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Região

Falta de professores compromete calendário escolar

Aproximadamente 25% do ano letivo já foi concluído na Escola Estadual Mário Quintana em Barão de Cotegipe e o quadro de professores ainda não está completo

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Comunidade escolar organizou uma manifestação na manhã de sexta-feira (3)
Comunidade escolar organizou uma manifestação na manhã de sexta-feira (3)
Por Amanda Mendes
Foto Rodrigo Finardi

Aproximadamente 25% do ano letivo já foi concluído na Escola Estadual Mário Quintana em Barão de Cotegipe e o quadro de professores ainda não está completo. Contudo, todo estudante tem direito a 200 dias escolares, totalizando 800 horas-aulas. Neste cenário, já são mais de 40 dias letivos que cerca de 138 estudantes da instituição estão sem regentes nas disciplinas de Português e Ciências.

A preocupação transcendeu a equipe diretiva e está presente em toda a comunidade escolar. Com as demandas, a escola amanheceu na sexta-feira (3) com uma mobilização promovida pelo Círculo de Pais e Mestres (CPM) com apoio do poder público. A ação ocorreu antes do início das aulas.

Cenário dificulta organização escolar

De acordo com o diretor da instituição, Neuri Stieven, as aulas iniciaram no dia 20 de fevereiro e o Estado só liberou a contratação de professores em março. “Já estamos em maio e ainda enfrentamos esse tipo de problema, que não se restringe ao quadro de professores, mas também de funcionários. Como é o caso da biblioteca que está fechada”, pontuou em entrevista ao Jornal Bom Dia, citando ainda, que esses impasses dificultam a rotina de trabalho além de impactar a qualidade do ensino.

Para Stieven a situação poderá refletir no funcionamento da sociedade. “Se não cuidarmos bem da educação e da escola, esses problemas vão surgir em algum momento no futuro. É como diz aquele ditado: ‘ou educamos os pequenos, ou vamos punir os adultos’, porque a escolarização é a base, deve ser encarada como investimento e prioridade dos governos”, concluiu o diretor.

Segundo a vice-diretora do turno da manhã, Cleomara Binotto, as ausências atingem os estudantes do ensino fundamental e, para ela, a demora na solução do problema está relacionado as novas exigências do contrato de professor emergencial. “Nós apresentamos essas demandas desde 2018 junto à 15ª Coordenadoria Regional de Educação (CRE), mas tivemos que esperar abrir o sistema, que só ocorreu no dia 18 de fevereiro. No entanto, os professores que foram chamados para assumir a vaga - em caráter emergencial - não assumiram, em função das novas regras do contrato, que visa diminuir os gastos, mas que não é viável ao professor”, relatou Cleomara.

Os novos contratos agora possuem data de vigência, iniciando em maio e finalizando em dezembro. “Esses professores vão entrar e só começarão a receber o salário depois de, pelo menos, dois meses, ou seja, em junho, e terão seus contratos encerrados no fim do ano, este modelo não é vantajoso para eles”, reforçou a vice-diretora. 

As orientações dos órgãos estaduais de Educação é o remanejamento de profissionais para retornar às atividades em sala de aula:  “Essa alternativa é muito cômoda, pois a responsabilidade ficou com a escola e assim, muitas vezes nós assumimos disciplinas sem a diplomação necessária, o que reflete na qualidade de ensino. No segundo momento optamos por deixá-los em salas de vídeo ou de jogos, mas em conversa com os pais decidimos que seria melhor dispensá-los”, argumentou Cleomara.

A manifestação

A manifestação de sexta-feira (3) foi marcada com faixas e cartazes expressando a importância da Educação para o futuro do país. Na oportunidade, estudantes preocupados com suas formações cobraram posicionamento e solução dos órgãos responsáveis.

A ação contou ainda, com a presença de autoridades municipais, pais, professores e funcionários. “Os pais abraçaram nossa causa, pois perceberam que a qualidade da educação de seus filhos está em jogo”, concluiu a vice-diretora.

O que dizem os órgãos

De acordo com a coordenadora da 15ª Coordenadoria Regional de Educação, Andreia Ascari, na próxima segunda-feira (6) o professor de Português iniciará as atividades na Escola Mário Quintana. “Com relação a disciplina de Ciências, nós já começamos o processo para encontrar quem irá lecionar. A alternativa será a ampliação de carga horária de professores que já estão na rede, para simplificar o processo”, concluiu Andreia.

Procurada pela reportagem do Bom Dia, a Secretaria Estadual de Educação (Seduc) se manifestou por meio de nota: “Sobre a Escola Estadual Mário Quintana, foi autorizada a contratação emergencial de professor de Ciências que inicia as atividades na próxima semana. Quanto aos funcionários, a Seduc não foi comunicada sobre a necessidade de servidores gerais e de limpeza. A Secretaria também informa que tem como prioridade o atendimento das turmas em sala de aula para que estudantes não fiquem sem professores”.

Sobre as alterações nos contratos emergenciais, a Seduc informou que serão encerrados no fim do ano letivo de 2019. “Em caso de demanda, será aberto edital entre os meses de janeiro e fevereiro para contratações temporárias para o ano de 2020. Os profissionais nesta modalidade recebem todos os direitos trabalhistas proporcionais ao tempo de trabalho e horas”, concluiu a Seduc.

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