A cadeia do agronegócio está reunida em Erechim desde ontem, quando teve início o VII Simpósio Sul de Pós-colheita de Grãos, que acontece até esta quinta-feira, na Associação Comercial, Cultural e Industrial de Erechim (ACCIE). A realização desta sétima edição é da Associação Brasileira de Pós-colheita (Abrapos), Emater-RS, prefeitura e Cotrel.
A capacidade de armazenagem total estática do Estado é de aproximadamente 28 milhões de toneladas conforme dados Conab, segundo o agrônomo Valdomiro Haas, da Secretaria Estadual de Agricultura, que palestrou na tarde de ontem. Mas a produção de cada safra passa de 30 milhões de t, por isso a importância de um programa que amplie essa capacidade de armazenagem.
O maior desafio, segundo Hass, é para que seja ampliada essa capacidade em nível de propriedade, para que assim, o produto chegue ao mercado aos poucos e o ano todo, diluindo o pico de safra. “Desta forma, o produtor mantém a chave do cofre”, diz.
Com o tema a Sustentabilidade: Armazenagem e Segurança Alimentar, o simpósio foi aberto ontem, com a presença de autoridades. Na ocasião, o coordenador do evento, Nilton Cipriano de Souza, falou que o Brasil perder R$ 1,5 milhão por ano por produto mal armazenado. E destacou o esforço de entidades para a realização do Simpósio que vai marcar a história na pós-colheita na região do Alto Uruguai.
O presidente da Abrapos e pesquisador da Embrapa Soja, Marcelo de Oliveira destacou que as informações repassadas no Simpósio possam ser aplicadas nas propriedades. O diretor técnico da Emater, Lino Moura, comentou sobre o esforço que o produtor tem e que passa por pesquisa, cooperativa, extensão rural, técnicos para aumentar a produção de grãos e toda essa cadeia tem feito bem a lição de casa, tanto que desde 1977 aumentou em 55% a área cultivada e a produção cresceu em mais de 300%. “Mas não dá para entender que depois de pronto se perde muito, desde na colheita, mas também na armazenagem. A Emater tem sido parceira para difundir o conhecimento da pesquisa e o conhecimento gerado pelos próprios agricultores. Estamos participando do Simpósio com um estande na questão da energia fotovoltaica para reduzir o custo desta armazenagem”, diz. O presidente da Câmara, Lucas Farina, acolheu os participantes do Simpósio e desejou sucesso ao evento.
Já o coordenador geral das Câmaras Setoriais, Rodrigo Rizzo, que esteve representando o Secretário da Agricultura, Ernani Polo, apontou o forte trabalho realizado com alguns temas, entre eles a conservação de água e solos e que, a sequência deste programa resulta na possibilidade de aumentar a área de plantio de milho. “Aí estaríamos criando um problema a mais, porque nossa produção será maior e teremos que guardar mais. Mas não se justifica esse volume importante em percentual de perdas no Brasil. Pensamos uma lavoura, implantamos, injetamos dinheiro e depois disso tratamos, colhemos e depois disso vem como armazenar tudo o que se investiu”.
A vice-prefeita Ana Oliveira salientou que a sustentabilidade é um tema que tem que ser tratado em todas as áreas. “Precisamos pensar e debater sobre o uso de uma energia renovável - fotovoltaica. Além disso, temos no Brasil um problema sério de armazenagem. Temos 5% das propriedades que utilizam de sua própria armazenagem, enquanto que em países desenvolvidos essa armazenagem varia entre 30% a 60%. Como fazer para evitar a perda de 30% de nossa safra? Melhorando as políticas de proteção ao produtor e ao produto”, ressaltou Ana.
Em seguida o Programa Estadual de Armazenagem foi abordado em uma palestra e as energias alternativas na secagem e grãos também foram discutidos em painéis.