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Rural

RS discute conservação do solo e água em Tour Tecnológico nesta terça-feira

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Cleuza Noal Brutti/ Emater
Por Cleuza Noal Brutti/ Emater
Foto Cleuza Noal Brutti/ Emater

Especialistas e produtores rurais reúnem-se em Panambi, nesta terça-feira (16/08), para reascender a discussão em torno da conservação do solo e água. O Tour Tecnológico: Manejo e Conservação do Solo e Água terá início às 8h30, na sede da Associação dos Funcionários da Cotripal (Afucopal). À tarde, o grupo visita propriedades com práticas preservacionistas. 

O evento é promovido pela Federação Brasileira de Plantio Direto na Palha (FEBRAPDP), Clube Amigos da Terra (CAT Panambi/Condor, Palmeira das Missões e Ijuí), Emater/RS-Ascar, Cotripal, Cooperativa Central Gaúcha (CCGL TEC), Universidade de Cruz Alta (Unicruz) e Centro de Educação Superior do Norte do Estado do Rio Grande do Sul (Cesnors/UFSM).

Estudo
Realizado pelas professoras da Universidade Regional do Noroeste do Rio Grande do Sul (Unijuí), Leoni Terezinha Uhde e Sandra Fernandes, e pelo engenheiro agrônomo da Emater/RS-Ascar, Dejair Burtet, o estudo ajuda a compreender o que pensa o produtor rural sobre erosão, ao mesmo tempo em que fomenta ações semelhantes a que irá ocorrer em Panambi, nesta terça-feira.

Os dados foram coletados em 2014 e envolvem 120 produtores de leite e grãos, de 32 municípios do Noroeste. 

A maioria dos agricultores entrevistados reconhece o problema da erosão, no entanto não é capaz de dimensionar o tamanho do rombo econômico. “Compreensível, uma vez que é difícil a valoração de bens ambientais”, reconhece o estudo. 

Sobre a possibilidade de implantar o terraceamento, prática mecânica de controle da erosão, apenas 27% dos agricultores admitem a possibilidade de reconstruí-los. 

Sobre os custos de implantação de terraços, 39% estariam dispostos a arcar com as despesas. Os demais, disseram que o poder público poderia assumir os encargos.

Embora resistentes à implantação de terraços, os agricultores indicaram alternativas. As mais lembradas foram cobertura permanente do solo com palha e vegetais, controle da água, plantio direto e pastagens perenes.

O estudo realizado pela Unijuí e Emater/RS-Ascar teria sido motivado após o inverno de 2014. Naquele ano, o Rio Grande do Sul foi inundado por chuvas intensas. Em três dias choveu 300 milímetros. No entanto, estima-se que 60% da água não tenha sido absorvida. No Noroeste gaúcho, a enxurrada provocou erosão em áreas de pastagens e lavouras de trigo, obrigando os produtores a reaplicar fertilizantes e calcário. Para os pesquisadores, o fato seria uma evidência de que o plantio direto é necessário, porém, insuficiente quando empregado de forma isolada. 

Agravantes
Ainda de acordo com o estudo, a erosão ocorre quando não há práticas conservacionistas complementares. O problema vem se agravando desde 1994, com a retirada dos terraços das lavouras para facilitar o manejo das máquinas agrícolas, intensa mobilização do solo, pouca cobertura de resíduos e semeadura realizada em qualquer sentido das glebas - morro acima, morro abaixo. 

O resultado tem sido a diminuição de matéria orgânica no solo, o aumento da emissão de CO2 na atmosfera e a perda de cobertura vegetal.

FAO
O assunto também preocupa organismos internacionais. A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) estima que 33% das terras do planeta estejam degradadas. “Com solo infértil, a humanidade ficaria privada de fontes de alimentação e haveria dramática perda de biodiversidade, comprometendo o bem-estar econômico, social e ambiental, especialmente das populações mais pobres”, alertam os especialistas.

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