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Cultura

Clube do Comércio promove mais um jantar do Imigrante

A festa, que acontece dia 2 de julho, é uma homenagem aos povos que ajudaram a colonizar Erechim

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Casais comendadores das etnias de 2016
Por Divulgação
Foto Divulgação

A festa, que acontece dia 2 de julho, é uma homenagem aos povos que ajudaram a colonizar Erechim 

O Clube do Comércio e os comendadores das etinias alemã, israelita, italiana e polonesa convidam para a 30ª Comenda do Imigrante que será realizada no dia 2 de julho, a partir das 21 horas. O evento, que pede traje social, terá animação da Banda Leblon.

A Comenda do Imigrante é o maior evento das etnias de Erechim. O jantar baile não é apenas uma reunião festiva e gastronômica, sua proposta é combinar o espírito alegre de um grande e tradicional evento com o resgate histórico dos povos que colonizaram e ajudaram no desenvolvimento do Município. Os convites para a festa podem ser adquiridos na secretaria do Clube do Comércio.

Os poloneses

O século XIX chegava ao final quando os primeiros poloneses atraídos pela propaganda que o governo brasileiro fazia na Europa resolveram fazer a travessia do Oceano Atlântico. Muito antes, de chegarem ao Sul e, especialmente, em Erechim, levas de poloneses enfrentaram o calor dos assentamentos localizados no Espírito Santo.  No solo gaúcho, o caminho inicial foi as chamadas Colônias Velhas. Ali a maioria e os melhores lotes de terras já estavam divididos entre os imigrantes alemães e italianos. O início foi difícil, mas o incentivo da posse de terras existente no norte do Estado - plantar e ganhar dinheiro - oferecido pela da Comissão de Terras, responsável pela colonização da região, fez com que muitas famílias polonesas apostassem nesse novo sonho e começassem a chegar em Paiol Grande no ano de 1907.

O marco da colonização polonesa será em 1911. Os poloneses são espalhados pelos lotes de terras de Marcelino Ramos, Barão de Cotegipe, Toldo, Erebango e Baliza. A influência na região logo será notada.  Primeiro, eles vão desbravar a mata virgem. Um pouco depois mostrarão sua habilidade na construção de moinhos coloniais e casas. Atuarão na carpintaria, na medição de terras e na abertura de estradas e ruas. A grande maioria dedica-se a agricultura e apresentará novas técnicas de cultivo da terra.

O final da Segunda Guerra Mundial foi responsável pela vinda de novos imigrantes. Chegam professores, médicos, dentistas, engenheiros, escritores e poetas. Marcante e vanguarda nas artes, na cultura, no magistério, na indústria e no comércio.  Hoje, a manifestação desta etnia preserva e mantém viva a arte, a cultura e a música da Polônia. E isto se dá através dos grupos Stare Wiarusy - Os Velhos Batalhadores -, Jupem e Grupo Músico-Vocal, das festas típicas: Natal, Páscoa, casamentos, Missa Polonesa, Centro de Línguas e Cultura Polonesa, da Sociedade Instrutiva e Recreativa Rui Barbosa, Grupo da Terceira idade e Consulado Honorário para o Alto Uruguai e Missões. Um pouco da Polônia também é aqui.

Os Israelitas

O século 20 iniciava quando as famílias judias começaram a pisar no solo gaúcho, mais especificamente na Colônia de Quatro Irmãos, em Erechim. A vinda era estimulada pela Jewish Colonization Association (JCA), fundada pelo Barão Maurício Hirsch, um francês de origem judaica, banqueiro em Bruxelas e construtor de estradas de ferro na Rússia, Áustria e na Turquia. 

A JCA foi criada para subsidiar colônias agrícolas judaicas fora da Europa. A entrada no Brasil começa em 1904 com as primeiras 27 famílias se dirigindo para a Fazenda Philippson, no município de Santa Maria. Em 1909 foi adquirida a Fazenda de Quatro Irmãos, com 93.850 hectares, e ali foram estabelecidas 32 famílias que vieram provenientes da Argentina. 

