Um levantamento divulgado pela Emater/Ascar ainda no mês de agosto apontava que o cultivo de trigo no Estado deveria registrar produção recorde. Agora, na fase próxima à colheita, que tem início previsto para o fim do mês no Alto Uruguai e já acontece em outras regiões, os indicadores permanecem otimistas.
Ao fazer uma avaliação do cenário regional, o engenheiro agrônomo da Emater, Luiz Ângelo Poletto, salienta que a Emater e outras entidades desenvolvem um trabalho com o objetivo de aumentar as áreas com culturas de inverno como fonte alternativa de renda aos produtores. A estimativa sempre foi chegar a um terço da área plantada com culturas de verão, a exemplo da soja e milho que registram cerca de 300 mil hectares. “A ideia é que o trigo não seja apenas uma cobertura de solo mas uma maneira de as famílias obterem lucratividade após os constantes investimentos. Isso já é observado nos últimos anos: em 2020 eram 32 mil ha de trigo; em 2021, passou para 48 mil ha e neste ano, houve um aumento de 47% em relação ao ano passado, chegando a 71.560 ha”, pontua o engenheiro agrônomo.
Na avaliação de Poletto, a expectativa para a colheita do trigo é boa, apesar da ocorrência de geadas ocasionais e chuvas fortes. Alguns municípios registraram perdas, a exemplo de Aratiba que sofreu temporais, contudo, em outras localidades não houve prejuízos significativos. “A produtividade esperada era de 57 sacas/hectare e Poletto acredita que é possível chegar a 55 sacas/ha. A expectativa em âmbito de Estado é colher 4 milhões de toneladas, tornando o Rio Grande do Sul o maior produtor de trigo do Brasil, ultrapassando o Paraná. Na região a estimativa é produzir 1.200.000 sacas a mais. Com base no preço atual, que varia de acordo com cada município e fica entre R$ 91 e R$ 94, a cultura deve resultar em torno de R$ 120 milhões em recursos financeiros que irão circular no Alto Uruguai”, comenta ao mencionar que, ao passo que não é possível ampliar as áreas para culturas de verão, o foco está na melhora da produtividade. O trigo contribui nesse processo e para que no momento de investir no plantio da soja, as chances de obter melhores resultados, se intensifiquem, com um solo mais preparado.
Ao encontro dessa ideia, no caso das culturas de inverno, ainda é possível crescer, tendo em vista uma safra positiva e a estabilidade de preços.
Investimentos
Com um olhar para o futuro, Poletto acredita que nos próximos anos serão feitos novos investimentos, a exemplo do que já ocorre hoje por meio do plantio da ervilhaca (vicia) para produção de sementes. “Hoje em dia muito se fala sobre os mix de plantas de cobertura, que são considerados de alto custo para investir na lavoura com foco no aumento da produtividade de soja e milho. Em Entre Rios do Sul, por exemplo, há 2 mil hectares dedicados para a ervilhaca que, se misturada com a aveia, azevém, triticale e outras alternativas de inverno, se tornam aliadas no cuidado do solo e, ainda, a comercialização para empresas oferece mais uma opção de renda aos produtores”, explica.
Cevada e aveia branca
Outra importante atividade desenvolvida refere-se a cevada, a qual alcança no Estado em torno de 36 mil hectares. Neste ano, a região chegou a aproximadamente 12 mil hectares, com aumento de 10% na área. Do mesmo modo, está a aveia branca que garante em torno de 9.500 hectares.