra o custeio. Isso faz diferença. Se não mudar a conjuntura a região não vai ter representante na Câmara nem no Senado.

 

Agência de Desenvolvimento não poderia fazer projetos para buscar recursos no estado e em Brasília?  

Com certeza. A agência poderia e deveria ser mais atuante. Falta alguma coisa em termos de articulação dentro da região, porque não é de forma isolada que as coisas vão acontecer. A agência tem esse papel de congregar. Hoje, a Amau é uma das grandes colaboradoras da agência.  

 

Tem que ampliar o orçamento da agência?

Será que é só responsabilidade do poder público? O desenvolvimento interessa a quem? Quem é que ganha com o desenvolvimento regional? Ele não passa simplesmente pela Amau, tem que envolver o poder público, mas também a iniciativa privada, escolas, universidades, cooperativas, sindicatos.

 

Ano de eleição, o que dizer para o eleitor em relação a isso? E o que o representante público não pode deixar de ter?

O eleitor tem que votar nas pessoas sérias, comprometidas, porque senão vai se eleger de fato quem não está comprometido com as reformas.

 

Como distinguir isso, olhar para o cenário de Brasília e ver quem é bom?

Pelo caminho da renovação, que é difícil acontecer. O eleitor tem que votar e escolher os melhores. Porque se não votar será pior, vai continuar ou agravar a situação.

 

O que vislumbra para as eleições desse ano e o que o eleitor pode esperar?

Ano complicado. Nosso país tem solução, mas tem que acabar com a corrupção. Resgatar a questão da honestidade, comprometimento, valores. O processo todo tem que mudar na sociedade. Isso começa na base com educação.

 

Qual é a vocação e o futuro do Alto Uruguai?

O Alto Uruguai tem um potencial muito grande no setor agropecuário, nas atividades de criação e de grãos. Precisamos transformar a matéria-prima aqui, não exportar. Tem potencial no setor de indústria, comércio e serviços e ainda tem espaço para crescer. Outro potencial é na questão do turismo de termas, gastronomia e religiosidade. O Alto Uruguai precisa organizar e integrar esses setores desde o turismo até o agronegócio. Temos que concentrar as energias, focar numa integração das ações dos municípios. O cenário é positivo porque tem gente trabalhadora aqui. O futuro do Alto Uruguai é bom.

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