Uma noite marcada por conhecimento, avaliações e reflexão. Assim pode ser definida a programação realizada no dia 30 de junho, no Sindicato Rural de Erechim. O evento, que reuniu 60 produtores, contou com a explanação do economista-chefe do sistema Farsul, Antônio da Luz, que fez suas considerações por videoconferência, em razão de ter se envolvido em um acidente no trajeto à Erechim, onde conversaria pessoalmente com os participantes.
A palestra, que seria no formato presencial, foi organizada pelo convidado no próprio caminho e rendeu muitos elogios por parte dos participantes.
De acordo com o presidente do Sindicato Rural, Clóvis Tonin, foi uma oportunidade especial e de extrema importância para os profissionais do ramo agrícola. “Para nós é motivo de imensa satisfação, obter informações tão relevantes sobre o cenário da produção de alimentos, mercado de grãos, como trigo, soja, milho, e as perspectivas do Plano Safra 2022/2023. Aproveitamos para reforçar o agradecimento ao Antônio, exemplo de profissionalismo e caráter”, reiterou Tonin ao mencionar que o economista, mestre em Economia, doutorando em Economia do Desenvolvimento pela PUC e pós graduado em master business, é um dos 89 profissionais brasileiros e estrangeiros que são consultados pelo Banco Central na elaboração dos relatórios de mercado – Focus, sobre o PIB, inflação, juros, câmbio e outras áreas.
A programação contou, ainda, com a presença de integrantes da Comissão Jovens no Campo, representado pela presidente Jéssica Loch e pelo Alan Tormem, que mostraram ao público mais detalhes sobre a representação e o compromisso do grupo. “Eles estiveram em um evento em Gramado, em que eu também participei com outros 90 presidentes de sindicatos e 300 filhos de produtores”, acrescentou.
Análise do Plano Safra 2022/2023
De acordo com Antônio da Luz, trata-se de um plano bom e sobretudo coerente. “Vem na linha que imaginávamos e no máximo que as condições do País, nesse momento, proporcionam. Houve um aumento de 36% em relação ao último, para 341 bilhões, focado em giro, custeio e comercialização. A proposta vem ao encontro do que as leis do agro e do Fiagro já indicavam. Isso representa usar cada vez mais o recurso público e direcionar para a agricultura familiar. Já os demais produtores, que compõem a maior parte da agricultura brasileira, ficam com recursos livres no mercado, o que cresceu 69% nesse Plano Safra”, explicou.
No caso do Pronaf e Pronamp, assinalou o economista, que são recursos 100% controlados, o governo banca a subvenção aos juros e os demais produtores contam com recursos livres em bancos, cooperativas de crédito ou mercado de capitais.
Na área de investimentos houve o privilégio do Programa para construção e ampliação de armazéns (PCA) com juro de 8,5%; Programa ABC - destinado a incentivar uma agricultura de baixo carbono no país, com juro de 7 a 8,5% e o programa para troca de máquinas, com juro de 12,5%. “O produtor precisa ficar atento e deve considerar a própria viabilidade econômica, ou seja, não se deve deixar de fazer investimentos porque o juro está mais alto ou fazer somente porque a taxa está mais baixa”, orientou.
Ainda conforme Antônio da Luz, o anúncio relacionado ao Seguro Rural que saiu de 1 bilhão para 2 bilhões, foi um indicador acima das expectativas.
Mercado de grãos
O convidado, ao fazer uma análise específica do mercado de grãos, iniciou sua fala sobre a soja, considerando o mercado mundial. “No contexto brasileiro é algo ainda muito pequeno e o que rege todo o sistema é o mercado mundial, por isso é necessário entendê-lo”, ponderou ao enfatizar que há uma expectativa de crescimento de 12,3% da produção em 2023, tendo em vista a situação difícil vivenciada neste ano, em razão das condições climáticas.
A estimativa é que, no comparativo com o recorde registrado em 2021, sejam produzidas mais de 10 milhões de toneladas, chegando a 395 milhões de toneladas. “Será que conseguimos atingir esse ideal?”, questionou o economista citando o desempenho de outros países como Estados Unidos, que iniciou o plantio de modo desfavorável e a Argentina que se recupera de problemas causados pela estiagem.
Do mesmo modo, citou que o consumo de soja cresce significativamente e só não foi maior em razão da falta do grão em todo o mundo. “Acredito em preços firmes mas não aconselho que os produtores esperem, mas sim, que vendam à medida que o preço subir”, comentou.
No caso do trigo, deve ser registrada uma redução da produção na safra 2023. O relatório de junho do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), a queda de 0,7%. No entanto, acredito que esse indicador possa reduzir ainda mais. “O consumo segue com tendência de crescimento e acho que isso pode mudar em 2023 por falta de produto”, apontando para uma crise mundial de alimentos que se aproxima. “Os preços estão firmes exatamente pela situação delicada que a atividade enfrenta desde 2021 com alto consumo e dificuldades na produção”, assinalou.
Sucesso do evento
“Agradeço pelo convite em participar desse grandioso evento no sindicato. Não conheço o palestrante pessoalmente, mas gostaria de deixar meu agradecimento pelo exemplo e modo que conduziu a palestra. Isso demonstra o comprometimento e a seriedade que um profissional do teu gabarito, possui. Mesmo à distância, as informações e o recado que você pretendia enviar aos participantes, foi transmitido com êxito por meio da tecnologia. Muito obrigado!” Paulo Roberto Dumke – diretor da Olfar
“Foi uma ocasião muito importante. Gostamos muito de compartilhar tantas informações e gostaria de agradecer, em nome da família De Bona, a você, pela organização do evento e, ainda, ao palestrante, que, mesmo em uma situação desafiadora, não deixou de cumprir com a agenda e gravou o material que foi repassado a todos nós. Aguardamos pela próxima oportunidade!”, João Vicente De Bona Filho – diretor executivo da KESOJA.