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Rural

Agricultor implanta sistema agroflorestal e aposta na diversidade de culturas para produção de alimentos sustentáveis

Roberto Ezequiel Petroski, morador de Erval Grande, utiliza bioinsumos, homeopatia e biomassa para a preservação do meio ambiente

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Por Emerson Carniel

Dando sequência ao projeto “Água, Meio Ambiente e Vida”, neste 25 de Julho, Dia do Colono, o Jornal Bom Dia foi até a comunidade da Secção Sete de Setembro, em Erval Grande, no Alto Uruguai Gaúcho, em busca de exemplos na agricultura familiar, de como cuidar a propriedade com respeito ao meio ambiente.

O agricultor, Roberto Ezequiel Petroski, 36 anos, após o falecimento de seu pai em 2020, vítima de câncer no Linfoma Não Hodgkin, assumiu a propriedade de sete hectares ao lado da mãe e do filho de 14 anos.

No início, a renda era obtida por meio de um aviário, plantação de soja e milho e algumas cabeças de gado destinadas para leite e carne. Porém, Petroski resolveu trocar o modelo de agricultura convencional para o sistema agroflorestal. A decisão foi com o objetivo de implantar a diversidade de plantas para produção de alimentos orgânicos e melhorar a fertilidade do solo, utilizando insumos biológicos.

Agricultura sintrópica

Do total da área, três hectares são aproveitados para o cultivo de diferentes culturas. Na linha de agrofloresta, o agricultor trabalha com a produção de banana, butiá, laranja, erva-mate, araçá, abacate, café, açaí, eucalipto, cravo da índia e outras árvores nativas. Já nas culturas anuais são plantados tomates rasteiros, mandioca, amendoim, batata-doce, batata inglesa e algumas olerícolas.

“Também temos um bom espaço com cana de açúcar, da qual fizemos açúcar mascavo, melado, chimia no tacho e, em parceria com um alambique, esse ano conseguimos produzir cachaça de cana manejada no sistema agroflorestal”, falou o produtor.

Diversidade

Petroski é formado em técnico em agropecuária e medicina veterinária e sempre esteve ligado aos conhecimentos práticos da agricultura convencional. Ao invés de semear apenas uma cultura, ele decidiu adotar práticas sustentáveis e diversificar sua produção dando condições naturais de evolução ao meio ambiente.

“O sistema de agrofloresta ou agricultura sintrópica é um modelo que se espelha na natureza, obedecendo as regras que o ambiente propõe. Não desenvolveu o que a gente chama de mato à toa, se fosse bom para a natureza ter só uma cultura, teria se desenvolvido só com uma, mas não, ela necessita de uma diversidade”, afirmou Petroski.

 

 

Proteção do solo

A prioridade é proteger o solo e dar condições adequadas de fertilidade. “Procuramos produzir bastante biomassa, palhada, por meio do eucalipto, bananeira ou outras culturas. A deposição da palhada na terra vai alimentar os microrganismos, fungos e bactérias que são benéficos ao meio”.

O processo de preparação do solo é lento. Com a degradação da biomassa ao longo dos anos, o ambiente reúne nutrientes necessários e proporciona ambiente fértil para a implantação das culturas.

“Na agricultura sintrópica tem uma fase de acumulação que é logo depois que você para de fazer o manejo intensivo com apenas algumas culturas. Começamos a diversificar a produção, colocando culturas no meio que são utilizadas simplesmente para a produção de biomassa com o objetivo de acumular novamente nutrientes, isso leva um certo tempo, pois o solo não responde de uma hora para outra”, explicou.

Abundância de nutrientes

A fase de acumulação de palhada é o nível que se encontra a propriedade de Petroski. “É uma fase de acumulação de nutrientes e aumento de biodiversidade da vida, para futuramente chegar em um nível de abundância e não terá mais necessidade de elementos trazidos de fora da propriedade. Basta fazer o manejo correto das podas, dos ciclos, respeitando os momentos certos de plantio que você consegue colher a produção sem o uso de adubo externo”, expõe.

Até chegar ao ponto de abundância de nutrientes disponíveis no solo, outras técnicas são utilizadas pelo agricultor para propiciar um ambiente produtivo que vai desde a adubação verde, uso de biológicos e biofertilizantes caseiros. Outro método desenvolvido é a coleta de microrganismos presentes no mato para aplicação na lavoura.

“Se não conseguirmos levar o mato para dentro da lavoura que consigamos levar alguns microorganismos benéficos e vão ajudar nós fazermos essa potencialização da lavoura. Também o uso de homeopatia, que trabalha com informação e energia, são de extrema importância para ajudar no equilíbrio das plantas, para se fortalecerem e obtermos uma planta forte. Insetos e doenças não vão atacar se a planta estiver bem nutrida em um ambiente favorável”.

Um sistema de resultados

A principal vantagem do sistema agroflorestal é o baixo custo de manutenção. “Os únicos gastos são a mão de obra e algumas mudas que precisam ser adquiridas que não consegue produzir na propriedade e a estrutura básica de algumas máquinas que são necessárias”.

A alta quantidade de palhada no solo evita a perda da camada superficial em períodos de excesso de chuva. “É um sistema que na seca funciona muito bem, porque as raízes conseguem buscar água mais profundamente e na chuva, vemos essa vantagem de não se ter erosão, a perda do solo e consequentemente dos nutrientes”.

A comercialização dos alimentos é feita diretamente aos consumidores, para programas institucionais de alimentação e cooperativas da região.

 

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