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Região

Citricultura: Perdas com mosca da fruta podem ultrapassar 30% da produção

Somando as perdas da mosca e do excesso de chuva os prejuízos podem ultrapassar 40% de tudo que o produtor iria colher nesse ano

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“Não tem mais muito o que fazer é só lidar com o prejuízo"
Lesão causada pela mosca da fruta
Por Ígor Dalla Rosa Müller
Foto Divulgação

“Não tem mais muito o que fazer é só lidar com o prejuízo e esperar o frio chegar para tentar amenizar a situação”, afirma o citricultor de Marcelino Ramos (RS), Cleovane Mazutti. Conforme ele, vai ter quebra na produção de laranja, que está comprometida pelo surto da mosca da fruta e, também, o excesso de chuvas no período da floração.

O citricultor desde 2010 vem ampliando seus pomares e, hoje, cultiva 10 hectares da fruta e tem na cultura da laranja a principal fonte de renda da família. “Esse ano está bem complicado”, afirma.  

Neste ano, a citricultura está numa “situação caótica”, segundo Cleovane. “Nem com inseticida estamos conseguindo conter a mosca da fruta, e quem não fizer tratamento pode perder até 100% da produção. Já temos caso aqui em Marcelino Ramos de produtor de laranja de umbigo, que já perdeu 90% da produção”.  

Segundo Cleovane, as perdas no seu pomar já chegam a quase 30% da produção em função da mosca da fruta. Além dos problemas e perdas decorrentes da mosca, o produtor afirma que a safra também será menor por causa do clima, o excesso de chuva.

“Quando chove muito na floração não produz bem, vai diminuir a produtividade das plantas”, diz. Somando os dois problemas as perdas podem chegar a mais de 40% de tudo que o produtor iria colher nesse ano. No entanto, acrescenta, “o que vai afetar mais é a praga”, afirma.

Toda a sua produção da laranja Valência é comercializada para a indústria e vai para fabricação de suco. Cleovane afirma que a incidência da mosca da fruta já vem ocorrendo de três anos para cá, e a cada ano vem aumentando a intensidade. “Esse ano foi muito forte, nem com produto químico estou conseguindo controlar. Já aumentou até o custo de produção por causa da aplicação dos tratamentos”, diz.

O citricultor está no terceiro tratamento e não consegue diminuir a infestação da mosca. “Não tem mais o que fazer, estou tentando controlar com inseticida, o que é recomendado para citros, o que tem de melhor para a cultura. Agora é só esperar o frio e amargar o prejuízo”, comenta.  

A expectativa agora é aguarda a chegada do frio para amenizar o ataque da mosca, por um tempo. “Mas depois que ela colocou os ovos essa fruta cai do pé. Há dois meses a laranja não tinha suco e a mosca já estava derrubando as frutas”, lembra.

Ele acredita que esse desequilíbrio se dá, também, em decorrência do uso excessivo de produtos químicos na cultura da soja, que está matando um dos predadores naturais da mosca da fruta: a joaninha.  

Conforme Cleovane, além de tudo, o clima de Marcelino Ramos contribui para essa situação, já que na propriedade dele, na costa do rio da barragem, não dá geada. “Aí não mata a mosca da fruta, a última geada registrada aqui foi em 2000. Daqui para Erechim dá cinco graus de diferença a temperatura”, afirma.

Monitoramento

O citricultor usa a técnica da garrafa pendurada nos árvores para monitorar as moscas. “Coloco uma garrafa com isca por hectare, e em 24 horas faço o monitoramento. Se passar de quatro moscas na garrafa entro com o inseticida. Já chegou a dar 40 moscas na contagem em 24 horas, virou surto”, observa.

Ele fez tratamento preventivo, mas não esperava que haveria um surto tão grande da mosca. “A gente produz com pouco defensivo agrícola, o mínimo possível”, diz. 

Região

De acordo com o engenheiro agrônomo, Luiz Angelo Poletto, assistente técnico regional em Produção Vegetal da Emater/RS-Ascar, houve um ataque bastante intensivo da mosca da fruta. A região tem três mil hectares de pomares. “Realmente está ocorrendo, não tinha acontecido problema como esse em outras épocas”, diz.

Conforme Poletto, nunca tinha ocorrido uma ação assim tão forte da mosca da fruta, que ataca não somente os citros, mas diferentes espécies de frutas como goiaba, pêssego, morango e frutas nativas.  

O engenheiro agrônomo afirma que tem duas maneiras de controlar a mosca, uma delas é a ação preventiva e a outra o tratamento com defensivos agrícolas. “Temos feito um trabalho em cima do tratamento preventivo”, diz.

Poletto observa que a mosca da fruta está atacando as variedades do cedo, como a iapar, salustiana, laranja de umbigo e, também, bergamotas. “A base dos pomares, mais de 90% são de laranja valência”, diz. Ele acredita que as perdas nas variedades das laranjas precoces já podem chegar a mais de 20%. E, no caso da laranja de umbigo-bahia pode ser ainda mais”, afirma.

Tratamento preventivo

Para o tratamento preventivo, o recomendado é a utilização de uma garrafa pet com isca entre cada cinco e dez árvores. “Se não der resultado tem que entrar o tratamento com defensivos agrícolas”, explica. Ele ressalta que para conter a reprodução das moscas seria necessário enterrar as frutas infestadas e que caem do pé.

Quando o produtor detectar os primeiros sintomas, como o amarelo precoce na fruta, seria importante procurar mais informações e a assistência técnica do município.   

Ele acrescenta que com a chegada do frio vai diminuir o ataque da mosca, principalmente na laranja. No entanto, a temperatura tem que ficar abaixo de 10º C. 

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