De 2015 a 2019, o governo do Rio Grande do Sul investiu, por ano, apenas 2,8% de sua Receita Corrente Líquida, apresentando o pior resultado do País no período.
Além disso, entre 2003 e 2017 o RS, dependente basicamente do agronegócio, apresentou crescimento do PIB (30% no acumulado), ficando a frente apenas do Rio de Janeiro (23%).
De quebra, as indústrias gaúchas pagam, desde 2013, a maior carga tributária das regiões Sul e Sudeste; o que não ajudou a tirar o Estado da situação falimentar que se encontra, com atrasos de salários do funcionalismo que alcançam o segundo governador.
A consequência disso pode ser percebida na paulatina queda da competitividade do RS em relação às demais federações tupiniquins (ocupando a 7ª posição geral no quesito, em 2019), conforme o Ranking de Competitividade dos Estados, elaborado pelo Centro de Liderança Pública (CLP).
Risco RS
Estes e outros dados, como a péssima solidez fiscal (o RS é o último no quesito no Brasil), auxiliaram levantamento da Unidade de Estudos Econômicos da Fiergs, que trata do ‘Risco RS’. A seguir, a coluna compartilha algumas informações para análise – indicando o tamanho do desafio do governo Leite e daqueles que desejam empreender num dos Estados brasileiros menos atrativos para investimentos.
Pontos fracos do RS são os que mais afetam setor produtivo
Embora o Rio Grande do Sul apresente indicadores positivos em áreas como Inovação e Sustentabilidade Social, ocupando as posições 2 e 3 em termos de Brasil, os pontos fracos do RS são, justamente, aqueles que mais complicam o setor produtivo gaúcho, com destaque para Infraestrutura, Capital Humano e Potencial de Mercado.
Em relação à Infraestrutura, que envolve desde a qualidade das rodovias, passando pelo acesso a voos diretos até os custos do saneamento básico, energia e dos combustíveis, o Estado apresenta, na média, números medíocres (intermediários) em relação aos dois primeiros, além de arcar com o maior custo de saneamento do Brasil, a 20ª energia mais cara e 25º combustível mais salgados do País. Os polos industriais também estão entre 370 km e 460 km distante dos portos.
No item Capital Humano, principal insumo para a indústria do futuro, a baixa qualificação da mão de obra local – percebida inclusive em Erechim e região – se soma ao indicador Educação, e joga o potencial dos (outrora orgulhosos) gaudérios no chão. Em contrapartida, conforme o estudo de Competitividade da CLP, o custo desta mesma mão de obra é um dos mais altos do Brasil.
A Fiergs ainda alerta que a retração no consumo interno somada à pífia qualificação podem elevar o Custo RS. A estrutura etária do Estado também preocupa, podendo ocasionar um ‘apagão de mão de obra’. Atualmente, o Rio Grande do Sul tem cerca de 19% da população acima dos 60 anos (no Brasil, o índice é de 14%); enquanto que, em 2030, 24% dos gaúchos terão mais de 60 anos.
Sem incentivos fiscais
Além de não se beneficiar da chamada ‘guerra fiscal’, a indústria gaúcha pode ser considerada uma das ‘vítimas’ da refrega entre os Estados. Na Região Sul, o RS é a unidade que menos concede incentivos fiscais, perdendo de goleada para SC e PR.
Custo operacional
Entre os Estados industrializados, o RS apresenta os maiores custos operacionais – levando em conta a relação custos dos insumos x receita líquida de vendas. Enquanto a média nacional (%) é de 44,8, em solo gaúcho o indicador chega a 50,4.
Empregos formais em baixa
Terceiro menor crescimento dos empregos formais entre 2001 e 2018. O número de empregos com carteira assinada cresceu 53% no RS, desempenho somente melhor que o observado no RJ (48%) e DF (47%)
Saiba mais:
# Os cinco Estados mais competitivos do Brasil, conforme a CLP, são, pela ordem, São Paulo, Santa Catarina, Distrito Federal, Paraná e Mato Grosso do Sul.
# Os mercados que mais crescerão no Brasil estão distantes do RS. Segundo a Fiergs, nas próximas décadas, as regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste devem crescer mais do que o Sul e Sudeste