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Região

Falta de energia já é uma situação grave na região

Para expor essa situação e tentar buscar alternativas para resolver as dificuldades enfrentadas pelo setor agrícola e industrial foi realizada uma reunião na Câmara de Vereadores de Erechim, na manhã de ontem, com entidades que há anos vem acompanhando esse assunto. O resultado irá compor o plano de ação que a RGE está fazendo para Amau

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Segundo Douglas, sem energia de qualidade não tem como produzir alimentos
Por Ígor Dalla Rosa Müller
Foto Ígor Dalla Rosa Müller

A falta de energia elétrica no campo e na cidade é um dos grandes problemas enfrentados pela região há anos. Essa situação vem gerando prejuízos para agricultores e indústrias, inviabilizando novos projetos e danificando equipamentos. Para expor essa situação e tentar buscar alternativas para resolver as dificuldades enfrentadas pelo setor agrícola e industrial, foi realizada uma reunião na Câmara de Vereadores de Erechim, na manhã de ontem com entidades que há anos vem acompanhando esse assunto.

Sutraf - AU

Segundo o coordenador geral do Sindicato Unificado dos Trabalhadores da Agricultura Familiar do Alto Uruguai (Sutraf – AU), Douglas Cenci, a reunião pública teve como objetivo mostrar o problema recorrente da falta de energia na região, as condições precárias da rede, um conjunto de questões que faz com que o agricultor fique três até quatro dias sem energia.

Douglas afirma que um dos problemas é o atendimento, a demora para reestabelecer o serviço. “Uma vez se falava em quatro horas de religação, hoje tem demorado de dois a três dias para resolver questões simples no interior, e no perímetro urbano também”, diz.

Outra questão grave é a qualidade da energia, que precisa ter aumento de carga, tensão, isso porque o agricultor tem investido no campo, mas a energia não dá conta de tocar o maquinário instalado, necessário e indispensável para conseguir trabalhar em atividades como produção de leite, suinocultura e avicultura.

Ele comenta que a RGE recentemente trocou de donos, sendo agora de uma estatal chinesa, e na sua avaliação a partir dessa troca teve um período de transição complicado. “Nos últimos seis meses tem tido muita dificuldade, não sei se isso tem a ver com a troca, mas o atendimento está muito ruim”, observa.

Segundo Douglas, a grande maioria dos produtores tem energia monofásica, há casos em que esse tipo de rede resolve a demanda do produtor, mas em muitos há falta de energia.

O coordenador geral enfatiza que sem energia não tem como produzir alimentos. “E isso é um situação grave. A ideia é levantar esses problemas e buscar soluções. Há muito por fazer e a ideia da reunião é provocar essa discussão. Esse é um tema fundamental para o desenvolvimento da região e indispensável para a qualidade de vida das pessoas, um dos principais problemas de infraestrutura hoje junto com as estradas”, ressalta.  

Amau

O presidente da Amau, Juliano Zuanazzi, destaca que a falta de energia é uma demanda que envolve todos os municípios da região, e é preciso que a empresa diga de uma maneira objetiva como vai lidar com essa questão. “Precisamos que isso seja dito de uma maneira muito clara para que o agricultor e os municípios possam compreender como fazer seus investimentos”, observa.

Segundo Juliano, a região precisa de uma resposta efetiva da RGE, quando será alterada essa situação, em seis ou 12 meses, quando vai se substituir a rede, ter aumento de tensão, para que o agricultor possa projetar o seu investimento, que vai gerar renda e melhoria na qualidade de vida da região. “A RGE tem essa responsabilidade porque é a empresa autorizada a vender energia, que não pode ser comercializada de forma precária”, observa.

Ele ressalta que esse é um momento de diálogo, para enxergar as carências, mas também os investimentos que foram feitos e como será o futuro. Para que as pessoas possam se programar e fazer os investimentos com segurança e tranquilidade.

Vereador de Erechim

O vereador de Erechim, Lucas Farina, acompanha a questão da qualidade de energia desde 2011, quando houve um grande temporal no Alto Uruguai. “Constituímos um grupo de trabalho que vem olhando de perto essa situação”, diz.

Segundo Lucas, de um ano para cá ocorreram muitas reclamações sobre a falta de energia na região, tanto no meio rural, quanto urbano. Em 2018 teve muitas queixas, com agricultores ficando quatro, cinco dias sem energia na propriedade.

Ele afirma que em função disso se reuniu as entidades para fazer o debate, levantar os problemas e apresentá-los a RGE, buscar alternativas para melhorar essa situação. “Porque a gente sabe que sem energia elétrica com qualidade não tem como se desenvolver”, salienta.

Lucas destaca que esse é um momento importante para que de fato se tenha melhorias e garanta que se resolvam essa situações no campo e na cidade.

Accie

De acordo com Fábio Vendruscolo, a situação da energia é um problema grave hoje, e é preciso trazê-lo à tona, não somente em relação ao Distrito Industrial, mas a todo o município. “Temos uma listagem enorme de empresas que vem sofrendo prejuízos e não só com desperdício de tempo, retrabalho, mas com perda de equipamentos que queimam. Indústrias grandes tendo que parar a produtividade, onerando os custos de uma forma geral, tendo que se organizar com geradores para suprir a falta de energia da região”, ressalta.

Fábio observa que diante de todas as dificuldades que se tem para manter os negócios abertos, o problema da energia elétrica é o principal.

Presidente da Câmara 

Para o presidente da Câmara de Vereadores de Erechim, Alderi Oldra, a reunião foi bem produtiva com encaminhamentos de uma agenda da RGE que será apresentada em abril, em que constará as principais ações para amenizar ou até resolver os problemas.

RGE

O responsável pela RGE no Alto Uruguai, Claudio Rodrigo Manica, disse que o evento é importante e a empresa esteve presente para ouvir. O resultado da reunião irá compor o plano de ação que a RGE está fazendo para a associação, desde janeiro. “Não temos a data quando será entregue, mas está em fase final de compilação das informações e dados para apresentação a Amau”, diz.

Ele ressaltar os investimentos que a RGE está fazendo na região e que ultrapassam R$ 40 milhões e cita o exemplo da subestação de Severiano de Almeida.

“A RGE nunca colocou panos quentes em cima do assunto, sabemos da nossa rede existente, herança da estatal, estamos agora fazendo as melhorias necessárias. Ressaltamos que de dezembro até fevereiro tivemos várias contingências, temporais, e tratamos somente as situações emergenciais, não conseguimos dar atenção a manutenção”, observa.

Nesse momento, o efetivo está trabalhando nas obras de manutenção na região, como por exemplo, nos municípios de Itatiba do Sul e Machadinho.

Pergunto se a venda da empresa para uma estatal vai mudar alguma coisa. “O Grupo CPFL foi adquirido pela estatal chinesa State Grid, no qual está trazendo tecnologia e investimento como nunca foi visto para toda concessão. Com certeza vai melhorar”, salienta.

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