Entidade destaca avanços e conquistas de uma agricultura sustentável e solidária
No último dia 18, o Centro de Apoio ao Pequeno Agricultor de Erechim comemorou 38 anos de atuação e serviço. A coordenadora Ingrid Margarete Giesel destacou, nestes anos, as conquistas e avanços junto aos agricultores, "construindo uma outra realidade, sustentável e solidária, uma outra agricultura, um outro modelo de desenvolvimento, uma forma diferente de relacionamento entre as pessoas e a natureza".
O CAPA é uma organização da sociedade civil, vinculada à Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB) com atuação nos três estados do sul do Brasil - Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. Conforme a coordenadora, nos próximos três anos o CAPA vai estar desenvolvendo a Campanha Comida Boa na Mesa - Agroecologia em Defesa da Vida que tem por objetivo ampliar o debate sobre a produção agroecológica e da agricultura familiar, em que um dos aspectos centrais é a necessidade de estimular a criação de mercados locais em contraposição ao sistema agroalimentar dominante, as relações de produção e consumo, e a valorização do alimento com qualidade biológica, sem o uso de agroquímicos.
A coordenadora ainda destacou que, hoje, o mundo alimentar foi dividido em dois: comida de verdade, comida boa e produtos alimentícios. "Podemos dizer que hoje no Brasil temos uma soberania relativa, considerando os avanços dos transgênicos, a dependência que temos dos insumos, do transporte e na comercialização dos produtos, assim é preciso dinamizar a produção e o consumo local. Também estamos perdendo a capacidade de soberania alimentar nos lares, ou seja, cada vez menos famílias estão dispostas a entrar na cozinha e preparar a comida de cada dia. Talvez este seja mais um dos desafios, despertar nas pessoas a vontade de preparar as suas refeições, retomar alguns hábitos, comprar frutas e hortaliças nas feiras, redescobrir o prazer em fazer as refeições em família, podendo gerar mudanças reais na vida das pessoas, com benefícios para o bem-estar físico, social, emocional e nutricional. O nosso consumo de alimentos deve refletir nossa forma de ver o mundo: diverso e plural, agricultores no campo, comércio justo e solidário, produção agroecológica, alimentos que trazem vida, felicidade e bem-estar", finalizou.