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Região

Santa Terezinha é o patinho feio do Estado. Sobrevivência do hospital passa pela revisão dos contratos

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Situação já é delicada e contratos precisam ser revistos
Diretor administrativo Márcio Antunes Pires e diretor executivo Hélio Bianchi: “reitero a necessidad
Comparativo Mensal
Comparativo Qtd Prod Ambulatorial Mensal
Comparativo Qtd Produção Total Mensal.
Comparativo Remuneração Incentivos Estaduais.
Composição Leitos SUS x Prod Hospitalar total
Percentual de Produção x Número de Leitos SUS
Produção ambulatorial Mensal
Comparativo Mensal Remuner0Compação Incentivos Estaduais x Produção Total.jpg
Comparativo Mensal Remuneração Incentivos Federais x Produção Total.
Percentual Leitos SUS x Percentual Remuneração Incentivos Estaduais
Por Rodrigo Finardi
Foto Rodrigo Finardi

Levantamento mostra que hospitais similares recebem mais recursos e atendem menos pessoas e que a FHST deixou de receber R$ 23,8 milhões nos últimos anos com o cruzamento de dados de 12 casas de saúde orçamentadas. Atualmente recebe quase R$ 5 milhões por mês e o necessário para funcionar é superior a R$ 8 milhões  

 

“Ninguém faz gestão sem dinheiro”. Essa frase do diretor executivo da Fundação Hospitalar Santa Terezinha escancara as dificuldades no dia a dia da casa de saúde, para atender a demanda. Caso essa realidade não mude, a tendência com o tempo é diminuir serviços e fazer apenas o que o Estado paga (atrasado e defasado). E isso irá estourar em quem paga os impostos e utiliza os serviços: a população.

Boa resolução e poucos recursos

Essa é a lógica da apresentação que a direção do hospital fará amanhã (27) a partir das 14 horas para os prefeitos da AMAU, já que seus munícipes utilizam os serviços.   Os números tabulados durante 30 dias ininterruptos pela direção do hospital, mostra o que 12 hospitais orçamentados recebem no RS. E o Santa Terezinha quase sempre é o patinho feito: com boa resolução nos serviços e poucos recursos repassados.

Por que acontece isso?

A questão é. Por que acontece isso? Por que um hospital menor, que atende menos pessoas, recebe mais que o Santa Terezinha? Essas são as respostas que toda a região quer, que o Estado venha a pública e diga algo convincente.

As respostas

As respostas podem ser dadas de várias formas. A primeira e a mais justa é o governo gaúcho ajustar os valores repassados e principalmente quantitativos, em função do volume de serviços prestados. E isso pode ser feito de forma imediata.

A falta de representação política

Essa forma imediata esbarra num problema antigo de Erechim e região, que é a falta de força política, que é onde os outros hospitais recebem mais através de incentivos federais e estaduais. E coincidentemente esses hospitais tem deputados eleitos em suas regiões. E essa é a equação que com o tempo, os governantes do Alto Uruguai terão que se unir para salvar a região. E não pensar apenas em seus partidos e algumas emendas parlamentares que resolvem o varejo e nunca o atacado.

Força conjunta

Mas para tudo isso acontecer e o hospital melhorar será necessária uma força conjunta das lideranças políticas de Erechim e região. E é isso que o diretor executivo da FHST, Hélio Bianchi e o diretor administrativo Márcio Antunes Pires farão na assembleia da AMAU amanhã (27). Mostrar os gráficos, números e provar que o Alto Uruguai está esquecido pelo governo do Estado, que o tratamento não é equânime. E que sanar as dívidas do hospital e fazer com que ele cresça depende de todos.

2 de julho a resposta do Estado

Após essa apresentação aos prefeitos, no dia 2 de julho, às 13 horas a direção do hospital estará na secretaria estadual de Saúde para cobrar uma posição do pedido de financiamento dos serviços feitos em 9 de maio: “objetivo é agendar também com a secretária de Estado. Os números falam por si só. Não são frutos da imaginação, e sim de um estudo detalhado que mostra que nosso hospital não está sendo visto como deveria. Recebemos bem menos para prestar o serviço”, relata Bianchi.

No limite de suportar diferenças abissais

Segundo Bianchi, e os gráficos mostram isso, ao longo dos últimos anos o \estado deixou de colocar R$ 23,8 milhões no Santa: “com a dívida que temos, e se esses valores tivessem entrado no caixa teríamos superávit”, complementa o diretor, que acredita se não for revertida essa lógica a comunidade irá perder muito a parir de agora, pois o hospital está no limite de suportar essas diferenças abissais.   

Amostragem

Com base na amostragem desses doze hospitais, a direção do Santa Terezinha apresentou suas necessidades, ratificando vários ofícios já protocolados junto à 11ª. Coordenadoria Regional de Saúde para pactuar os valores que estão defasados. A seguir os argumentos utilizados, para mostrar que algo não anda como deveria andar

Região Referenciada

A Fundação Hospitalar Santa Terezinha de Erechim é um hospital regional, sendo o único para atendimento do Sistema Único de Saúde para a 11ª Coordenadoria Regional de Saúde, com abrangência de 230.000 habitantes. Ainda conta com a Unidade de Alta Complexidade em Oncologia, referência para a 11ª CRS, 15ª CRS e 19ª CRS, com abrangência de 600.000 habitantes.

