Na área onde já se plantou 40 mil pés de fumo, hoje, três estufas de morango semi-hidropônico “dão mais vida” ao terreno do casal Ivone Bujes e Cristian Hollz. “Não é uma beleza?”, pergunta ela, satisfeita com a mudança. A atividade da família, que mora na área rural de Barão do Triunfo (RS), é uma comprovação de que o Programa Nacional de Diversificação em Áreas Cultivadas com Tabaco tem resultados significativos.
Eles recebem orientação da Emater-RS, através da Chamada Pública SAF/ATER n° 06/2013, como acontece com várias famílias da região. De acordo com Cristian Hollz, cultivando morango eles têm mais lucro, mais qualidade de vida e a perspectiva de um futuro melhor: “O que eu faturo agora plantando morango em 1.000m², não conseguia nem de longe faturar nos três hectares que eu plantava tabaco. Era muito mais trabalho e menos dinheiro no final das contas”, diz.
No entanto, mudar o costume de plantar fumo, como dizem os tradicionais agricultores daquela região, não é fácil. “Meus pais sempre foram fumicultores, eu tive que começar do zero uma nova empreitada”, explica Hollz. Além dos desafios já previstos, de aprender uma produção diferente e encontrar um novo mercado, por exemplo, há fatos de só quem vive aquela realidade entende o que significa. “Eu não sabia nem o que queria plantar. Os colegas da Emater é que nos deram a ideia do morango, porque não falta comprador”, relata Ivone Bujes.
Dúvidas parecidas também tiveram os irmãos Simão, Luís Carlos e José Luís Franskowiaki, do mesmo município. Mesmo ainda cultivando 80 mil pés de tabaco por ano, eles já plantam varios tipos de hortaliças, como tomate, repolho e couve-flor. “Até ajustar o que tem menos perda e mais demanda, a gente vai arriscando”, explica Simão. “Arriscar”, para eles, é investir em produções que lhes permitam ir diminuindo aos poucos a área dedicada ao fumo: “Às vezes um lucro maior com alface pode compensar o baixo preço do tomate, por exemplo. Varia muito, mas o bom é que agora tem plantação, produção e venda o ano todo, e não o pagamento uma vez só por ano, como acontece com o tabaco”, diz Simão Franskowiak, que participa de programas do Governo Federal que abrem mercados, como o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE).
Solução criativa
A antiga estufa usada para secar as folhas de tabaco foi transformada em casa, curral e garagem. Assim, João Ocler encontrou diferentes meios de solucionar o mesmo problema: “Eu não sabia como sair do fumo. É difícil, é como um vício”, diz o agricultor, que só quando resolveu parar de plantar tabaco percebeu que o retorno financeiro de uma vida inteira de trabalho nunca chegou a ser suficiente para que ele conquistasse uma estrutura para viver em paz com a família. “Eu fazia dívida todo ano. Quando resolvi investir em leite, fiz uma dívida só, que foi um Pronaf para comprar a ordenhadeira, o tanque e umas vaquinhas. Em pouco tempo eu já paguei, agora estou mais tranquilo e o trabalho não judia tanto”, diz. Atualmente, João participa de uma associação de agricultores familiares do município de General Câmara (RS) e vende leite para uma cooperativa da região.
Christianne Belinzoni, engenheira agrônoma consultora do Programa Nacional de Diversificação em Áreas Cultivadas com Tabaco na Secretaria Especial de Agricultura Familiar e Desenvolvimento Agrário (Sead), explica que perfis como o de João Ocler atendem as condições necessárias para lograr a diversificação. “Ele é organizado, cooperado, tem assistência técnica da Emater, tem crédito e tem acesso ao mercado. Essa é a base da metodologia, é a nossa proposta”, conclui a especialista.