A semana encerrou em Erechim com uma programação voltada especialmente ao público feminino. Isso porque a quarta edição do Encontro de Mulheres Agricultoras Familiares, evento promovido pelo Sindicato Unificado dos Trabalhadores na Agricultura Familiar do Alto Uruguai (Sutraf), reuniu centenas de produtoras rurais na manhã de hoje (19), no CTG Galpão Campeiro. O tema central do evento foi: “Eu sou porque nós somos: mulheres e sindicalismo na agricultura familiar”.
Para a coordenadora do Coletivo Regional de Mulheres, Marialva Lunkes, o momento refletiu a alegria pelo reencontro e a luta em busca de direitos, reconhecimento e valorização das mulheres. “Precisamos resgatar como é importante nos reunirmos enquanto coletivo. Agradeço a todas que, mesmo em um dia de muito frio, participaram do encontro”, enalteceu.
Entre olhares curiosos e um diálogo e outro, o que não faltou no evento foram sentimentos de entusiasmo, expectativa e força.
Na visão da colaboradora do Coletivo de Mulheres do município de Três Arroios, Rosangela de Lima Breitembach, as mulheres precisam ser mais independentes, valorizadas e protegidas. “Vejo que o encontro faz com que tenhamos mais espaço, em todos os sentidos, afinal, a mulher pode ficar onde ela quiser. Podemos modificar o mundo e torna-lo bem melhor”, salientou.
Grandiosas oportunidades
As atividades contaram ainda com a presença masculina. Em meio aos debates, o foco na importância da união das mulheres na busca por mais reconhecimento. Seja no campo ou na cidade, para as lideranças, oportunidades como essa, se tornam engrandecedoras.
O coordenador geral do Sutraf-AU, Alcemir Bagnara, agradeceu a todas as lideranças e coordenadoras dos coletivos municipais pelo trabalho e motivação às mulheres nos municípios. “O trabalho foi importante para que pudéssemos estar aqui. A luta pelos direitos é de todos e precisamos estar unidos buscando lutar por políticas públicas que concedam dignidade aos agricultores. O lugar das mulheres é no sindicato”, declarou.
Da mesma forma, o coordenador geral da Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar do Rio Grande do Sul – Fetraf/RS, Douglas Cenci, destacou que é preciso união para a cobrança de políticas públicas que promovam uma vida digna às agricultoras e que somente por meio da luta ocorrem as conquistas.
Palestra
Na sequência dos pronunciamentos das autoridades, a manhã encerrou com uma palestra da militante do Movimento de Mulheres Camponesas, doutora em Desenvolvimento Regional, Sirlei Gasparetto. “Saúdo a todos que acreditam que a nossa existência enquanto seres humanos, enquanto humanidade, só tem sentido enquanto defendermos a vida e lutarmos pelos direitos, por acreditarmos que os seres humanos podem viver em dignidade. A importância de um evento como esse é para despertar e motivar as mulheres para aquilo que é a nossa tarefa, que é construir novas relações”, ressaltou.
Após o almoço, as participantes seguiram em caminhada até o Seminário Nossa Senhora de Fátima, onde foi lida uma Carta aberta do Coletivo Regional de Mulheres. O documento expressa os desafios e desejos das mulheres. Ao fim, balões com palavras escritas com desejos foram soltos simbolizando o encerramento do IV Encontro.