Quatro anos depois, chega mais uma leva de famílias judaicas, desta vez vindo da Rússia. Em 1913, o controle de entrada dos imigrantes apontava um total de 300 famílias que se espalhavam pelas terras de Quatro Irmãos, Barão Hirsch e Baronesa Clara. A Jewish Colonization colocou em prática um processo de colonização que  fornecia subsídios para a colheita, levantava sinagogas e escolas e foi responsável pela construção de um ramal ferroviário ligando Quatro Irmãos a Erebango.

Não era no campo que os judeus se dariam bem e sim em centros urbanos maiores, nos quais passaram a interferir com seu espírito empreendedor em várias áreas da economia e setores. Os judeus que permaneceram e apostaram em Erechim - cerca de 50 famílias, unidas em de suas crenças e tradições - confirmaram o potencial de influência que os imigrantes emprestaram ao desenvolvimento da cidade, atuando no comércio, agricultura, indústria, profissões liberais e prestação de serviços.

Os italianos

O verão de 1910 marcou a chegada das quatro primeiras famílias de italianos em Paiol Grande. Na vila, as casas de madeiras começavam a ser erguidas. As primeiras foram destinadas ao escritório da Comissão de Terras, depois vieram as enfermarias, os depósitos de materiais e os dois barracões para a hospedagem dos imigrantes. O trem era o meio de transporte.   E as moradias foram sendo elevadas ao longo e ao redor da estrada de ferro. A chegada dos imigrantes era sempre uma festa no vilarejo que se formava.

Católicos fervorosos, os italianos expressam sua fé na capela construída dedicada a Santo Antônio, o primeiro santo padroeiro de Erechim. Os italianos que aqui aportaram, vieram das colônias velhas - Caxias do Sul, Flores da Cunha, Garibaldi e Antônio Prado. Com os colonos migrantes, vieram aqueles que ousaram fazer a travessia do Oceano Atlântico. Saíam da Itália porque lá as condições de vida estavam difíceis. Vinham atraídos por promessas nem sempre cumpridas. Das colônias velhas saíam porque viam em Erechim a chance de ter um futuro mais rico.

A terra foi generosa e correspondeu. Mesmo com os poucos recursos recebidos do Governo, o colono italiano soube aproveitar as possibilidades oferecidas e as transformou em riqueza e progresso. Com seu trabalho e esforço foram modificando, construindo e tornaram Erechim uma cidade desenvolvida que é de todos.

Os italianos, depois dos alemães, se constituem no maior grupo vindo para Erechim e região do Alto Uruguai. Hoje seus descendentes representam 65% da população erechinense. A colonização italiana imprimiu um grande impulso no desenvolvimento do Município e sua influência marcou a cidade e a região em sua vida social, econômica e cultural.

Os alemães

Ao promover este Baile, o Clube do Comércio faz questão de relembrar a presença da imigração alemã no Estado e em Erechim. Os primeiros 38 alemães que chegaram ao Rio Grande do Sul vão, em 25 de julho de 1824, para a antiga Feitoria do Linho Cânhamo, perto de São Leopoldo. O Rio Grande do Sul dava início assim a sua política de imigração e o Vale do Rio dos Sinos passa a ser o berço da colonização alemã.

O povoamento de Erechim tem, também, em sua história a participação dos colonos alemães. Os anos de 1908 e 1910 assinalam a vinda das primeiras famílias. Segundo relatório da Comissão de Terras, os imigrantes concentraram-se ao largo da estrada de ferro que surgia ligando o Rio Grande do Sul a São Paulo. E formaram, desde logo, núcleos em Aratiba, Três Arroios, Getúlio Vargas e Marcelino Ramos. Eles trouxeram em suas bagagens conhecimento de cálculos e engenharia e muitos passam a ser aproveitados nas construções de pontes, prédios e estrada de ferro do Grande Erechim. A influência alemã em Erechim é perceptível nas artes plásticas, música, na educação, nos esportes, na culinária e tradições.

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