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Rural

Criadores identificam potencialidade da ovinocultura

Produtores rurais substituem a produção de leite para criar ovelhas na região do Alto Uruguai

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Atualmente, Pedro Mânica possui 200 animais
Por Rosa Liberman - rosa@jornalbomdia.com.br
Foto Paola Seibt

Com 16.300 cabeças na região, os municípios que mais se destacam na ovinocultura são Erechim, com 2.500 animais, Sertão com 1.200, Barão de Cotegipe e Viadutos. Há um grande déficit de cordeiros a nível de região. A principal causa é ausência de tradição na criação destes animais, como ocorre na metade Sul do Estado. Seguido do conhecimento de manejo.

De acordo com o agrônomo da Emater, Valmir Dartora, um rebanho razoável requer 100 matrizes e para tanto são necessários 10 hectares. “Existe potencial e demanda, mas falta a tradição na pecuária”, diz”.

Mas alguns municípios têm trabalhado para mudar este cenário. Há três anos a bovinocultura leiteira perdeu espaço no município de Viadutos, cedendo lugar para a ovinocultura de corte. A Emater criou a Associação Viadutense de Criadores de Ovinos, hoje com 29 produtores com cerca de 1,5 mil reprodutores, entre machos e fêmeas.

A atividade se estabeleceu aonde tinha a bovinocultura leiteira. A pastagem já estava ali, assim como as instalações, somente foram feitas as adaptações necessárias e se substituiu a produção de leite pela carne ovina.

De acordo com extensionista rural Alceu Lira, o programa teve início porque a demanda por carne era grande e como implantaram no município um frigorífico, começaram a melhorar a genética, fazendo com que a criação de ovinos e o consumo fossem ampliados. Hoje a carne produzida é vendida em Erechim, Marcelino Ramos e Viadutos.

A produção gira em torno de 120 cordeiros mensais que são abatidos.

Vantagens

“Em termos de vantagens, comparando com bovinos de leite, a atividade exige menor mão de obra; é de fácil criação; conversão alimentar, raças Lle de France e Texel, faz com que consigamos um cordeiro 4 a 5 meses em torno de 25kg de carne e ao analisarmos que o kg é vendido a R$ 18, isso para cada cordeiro ganha em torno de R$ 430; e eles são bastante prolíferos, geralmente dois cordeiros por raça, com dois partos por ano. Então, a lucratividade é maior do que a bovinocultura de leite por área”.

A única dificuldade, conforme Lira é o rápido giro dos reprodutores machos. “A Associação que criamos foi para fazer a troca de macho entre os associados, porque a aquisição de um macho hoje com genética média está entre R$ 3 a R$ 4 mil. Uma genética melhor está em torno de R$ 12 mil e isso é caro para o produtor adquirir. Então fazemos a troca entre os produtores e isso barateia o custo”, explica.

A alimentação é basicamente a pasto com suplementação de silagem. E o cordeiro com o leite da ovelha e suplementação de ração.

Os criadores são também produtores de leite. Alguns não eliminaram a atividade por completo.

Com relação ao consumo, Lira diz que é uma carne mais magra, saudável, e estão entrando no mercado com carne de cordeiro com alto padrão genético.

O criador Pedro Mânica, de Linha Barbará, interior de Viadutos, cria ovelhas há seis anos. Atualmente está com 200 cabeças. Ele também produz leite e grãos. Iniciou na ovinocultura porque gostava da carne de ovelha e adquiriu os animais para consumo próprio e assim foi ampliando o número de animais. Segundo ele, a atividade é mais prática que a produção de leite e bastante rentável.

 

 

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