O Governo do Estado, por meio da Emater-Ascar e da Secretaria da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural, divulgou nesta semana a projeção inicial da safra de inverno 2022. Pelo levantamento, a área de trigo prevista é a maior desde 1980, com 1,4 milhão de hectares implantados. Se essa estimativa se confirmar, a produção ficará à frente da segunda maior safra, em 2021, quando se colheu 3,5 milhões toneladas do grão. A terceira maior produção foi em 2013, com 3,3 milhões de toneladas.
Na região Alto Uruguai foram realizadas estimativas nos 32 municípios e os dados sinalizaram que, para a cultura do trigo pode haver um aumento de área, considerando que a maioria dos produtores que o cultivam, investem posteriormente na soja e buscam, após os prejuízos causados pela estiagem, uma recuperação. Além da lucratividade, o investimento favorece o cuidado do solo e rotação de cultura. “Além do fator do estímulo ao cultivo nesse período, para não focar somente na safra de verão, há também os preços favoráveis do trigo, que chegam à média de R$ 120/saco e sabemos que os produtores necessitam ter uma renda mais rápida, principalmente em razão da seca ocorrida recentemente. Ao mesmo tempo, a guerra entre a Ucrânia (quarto maior produtor mundial de trigo) e Rússia (maior produtor mundial de trigo), impacta nas negociações do mercado mundial. Mesmo que o Brasil não importe o cereal desses países, pode sentir reflexo nos preços”, analisa o engenheiro agrônomo e Assistente Técnico Regional (ATR) da Emater, Luiz Angelo Poletto.
Vale ressaltar que o Brasil consome em torno de 12 milhões de toneladas de trigo somente para a alimentação da população. Esse quantitativo é importado da Argentina, Uruguai e Paraguai. “Não temos opções de aumentar a área de cultivo na safra de verão, mas no inverno é possível ampliar e realizamos um trabalho para incentivar os investimentos, visando principalmente, a renda dessa atividade”, acrescenta.
De acordo com Poletto, em 2020 plantávamos 32.000 hectares de trigo e no ano passado já houve um incremento expressivo, passando a 48 mil hectares. “Com essas ações, visávamos atingir em torno de um terço da área agrícola das culturas de verão, em que temos em torno de 300 mil hectares de área plantada entre soja, milho e feijão. Isso corresponderia a cerca de 100 mil hectares destinados ao trigo. Estamos chegando perto, pois, com base na intenção de plantio, poderemos atingir 62.440 hectares, um aumento de 30% da área de plantio”, pontua. Isso quer dizer que, em praticamente dois anos, a região pode duplicar a produção de trigo que atualmente não é utilizado somente para panificação, mas para exportação, etanol, silagem e, até mesmo, à alimentação do gado. “Com base no trabalho que a Embrapa desenvolve, pode ocorrer uma “revolução” nas culturas de inverno, principalmente no que se refere ao trigo e à cevada. Isso se deve às novas variedades em estudo. Devemos acreditar na ciência e todos os avanços que as pesquisas possibilitam e que podem ser compartilhadas com os produtores”, reitera o engenheiro agrônomo.
Cuidados essenciais
De acordo com Poletto, o principal foco nas propriedades está na rentabilidade, considerando o valor alto de fertilizantes e outros produtos. Por isso, o primeiro conselho é que seja observado o fato de haver adubo no solo. “Quando ocorre uma estiagem, o grão não aproveitou a adubação que havia sido colocada, por isso, pode haver sobras. Para confirmar, é necessário fazer análise de solo. Desse modo, busque orientações com a equipe de assistência técnica de sua confiança e, ainda, utilize sementes de qualidade, na quantidade adequada (300 grãos por metro quadrado – segundo orientação da Embrapa), e efetue o plantio na hora certa, observando o intervalo com mais chances de geada para evitar que a planta esteja no período reprodutivo. Caso contrário, pode haver muitas perdas”, orienta o ATR da Emater ao citar que, o ideal é plantar até o dia 20 de junho.
Na mesma linha, os tratamentos merecem uma atenção e iniciam normalmente no período vegetativo, a cada 20 dias, conforme o acompanhamento e a quantidade de chuva. “Quando o tempo está seco, não há necessidade de fazer muitas aplicações. As estimativas do setor de meteorologia da Emater é de que o clima seja favorável para as culturas de inverno”, acrescenta.
Na opinião de Poletto, um aspecto que merece destaque é que os produtores estão, cada vez mais, se capacitando na atividade de grãos, especialmente em milho, trigo, soja, e com isso buscam a rentabilidade e o aumento da produtividade. “Contudo, devido à estiagem, muitas famílias enfrentam uma situação mais delicada e aguardam a liberação do crédito rural para investir em insumos que estão com valores altos. Esperamos que isso ocorra em tempo hábil, considerando o prazo indicado para o plantio”, enfatiza.
Outras culturas
Em relação às outras culturas, o Alto Uruguai estima ter 11.944 hectares dedicados à cevada e 9.708 hectares de aveia (grão). Uma curiosidade é que a região é a que mais registra área plantada de cevada no Estado e o destaque vai para o município de Sertão que cultiva mais de 3 mil hectares da cultura.