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Rural

Desafios no campo x demanda crescente por alimentos

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Tecnologias e manejos podem ser adotados para ampliar a produtividade nas mesmas áreas exploradas
Maristela Camillo
Maristela Camillo
Por Izabel Seehaber
Foto Divulgação/

Um dos destaques mais expressivos na região Alto Uruguai é o potencial agrícola e isso se reflete em âmbito de Estado e País. Conforme a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil, o agronegócio representa 21% do Produto Interno Bruto (PIB) e 46% de toda exportação. Diante disso, é necessário debater sobre a crescente demanda mundial por alimentos.

A engenheira agrônoma, doutoranda em Fitotecnia e docente no curso de Agronomia da URI Erechim, Maristela Camillo, destaca aspectos essenciais que podem contribuir em resultados efetivos, especialmente em qualidade. “Em meio às crises econômicas, observamos que o agro exerce um papel fundamental para manter o Brasil em uma situação melhor, considerando que há cenários distintos em meio a diversidade de riquezas e condições climáticas que favorecem a execução dessas produções”, destaca ao mencionar que a região possui um solo muito bom e há condições de ser melhorado, sendo que isso já é feito por alguns produtores, além de precipitações bem distribuídas, aspectos que se tornam aliados de uma agricultura diversificada. “O Alto Uruguai destaca-se, de modo geral, por propriedades de tamanho menor, no comparativo a outras regiões do Brasil, com uma média de 16 hectares. Entre as atividades, evidenciam-se: grãos, produção leiteira, fruticultura (que vem expandindo significativamente) e isso faz com que a região se torne muito rica no meio agrícola”, salienta Maristela.

Mesma área, mais produção

Segundo a pesquisadora, atualmente é buscado efetivamente na agricultura: produzir mais e melhor, na área que já vem sendo explorada. “Isso é possível pois temos tecnologias e diversos tipos de manejos que podem ser adotados para otimizar esse processo. Então, não podemos mais pensar em agricultura sem falar em sustentabilidade. Precisamos aumentar o que vem sendo produzido, em quantidade e qualidade, isso é indiscutível, afinal, a demanda por alimento vai crescer (algumas estimativas já sinalizam que o Brasil será responsável por 40% da alimentação mundial), contudo, essa questão de aumento de áreas vai alcançar um limite e por isso, refletir sobre melhorias no manejo é a principal alternativa”, ressalta.

Isso envolve desde uma boa semeadura, com a escolha adequada de sementes para o local, além do seguimento do princípio de plantabilidade, manejo de pragas e doenças, plantas daninhas e adubação mineral do solo.

Atenção às perdas

Em contrapartida, um desafio assinalado pela docente da URI, contempla a parte pós-colheita, onde são verificadas frequentes perdas, tanto na área de grãos, como de frutas, hortaliças, entre outras. Estudos da Embrapa apresentam que, em âmbito nacional, do total produzido na linha de fruticultura, horticultura e olericultura, em torno de 30% são perdas, o que representa 5 mil toneladas de alimentos que não são consumidos por ano. “Em grãos é mais difícil de mensurar, pois pode cair da máquina no ato da colheita, do caminhão, na hora de processar no silo. Tudo isso, por meio de técnicas de manejo, poderia ser reduzido, aumentando a disponibilidade de alimentos”, enfatiza Maristela.

Custos elevados e outros desafios

Para manter um sistema de produção, o que nem todos sabem, principalmente no meio urbano, é que o custo é muito elevado. “Ao passo que o consumidor considera um absurdo o preço da caixa de leite por R$ 7, o produtor, que está na outra ponta, dependendo de insumos e do diesel que estão mais caros, além da questão climática – levando em conta os prejuízos causados pela estiagem, precisa encarar muitos gastos para manter as atividades”, assinala Maristela.

Como orientação, ela pondera que, no caso do clima, algumas tecnologias, sejam mais simples ou aprimoradas, podem auxiliar a minimizar os impactos, a exemplo do sistema de irrigação. “Porém, é algo que deve ser bem avaliado, se realmente compensa e se há condições de ser implementado”.

Já na fruticultura, o sombrite pode ser adaptado nos pomares para ampliar a proteção nas situações de granizo. Há regiões, ainda, em que os produtores investem também em tecnologias nas próprias sementes, por meio de cultivares que já se desenvolvem melhor em situações de stress hídrico. “As tecnologias estão disponíveis, o produtor tem acesso e é preciso conhece-las, buscar as alternativas e adequar à respectiva realidade, verificando, ainda, a necessidade de alguns investimentos”, alerta a doutoranda.

Por fim, ela enaltece que a agricultura está cada vez mais digital e a gestão é fundamental. “Aquele produtor que tem o hábito de anotar tudo e fazer um controle efetivo, normalmente é aquele que tem a capacidade de tomar as melhores decisões e tornar a propriedade cada vez mais produtiva”, afirma Maristela.

Conhecimento, tecnologias e estímulo à permanência no campo

Assim como em todo negócio, a atualização se torna uma aliada e, ainda, é fundamental a assistência técnica, principalmente na gestão. “Isso porque, cada tomada de decisão exige um conhecimento técnico. Há empresas e órgãos que fornecem suporte aos produtores nas diferentes áreas. A Emater também acompanha as famílias e não deixa os produtores sem as chamadas respostas agronômicas”, pontua a professora ao citar que na URI, vários alunos são filhos de produtores. “Ficamos muito satisfeitos quando questionamos sobre a vontade deles em retornar ao campo e encontramos respostas afirmativas. Isso é importante do ponto de vista da sucessão rural, sendo que há regiões em que esse panorama é diferente. Aqui, muitos jovens buscam um ensino superior ou curso técnico com o intuito de ampliar o conhecimento e melhorar a propriedade dos pais”, ressalta.

Nesse sentido, algo que está atrelado são as tecnologias. Nas propriedades em que os pais estão dispostos a incrementar a propriedade com inovações, elas se transformam em estímulo para os jovens que muitas vezes reconhecem que os investimentos podem alavancar a propriedade.

 

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