A 15ª Coordenadoria Regional de Educação (CRE) já tem uma nova coordenadora. Juliane Bonez, formada em Letras pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e ex-secretária de Educação de Erechim, estará à frente da instituição pelos próximos 40 meses. A reportagem do Jornal Bom Dia conversou com a professora sobre as perspectivas e desafios de sua gestão.
Na oportunidade, a coordenadora destacou a necessidade de fortalecer a consciência de que a prioridade é a aprendizagem dos estudantes, bem como, relatou como foi o processo de escolha dos novos coordenadores e as metas e objetivos que deverá implementar nos próximos anos.
De acordo com Juliane, a seleção iniciou em maio e finalizou em julho com mais de 1800 participantes. "Todo o processo foi individualizado, as inscrições ocorreram pelo site da Secretaria Estadual de Educação (Seduc), por meio do sistema Qualifica RS e todos os contatos foram feitos por e-mail".
Para participar do processo era necessário ter experiência em sala de aula e em gestão. Juliane é professora há mais de 20 anos e nesse período também atuou como coordenadora pedagógica, vice-diretora, além de ter sido diretora administrativa, secretária adjunta e secretária municipal de Educação, na "Capital da Amizade".
A última etapa ocorreu em Porto Alegre. "Foi realizado uma entrevista presencial com o secretário Estadual de Educação, a secretária adjunta e dois profissionais de carreira. A proposta é alterar a organização da educação, superando o viés político. Por isso a presença de outras pessoas na banca, para que se por ventura o secretário ou a secretária adjunta, que são cargos por indicação, saíssem, o processo pudesse continuar", pontuou.
Na última semana, a nova coordenadora assinou um termo de compromisso pelo período de 40 meses e, neste ano, o trabalho será desenvolvido com auxilio de um membro externo. "Neste processo, outras três pessoas foram selecionadas para que pudesse acompanhar o trabalho das coordenadorias, que são 30 no total. Assim serão divididas em três grupos, para que cada membro possa atuar junto", acrescentou.
Planejamento Estratégico
A organização da rede estadual deverá seguir o Planejamento Estratégico produzido pelo governo. "Nosso sistema trabalha por meio de dados, índices e números. Desta forma, todos nós seremos avaliados ao longo de todo ano com a meta de potencializar a aprendizagem dos estudantes. Esse modelo vai implicar nossa estrutura, com isso, devemos ter novas reorganizações nos setores. Por exemplo, precisamos atualizar nosso quadro de alunos, para identificar os que frequentam ou não, pois se o sistema contempla um estudante maior de idade, mas ele não está efetivamente na escola, isso interfere negativamente no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). E nosso trabalho será voltado às demandas escolares, por isso, é imprescindível que possamos saber exatamente quantos estudantes temos organizados em uma base curricular, para indicar a quantidade de professor, gestor, repasse da alimentar escolar e para a autonomia financeira", contou Juliane.
Esse é o plano inicial que prevê, ainda, a reorganização do quadro interno das coordenadorias. "Vamos trabalhar com mapas de organização que indicam o que precisamos concluir até o fim do ano". Essas mudanças deverão ser implementadas também na dimensão pedagógica com a exigência de adequação entre a formação do professor e a disciplina que ele leciona.
"Nossa proposta é orientar novos olhares para a realidade educacional. Por exemplo, hoje o estudante tem acesso a uma série de materiais por meio da internet, claro que a presença do professor nunca será substituída, no entanto, devermos aproveitar as tecnologias, bem como, motivar as inciativas proativas, empreendedoras e inovadoras dos nossos alunos", acrescentou a coordenadora.
Diálogo deverá ser a chave para a conquista de objetivos
Juliane já possui uma série de metas e objetivos para conquistar na rede estadual. "Mas sempre vamos considerar o diálogo com a comunidade escolar como alternativa para construir da melhor forma possível esse processo, sem deixar de lado a legislação, mas buscando melhorar a qualidade do ensino", destacou.
Para ela, a necessidade de recuperação fiscal do Estado não deve ser motivo para perder o compromisso com o conhecimento. "Não podemos cometer o equívoco de aguardar 10, 12 ou 15 anos. Claro que é uma preocupação válida, mas precisamos pensar alternativas do que podemos aprimorar agora".
Contudo, o cenário indica alguns desafios. "Devemos ampliar a consciência de cada um com relação a responsabilidade que temos no processo educativo. Além disso, acredito que precisamos fortalecer a articulação da 15ª CRE com os municípios, escolas e comunidade que estamos inseridos. Sobretudo, para mim, a comunicação interna é essencial para efetivar nossos objetivos, enfatizando que o foco é a aprendizagem", concluiu.