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Rural

Trigo: preço interrompe redução de área

Produtores aproveitam alta cotação e cultivam mais o cereal

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Trigo deve ocupar 34,5 mil hectares na região
Por Rosa Liberman
Foto Arquivo/BD

O bom momento das cotações agrícolas está alterando práticas já anunciadas pelos agricultores, entre elas a redução de área cultivada com o trigo. Na região a área a ser cultivada deverá se manter semelhante a da safra passada, em 34.456 mil hectares, sendo que 20% desta área já foi semeada. Inicialmente, a projeção era de que houvesse uma redução de, no máximo, 5% na área, na região do Alto Uruguai, mas esta projeção foi interrompida e, a área deve se manter simular a da safra passada.

Conforme o supervisor regional da Emater, Paulo Silva, a saca de 60 quilos está cotada em R$ 36 no balcão e este é o fator que tem levado agricultores a mudaram a decisão de não reduzir a área. Devido aos estoques baixos e à demanda das indústrias de carnes e fabricantes de ração pelo trigo, o preço do cereal teve aumento de 20% nos últimos dias. Na praça de Passo Fundo, referência para o mercado do Rio Grande do Sul, a tonelada que era comercializada por R$ 750 passou a R$ 900.

A estimativa inicial era de uma retração da área cultivada com trigo no Estado, devido às duas safras anteriores ter quebras significativas, que desanimaram bastante o produtor. O preço até então, também não estava atrativo em relação a outras culturas, e o câmbio estava desfavorável, visto que eleva os custos de produção.

Contudo, segundo o analista de mercado Jonathan Pinheiro, da Safras & Mercado, com a indicação de La Niña para esta temporada, fator positivo para a cultura no Estado, e da grande procura das indústrias de ração, para substituir o milho que estava escasso no país, e a preços elevados, fez com que ocorressem grandes elevações nas cotações internas do trigo, seguindo na contramão da tendência mundial, que está com estoques elevados.

“Entretanto, vale lembrar que existe uma expectativa de elevação da produção argentina, devido à mudança na política de exportações do país vizinho, fator baixista para o cereal brasileiro. Outro fator de destaque, é que o preço do milho já começa a cair no país, e justamente este preço que sustenta as cotações do trigo atualmente, desta forma, o mercado poderá manter as cotações durante um período nominal, já que a disponibilidade do mesmo no país é baixa, contudo, com a volta da liquidez, a tendência será de baixa”, explica o analista.

Tendo em vista esta conjuntura, Pinheiro salienta que a expectativa no curto prazo é de elevação da área, já justificada pela maior procura por sementes no Estado. Contudo, a baixa oferta preocupa, já que isto fará com que alguns produtores busquem alternativas por sementes de qualidade inferior, e que não garantirá o retorno de seus investimentos, além da já tendência de baixa para o início da próxima temporada.  

 

Clima X trigo

As baixas temperaturas e geadas consecutivas não causaram danos às culturas de inverno, como o trigo. De acordo com o supervisor regional da Emater, Paulo Silva, o que prejudica o cereal são as geadas tardias, em setembro, quando a planta está em fase de espigamento.

 

Previsão do tempo

O ar frio e intenso de origem polar perde força a partir desta terça-feira, com a temperatura entrando em elevação gradativa. Nos últimos dias foram registradas as menores temperaturas dos últimos 16 anos para o mês de junho, com mínimas abaixo de 2ºC e formação de geadas consecutivas – pelo menos sete.

De acordo com o observador meteorológico da Embrapa Trigo, Ivegndonei Sampaio, para hoje a previsão é de o dia ficar claro a parcialmente nublado, com mínima em 4ºC e a máxima podendo chegar aos 18ºC e possibilidade de formação de geada fraca.

Na quarta-feira o dia fica parcialmente nublado a nublado, com temperaturas oscilando entre 6ºC e 18ºC. Na quinta, o dia inicia nublado, passando a encoberto, com possibilidade de chuva e temperaturas variando entre 10ºC e 16ºC.

Conforme o observador meteorológico, nos primeiros 13 dias do mês não foram registradas chuvas e, no mês anterior já foi marcado mês com menor precipitação pluviométrica do ano, com chuvas abaixo da média.

Conforme prognóstico climático do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a temperatura das águas da superfície do mar no Pacífico já entrou em resfriamento, indicando que terminou o ciclo do El Niño, que atuou desde o inverno de 2014 e perdeu força em maio. O La Niña está previsto para começar a atuar na primavera, mas suas características, como chuvas abaixo da média devem marcar o inverno que inicia na próxima segunda-feira, dia 20. A estação também terá temperaturas mínimas e máximas abaixo das medias de acordo com Sampaio. “o indicativo é de que teremos um inverno seco e mais frio. Como não tivemos muito frio desde 2012, esse pode ser o inverno mais rigoroso dos últimos quatro anos”, diz.

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