Ontem (13), foi realizado em Viadutos um evento de incentivo à bioenergia “biogás”, gerada a partir dos dejetos da suinocultura. A organização foi da prefeitura por meio da Secretaria da Agricultura e Meio Ambiente e escritório municipal da Emater.
Prestigiaram a ocasião, o prefeito, Claiton dos Santos Brum, o vice-prefeito, Gilvan André Sperotto, o secretário da Agricultura, Alceu Lira, o supervisor regional da Emater e engenheiro agrônomo, Valdir Pedro Zonin, o chefe do Escritório Municipal da Emater, Hernandes Peri Rebelato, além de representantes do Banrisul, Sicredi, Cresol, Cooperalfa, STR, Olfar, Campo Forte e Câmara de Vereadores.
Ainda na oportunidade, foi inaugurado o Auditório Municipal do Agro, com capacidade para 50 pessoas, nas dependências da prefeitura, onde estão sediadas a Secretaria da Agricultura, Emater e Inspetoria Veterinária. Também foi apresentado oficialmente à comunidade o técnico da Emater, Antônio Pandolfo, anteriormente sediado em Marcelino Ramos.
Após a abertura do evento, o secretário Lira apresentou aos suinocultores a problemática atual do caminhão que faz a distribuição dos dejetos líquidos da atividade. Também foi organizado o sistema de funcionamento e escalonamento dos serviços a serem prestados ao longo do ano, obedecendo as horas de serviço prestadas em função do tamanho da atividade.
O prefeito Claiton, por sua vez, explanou a situação atual do município, principalmente nas principais atividades que incrementam retorno de ICMS. Em ordem de importância estão as seguintes culturas e criações: soja, bovinocultura leiteira, suinocultura, avicultura, milho, trigo, erva-mate, bovinocultura de corte e outras. O chefe do Executivo também se colocou à disposição para o apoio necessário na viabilização dos biodigestores.
Na sequência, o supervisor da Emater apresentou o novo marco legal de incentivos à modalidade bioenergética do biogás. “Essa opção, possível de ser implementada nas atividades suinícolas, além de contribuir com a redução de gases nocivos ao meio ambiente, também incrementa três novas fontes de renda na atividade que, somadas, superam a receita líquida da venda dos suínos. Essas fontes de renda são geradas a partir da instalação de biodigestores, os quais irão reter os gases produzidos pelos dejetos em suas esterqueiras armazenadoras”, explicou Zonin.
O biogás retido no biodigestor é canalizado podendo ser transformado na primeira fonte de renda que é a produção do gás de cozinha ou transformado em energia elétrica injetada na rede. “Um estabelecimento com 1.200 suínos, por exemplo, pode gerar 3 botijões de gás (13kg) por dia, que pelo preço atual equivale a uma receita de R$ 140.000,00/ano”, acrescenta.
A segunda e também importante fonte de renda são os dejetos já fermentados, os quais são mais concentrados, ricos em macro e micronutrientes devido as etapas fermentativas e homogeneização. Cada metro cúbico destes dejetos passa a valer em torno de R$ 70. Essa mesma granja, citada acima, de 1.200 suínos, gera anualmente cerca de 2.160 metros cúbicos de dejetos, ou seja, uma receita de R$ 151.200.
A terceira fonte de recursos são os créditos de carbono, conforme amparo na Portaria Federal MMA nº 71 de 21.03.22 e DECRETO RS Nº 56.348 DE 26/01/2022, que além de garantir recursos incentivando a produção de Biogás, possibilitam a inserção do biogás no programa RenovaBio do MME e disponibilizam a ferramenta RenovaCalc para que, por meio de projetos com empresas credenciadas, possa ser calculado o valor anual desses créditos que serão pagos aos produtores de biogás. A verba já é garantida pela ANP, que obriga os distribuidores que venderem combustíveis fósseis, comprar créditos de descarbonização de maneira proporcional ao montante de combustível fóssil comercializado.