O Rio Grande do Sul cultiva 3.396 hectares com noz pecã com uma produção de 1.695 toneladas, envolvendo 925 mil famílias. O município que mais se destaca é Cachoeira do Sul, com 866 hectares cultivados e produtividade de 528 toneladas. Estão envolvidas 80 famílias com a cultura.
Na região, Itatiba do Sul e Gaurama tem produção de noz pecã. Em Itatiba do Sul são destinados 9 hectares junto com 1 ha de laranja e 5 ha de eucalipto, num trabalho de reflorestamento. O produtor está no quarto ano de produção.
Em Gaurama há dois produtores. De acordo com o técnico agrícola da Emater de Gaurama, Sigismundo Nadir Woloszun, um deles tem 1 ha plantados há três anos e o outro que cultiva há mais de 40 anos 1,5 hectares.
Na propriedade de Valdemar e Diles Franceschini, em Linha Baixo Caçador são 20 hectares, e o produtor trabalha com citricultura, milho, gado de leite e noz pecã.
“Estamos na atividade desde 1967”, diz o produtor. Em anos normais a produtividade chega a 2.000 kg/ha de nozes sem casca. Neste ano, devido aos problemas com a chuva no ano passado e pelo ataque de caturritas, a safra teve quebra e a produção foi de 500 kg de nozes sem casca. Mas o mercado é garantido. A família comercializa para uma padaria de Erechim há 18 anos, e o preço está em R$ 50,00 o kg.
Entre as vantagens da atividade está a rentabilidade, a utilização da mesma área para pastagem, viabilizando o sistema agrosilvopastoril. “Consegui pagar a faculdade das três filhas com o comércio das nozes”, diz.
Além das nozes, possui 22 vacas com produção mensal de 4 mil litros/mês, onde utiliza a mesma área das nogueiras com pastagem para as vacas.
Com relação aos citros possui 1 ha sendo 0,5 ha com tangerina Murcot e 0,5 ha com laranja Valência. Comercializa para o PNAE (Programa Nacional de Aquisição de Alimentos) com produção de 12 mil kg/ano. E o milho são 5 ha para silagem.
“Você pode desenvolver outra atividade no meio agroflorestal, tem garantia do comércio, e a rentabilidade é boa”, salienta Woloszun.
Conforme o agrônomo da Emater Regional, Nilton Cipriano de Souza, trata-se de uma cultura permanente, demora um tempo para começar a produzir. Por isso é consorciada com outras atividades, principalmente pecuária, ovelha, gado, pastagem.
Para começar a produzir leva em torno de seis anos. Mas como é uma árvore perene, pode durar até 200 anos.
Tratos culturais
No plantio é preciso o preparo de solo, adubação, abertura das covas, depois, conforme Souza explica, se controla as podas no início para dar formação da abertura da árvore, controle das formigas, de pragas e doença.
Colheita
As primeiras colheitas são feitas a partir do 6º ano e a produtividade média se estabelece com 12 anos, podendo chegar até 2,5 mil quilos por hectare. Hoje, no pequeno produtor, a colheita é feita manualmente, ou seja, ele colhe quando ela cai. Já em pomares maiores é feita com maquinário.
Na região, o período de colheita se dá entre maio e julho, mas neste ano, devido ao excesso de chuva no período da floração, quando estava sendo polinizada em agosto e setembro do ano passado provocou quebra de 30 a 40% na safra.
Rentabilidade
O agrônomo salienta que há um custo inicial de produção elevado, mas é uma atividade rentável. “Hoje, o quilo de noz descascada varia de R$ 30 a R$ 40,00. O problema é a demora para começar a produzir. Na hora em que o produtor vai decidir implantar tem que levar em conta o custo para implantar um hectare que gasta em torno de R$ 7 mil. E ele começa a tirar os primeiros recursos a partir do quarto ano, com produção pequena, mas rentabilidade mesmo a partir do sexto ano. E, em 12 anos, a rentabilidade passa a ser de R$ 25 a R$ 30 mil por hectare.
Entre os motivos apontados pelo agrônomo por não haver expansão de área cultivada com noz pecã no Alto Uruguai estão: desconhecimento da cultura, não há tradição; custo de implantação que é alto; demora para começar a produzir. “Os três fatores somados e a pressa para retorno, acaba dificultando a implantação de noz pecã na região. E o produtor acaba optando por outras atividades, mas é uma alternativa para áreas onde não se pode cultivar outras culturas anuais e com vantagem de produzir outras culturas e a própria pecuária conclui.