Na terça-feira (24), a Emater/RS-Ascar promoveu uma tarde de campo na propriedade da família Robaerth, Linha Santa Lourdes, em Marcelino Ramos, às margens do lago do Rio Uruguai. O evento teve como objetivo demostrar aos agricultores da região o potencial produtivo que a cana-de-açúcar pode atingir na região. A produtividade média obtida no comparativo de cultivares, na safra 2018/19, atingiu 127 ton/hectare, bem acima da média nacional de produtividade de cana, que se situa próximo a 78 ton/ha.
A Emater/RS-Ascar divulgou práticas de cultivo que podem aumentar a produtividade e ampliar o rendimento econômico da área com esta cultura. Destra elas, foram salientadas a importância da correção da acidez e fertilidade do solo antes do plantio, uma vez que se trata de cultura semipermanente. Detalhados também a importância de um espaçamento adequado entre linhas, de forma a reduzir a incidência de doenças e facilitar a mecanização da cultura, além do aumento do número de gemas por metro, visando garantir população e produtividade altas.
A propriedade da família Robaert conta com um comparativo de cultivares que avalia a produtividade e o rendimento de açúcar por hectare, que destaca produtividade e teor de açúcar de 13 novas cultivares de cana, oriundos da pesquisa brasileira e obtidos por meio da Embrapa Clima Temperado, de Pelotas. Os novos materiais genéticos possibilitam ampliar o período de corte de cana, através do planejamento dos ciclos de maturação, além de apresentar maior resistência a doenças, e por fim maior produtividade e grau de doçura no caldo de cana.
Os Robaerth têm na cana-de-açúcar a principal fonte de renda da propriedade. Cultivam ao redor de 6 hectares, dos 14 da propriedade, transformando-a em açúcar mascavo e outros derivados. Segundo Ricardo, que administra a propriedade com o pai, a cultura está na família desde que o avô, que há 40 anos iniciou um plantio para subsistência. A cana que o avô plantou ainda está presente em uma pequena área da propriedade, no mesmo lugar do plantio original.
Romeu Filippini, proprietário da cachaçaria Filipini, que também participou do evento, lembrou que a qualidade e a maturidade da cana da região colaboraram para que, das quatro cachaças que participaram do Concurso Vinhos e Destilados do Brasil 2019, duas fossem laureadas com medalha de prata, a Cachaça Filippini Ouro Amburana, e com medalha de ouro, a Cachaça Filippini Ouro Carvalho.
O secretário municipal de Agricultura, Enio Wittmann, reforçou a importância da cultura da cana para os agricultores do município e salientou o papel da Emater/RS-Ascar, através da Equipe municipal de Marcelino Ramos, na evolução do cultivo da cana-de-açúcar e dos resultados que estão sendo colhidos.
Marcelino Ramos hoje é fornecedor de mudas de cultivares de cana-de-açúcar de alta qualidade para a região e conta com três das dez agroindústrias de açúcar mascavo legalizadas da Associação dos Municípios do Alto Uruguai (Amau). Conta ainda com mais duas famílias de agricultores interessados em instalar novas agroindústrias de derivados de cana, sendo uma já em fase de terraplanagem e próxima do início das obras.
Segundo Carlos Angonese, engenheiro agrônomo da Emater/RS-Ascar, a cultura da cana-de-açúcar tem no microclima da calha do Rio Uruguai um potencial enorme, uma vez que permite cultivo e corte quase o ano inteiro, possibilitando rendimentos altos por unidade de área, atingindo 2 a 3 vezes mais renda bruta quando comparada a mesma área cultivada com soja, e com custos significativamente menores que o grão. “Quando a cana é transformada em açúcar mascavo, a rentabilidade dobra”, destaca Angonese.