Porta de Entrada

O Pronto Socorro é referência para a urgência e emergência dos trinta e três municípios da 11ª Coordenadoria Regional de Saúde, sendo que tramita há mais de dois anos junto ao Ministério da Saúde a habilitação do serviço para recebimento de incentivo financeiro em nível federal, sem qualquer perspectiva para tal. Ao mesmo tempo, hospitais da região que contam com atendimentos de urgência e emergência em quantitativos comprovadamente diminutos em relação ao número de atendimentos da Fundação Hospitalar Santa Terezinha recebem incentivos mensais, via secretaria estadual da Saúde, acima de R$ 100 mil. Em Erechim esse valor é de R$ 45 mil a título de incentivo como porta de entrada de urgência e emergência.

Leitos Complementares- UTIs

Conta com 10 leitos de UTI neonatal e 11 leitos de UTI adulto, integralmente disponibilizados ao SUS e regulados pela secretaria estadual de Saúde, estando disponíveis para todo o Estado. A manutenção diária de um leito de UTI representa um custo médio de mais R$ 1,2 mil. No entanto, no atual contrato firmado com o Estado não há remuneração para diárias de UTI, fato este que compromete o equilíbrio financeiro da instituição que precisa arcar com despesas de equipe médica especializada e exclusiva, disponibilização e manutenção de equipamentos, equipe técnica multidisciplinar, medicamentos, materiais médicos e demais insumos necessários para o atendimento do paciente, que possui um custo diferenciado para o tratamento intensivo em relação às internações clínicas.

Referência Gestante Alto Risco e Rede Cegonha

É referência para partos de quase a totalidade dos municípios da 11ª CRS. É referência para gestante de alto risco e integrada à Rede Cegonha. São realizados em média 100 partos mensais.

Produção Hospitalar

São internados mensalmente em média mais de mil e cem pacientes e destes 60% são para procedimentos cirúrgicos. Porém, mensalmente, principalmente nos meses de inverno, vem atendendo pacientes que necessitam de internação em quantitativo acima do teto contratual, o que culmina com um excedente de produção sem teto contratual. Hoje, aproximadamente 200 AIHs (autorizações de internações hospitalares) de alta complexidade são bloqueadas para auditoria (excedente de teto) e de 2.730 AIHs de média complexidade não apresentadas também por excederem o contratado com altos índices de bloqueios para auditoria, conforme demonstrado graficamente abaixo.

Bloqueios para Auditoria

A metodologia adotada pela secretaria estadual da Saúde em relação às auditorias apresenta consideráveis percentuais de retirada de AIHs para auditoria, contribuindo para o crescimento do excedente de AIHs, bem como trazendo insegurança para a instituição em relação ao recebimento pelos serviços prestados uma vez que o contrato firmado entre as partes preconiza o pagamento do faturamento aprovado e não apresentado. E na alta complexidade os números são mais preocupantes, pois ao longo do último ano, tanto o quantitativo como o valor, ultrapassam a média de 55% de bloqueio para auditoria, que não aceita o quantitativo produzido e aprovado. E caso não melhore o contrato será necessário diminuir drasticamente os atendimentos, dentro do que o Estado paga. Nem um centavo a mais.

Incentivos estadual e federal

Em relação aos incentivos estaduais, os valores de contratualização foram atribuídos muito abaixo de outros hospitais do mesmo porte e  permanecem “sem revisão” desde agosto de 2013, data em que foi firmado o contrato com a secretaria estadual da Saúde, sendo que neste período de quase 6 anos já houve 6 dissídios coletivos (reajuste de funcionários), os insumos anualmente foram reajustados pelo mercado, bem como outras despesas para a manutenção dos serviços sofreram reajustes como energia elétrica dentre outras.

Produção x incentivos

Quanto aos incentivos estaduais, os valores devem ser ajustados de maneira igual a outras instituições hospitalares. Ainda, que para a definição do valor a ser pago a título de incentivo sejam considerados critérios de classificação da instituição como número de leitos, habilitações/especialidades, produção/resolutividade.

Em consulta atualizada, realizada junto ao portal de pagamentos do Fundo Estadual de Saúde, junto aos contratos formalizados entre o Estado do RS pela secretaria estadual de Saúde e hospitais para tabulação não se tem critérios isonômicos.

Necessidades

De acordo com o diretor Hélio Bianchi: “A Fundação Hospitalar Santa Terezinha de Erechim solicita a remuneração justa e necessária para continuidade e sobrevivência da instituição hospitalar, reiterando a necessidade do equilíbrio econômico considerando critérios padrões para todas as casas de saúde”,

O necessário para funcionar

Para a Fundação Hospitalar Santa Terezinha operar de forma a prestar um serviço que suporte suia demanda, que contemple as partees hospitalar, ambulatorial, incentivos estaduais e incentivos federais é necesários que os valores mensais repassados atualmente na casa aproximada de R$ 5 milhões seja ampliado para R$ 8,1 milhões, ppassando de R$ 59,78 milhões por ano para R$ 97,2 milhões.

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